Ex-autor da Record TV denuncia censura no seu sucesso 'Os Mutantes': "Não deixaram beijo gay"
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Tiago Santiago, autor de novelas, revelou censura nos bastidores da Record TV (Foto: Instagram)
Dramaturgo Tiago Santiago revela podres em relação a censura sofrida e preconceito dentro da Record TV
Ex-autor de novelas da Record TV, Tiago Santiago denuncia que houve censura da Igreja Universal à história da trilogia Os Mutantes (2007-2009), que poderia ter tido um romance LGBTQIA+ mais explorado. “A maior interferência foi não deixarem fazer o beijo gay, uma bobagem”, revela o escritor ao Notícias da TV.
O beijo em questão ocorreria entre os personagens Danilo (Cláudio Heinrich) e Bené (Deo Garcez) em Os Mutantes: Caminhos do Coração (2008), segunda parte da trilogia. Tiago Santiago diz não ter descontentamentos com a emissora de Edir Macedo, mas lamenta a falta de ambição da diretoria em fazer novelas com histórias diferentes da Bíblia devido a interesses religiosos.
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“Em Os Mutantes, a maior interferência foi não deixarem fazer o beijo gay, uma bobagem, porque tem gente que até hoje não vê a homossexualidade como algo absolutamente natural”, critica o também diretor. Tiago Santiago escreveu depois Amor e Revolução (2011), novela do SBT, que exibiu um histórico beijo gay entre duas mulheres.
“Ajudei a construir o núcleo de teledramaturgia da Record, trouxe muita gente boa que está lá até hoje e vejo com preocupação o movimento de substituição de profissionais de TV, em todas as áreas, por pessoal da IURD [Igreja Universal do Reino de Deus]”, afirma o dramaturgo Tiago Santiago.
O autor Tiago Santiago de Os Mutantes (Foto: Reprodução)
Responsável pelos sucessos Prova de Amor (2005) e A Escrava Isaura (2004), o autor Tiago Santiago aconselha os donos da emissora e detona o bispo Honorilton Gonçalves (ex-vice-presidente artístico da Rede Record) e o executivo Hiran Silveira.
“Se eu fosse a Cristiane Cardoso ou o Edir Macedo, ia querer me cercar dos melhores e realmente criar produtos para disputar a liderança [no Ibope]. Tive problemas durante o tempo em que estive lá, por incompetência do Honorilton Gonçalves e do Hiran Silveira, como falta de pontualidade para entrar com o produto no ar, comerciais de seis a sete minutos”, começa ele.
“Falta de crossmedia profissional com valorização dos artistas e novelas nos programas de auditório e reportagens da emissora, a criação de um elenco gigante quando não havia necessidade, o endividamento da empresa com a construção de novos estúdios”
A carreira do autor
Apesar de ser conhecido por seus trabalhos na emissora vice-líder de audiência, Tiago Santiago estreou como colaborador de texto em Vamp (1991), de Antônio Calmon, na Globo, onde também auxiliou em outros produtos, como Uga Uga (2000) e Kubanacan (2003).
“Não sou contratado da Record desde 2009, mas ainda associam meu nome à emissora porque fiz muito sucesso lá. Trabalhei muito mais tempo na Globo do que em qualquer outra emissora do Brasil. Não há comparação entre o profissionalismo da Globo e o da Record”, conclui Tiago Santiago.
Sem um produto audiovisual em exibição na TV aberta desde 2015, quando a Record transmitiu a série Na Mira do Crime, produção dele na Fox, Tiago Santiago lançou neste ano o livro Os Caminhos do Mago. Na obra que mistura filosofia e autoajuda, o escritor tenta traçar uma jornada de espiritualidade para seus leitores.
Fonte: Notícias da TV
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