Acréscimo de R$132 no salário mínimo: Estado prepara reajuste de quase 49% maior que o nacional em 2026

Ilustração salário mínimo e trabalhadores (Foto: Montagem TV Foco / GMN)
Paraná prepara novo reajuste no salário mínimo regional
O Paraná avança mais uma vez na valorização dos trabalhos e prepara um dos maiores reajustes no salário mínimo regional para 2026.
Isso porque, o Conselho Estadual do Trabalho, Emprego e Renda (CETER) aprovou os novos valores do piso regional, que passam a variar entre R$ 2.105,34 e R$ 2.407,90, conforme o setor de atuação profissional.
O maior valor aprovado, de R$ 2.407,90, representa um acréscimo de R$ 786,90 em relação ao salário mínimo nacional, atualmente fixado em R$ 1.621.
Na prática, isso significa um reajuste de 48,57%, quase 49% acima do piso nacional para inúmeros trabalhadores.
Além disso, em comparação com o valor praticado no ano anterior, a última faixa salarial, que contempla técnicos de nível médio, terá um aumento direto de R$ 132 no salário mensal, reforçando o ganho real para essa categoria.
Salário mínimo regional do Paraná em 2026
De acordo com o governo estadual, o novo piso regional atinge quatro grupos, conforme a área de atuação. Veja os valores:
- Grupo 1 – R$ 2.105,34: Agropecuários, florestais e da pesca
- Grupo 2 – R$ 2.181,61: Serviços administrativos, comércio, reparação e manutenção
- Grupo 3 – R$ 2.250,04: Produção de bens e serviços industrias
- Grupo 4 – R$ 2.407,90: Técnicos de nível médio
O piso regional é destinado a trabalhadores que não têm salário mínimo definido por lei, convenção ou acordo coletivo.
Com essa atualização, o Paraná ainda reforça sua posição de destaque e segue como um dos estado com maior piso regional do Brasil.
Critérios usados para definir o piso
O CETER definiu os novos valores com base em critérios técnicos previstos em lei. Entre os principais estão:
- O INPC, calculado pelo IBGE
- A política nacional de valorização do salário mínimo
- As características econômicas e necessidades específicas de cada setor
De acordo com o conselho, a proposta busca equilibrar o crescimento econômico, a geração de empregos e a proteção social, sempre levando em conta o custo de vida no estado.
Quando novo salário começa a valer?
No entanto, após a aprovação pelo CETER, o reajuste ainda precisa cumprir etapas formais para valer. O processo inclui:
- Publicação no Diário Oficial do Estado
- Elaboração da minuta do decreto
- Envido do texto à Casa Civil
Do Carmo, secretário de Estado do Trabalho, Qualificação e Renda, reforça a importância do aumento do piso e negociações entre diferentes setores da sociedade.
“Esse é um exemplo claro de como o diálogo entre governo, trabalhadores e empregadores gera resultados concretos. O piso salarial do Paraná é fruto de uma construção coletiva, que respeita a realidade econômica e, ao mesmo tempo, protege o trabalhador”, disse Do Carmo.
Quais estados adotam o piso regional?
O piso regional, previsto na Lei Complementar nº 103/2000, autoriza estados a estabelecerem valores próprios, desde que sejam superiores ao salário mínimo nacional.
Além do Paraná, quatro estados adotam o modelo:
- Rio Grande do Sul: de R$ 1.789,04 a R$ 2.267,27
- São Paulo: R$ 1.804
- Rio de Janeiro: entre R$ 1.621 até R$ 3.158,96
- Santa Catarina: entre R$ 1.730,00 e R$ 1.978,00
Como funciona o reajuste do salário mínimo?
No âmbito nacional, o salário mínimo varia de acordo com dois fatores:
- A inflação medida pelo INPC, apurada pelo IBGE
- O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)
Porém, com a implementação do novo arcabouço fiscal, o aumento real do piso passou a ter um limite. O reajuste adicional fica restrito a uma faixa que varia entre 0,6% e 2,5% ao ano.
Por fim, apesar dos aumentos anuais, o valor do salário mínimo segue distante do necessário para cobrir as despesas básicas do mês.
De acordo com cálculos do DIEESE, o salário mínimo necessário para suprir gastos essenciais deveria alcançar R$ 7.067,18 em novembro de 2025.