Dívida de 1,2B: Fábrica amada das donas de casa pede socorro para não ir à falência

Fábrica amada por donas de casa pede socorro para não falir (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Canva/GMN/Lennita)
O fim de uma era? Gigante entra com pedido de recuperação judicial após dívida bilionária; Entenda o que acontece agora
O mercado têxtil global assiste, com apreensão, ao balanço de uma das marcas mais icônicas da história da moda e do uso doméstico.
Presente no guarda-roupa de praticamente todas as famílias, a etiqueta que revolucionou o conforto das calças, lingeries e roupas esportivas enfrenta agora o seu capítulo mais desafiador em quase sete décadas de existência.
O que antes parecia uma hegemonia inabalável no setor de fios elásticos, sendo amada por milhares de donas de casa, transformou-se em uma corrida contra o tempo nos tribunais dos EUA.
Trata-se da The Lycra Company, detentora da marca que virou sinônimo de elasticidade que:
- Protocolou o pedido no dia 17 de março, em Houston, no Texas;
- Agora busca um fôlego diante de uma dívida que atinge a marca de US$ 1,2 bilhão.
O que chega a aproximadamente R$ 7,1 bilhões na cotação atual.
Por que a gigante balançou?
De acordo com a Istoé Dinheiro, diferente de empresas que sofrem com má gestão operacional imediata, a Lycra carrega o fardo de uma engenharia financeira complexa iniciada anos atrás.
Isso porque a crise não nasceu hoje:
- Ela é o resultado de uma combinação de aquisições agressivas;
- E de um cenário de mercado que se tornou hostil para as marcas de luxo tecnológico.
Grande parte do sufoco financeiro deriva da compra da empresa em 2019 pelo grupo chinês Ruyi Textile.
A transação sobrecarregou o caixa da companhia com dívidas que se tornaram impagáveis sob as taxas de juros globais.
Além disso, a marca enfrentou uma concorrência feroz de fabricantes asiáticos que produzem elastano genérico a preços agressivamente baixos, corroendo a margem de lucro da empresa original.
Isso sem falar nas tarifas imprevisíveis entre Estados Unidos e China, que, somadas a disputas judiciais com os antigos proprietários chineses, criaram um ambiente de insegurança para os investidores.
Por fim, as mudanças nos hábitos de consumo global e a retração econômica em mercados-chave reduziram as encomendas de tecidos de alta tecnologia.
Linha do tempo:
Para entender como uma marca tão consolidada chegou a este ponto, é preciso observar sua trajetória de liderança e as trocas de comando que definiram seu destino.
- 1958 – Cientistas da DuPont inventaram o elastano (spandex), batizado comercialmente como Lycra. A fibra revolucionou o vestuário ao permitir elasticidade sem deformar as peças;
- Anos 60 a 90 – A marca tornou-se líder absoluta, licenciando sua tecnologia para as maiores grifes do mundo e entrando massivamente nos lares por meio de meias-calças e roupas de banho;
- 2004 – A Koch Industries adquiriu a unidade de fibras da DuPont, formando a Invista, que passou a gerir a marca Lycra;
- 2019 – O grupo chinês Shandong Ruyi adquiriu a The Lycra Company em uma transação bilionária, mas a empresa começa a sofrer com o alto endividamento do novo controlador;
- 2022 – Após calotes da Ruyi, um consórcio de credores (incluindo fundos como Lindeman Partners e Cyrus Capital) assumiu o controle da Lycra para tentar salvar a operação;
- 2026 – Conforme citamos acima, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) nos EUA para eliminar a maior parte da dívida e receber um aporte imediato de US$ 75 milhões.
O que acontecerá com a Lycra agora?
Ainda de acordo com o portal, apesar do susto, a diretoria da The Lycra Company mantém um tom otimista e profissional.
Segundo a marca, o objetivo do processo judicial não é o fechamento das portas, mas:
- Uma “limpeza” contábil necessária para a sobrevivência do negócio a longo prazo;
- Uma ação para aumentar as chances de se livrar da falência total.
Além disso, a empresa afirma possuir apoio quase unânime dos seus financiadores, o que sugere um processo de recuperação rápido, estimado em apenas 45 dias.
As oito fábricas espalhadas pelo mundo (inclusive com forte presença na América do Sul e Ásia) continuam operando normalmente.
E, felizmente, os 2.000 funcionários não sofrerão cortes imediatos decorrentes deste processo.
Por fim, a Lycra garante que o fornecimento de fios e o atendimento aos parceiros comerciais não sofrerão interrupções durante a reestruturação.
Para as donas de casa e consumidores em geral, o recado é de continuidade.
Afinal de contas, a marca busca apenas fôlego financeiro para garantir que o fio que sustenta a moda mundial não se rompa definitivamente.
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