"Esquenta!" procura misturas musicais de qualidade, mas ainda não "esquentou" de verdade
Durante muito tempo, uma boa parcela da imprensa erguia o nariz para o pagode que, antes de ser um subgênero do samba, é uma reunião com música, bebida e comida, em um processo semelhante ao forró. Neste finzinho de 2011, o “Esquenta!”, de Regina Casé, domingo às 13h55, volta com mais cara de pagode. Ou “pagodejo”, já que a mistura de atrações de música sertaneja com sambistas promete ser uma constante no programa.
Mistura, aliás, é a palavra de ordem. A apresentadora convidou no último domingo o casal sertanejo Maria Cecília & Rodolfo para cantar um pouco de samba. Misturas como essas são rotina na música, mesmo que não sejam tão divulgadas.
O “Esquenta!” não deixa de ser curioso. É um programa “pobre” numa emissora rica. Não importam os recursos envolvidos, a grande popularidade ou renome dos artistas convidados e mesmo a produção com mais recursos. Lá está, onipresente, a mesinha de botequim e as fiéis cadeiras, precário ambiente para qualquer programa de samba. E, igualmente, a tentativa de “descontrair” os convidados, mesmo ante câmeras e holofotes.
Regina Casé já realizou outros ótimos programas para a tevê, entre eles, o suculento “Um Pé de Quê?”, cuja criatividade só é comparável à simplicidade de seu argumento. Mas as fusões pretendidas em “Esquenta!” ainda não deram liga. Hibridismo cultural é uma coisa. Tocar o terror é bem diferente.
Mauro Trindade
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