R$14M e risco de adeus após quase 100 anos: Fábrica n°1 das donas de casa luta contra a falência em Santa Catarina

Uma fábrica gigantesca de Santa Catarina luta contra a falência para sobreviver no mercado após quase 100 anos de existência

23/03/2025 às 23:50 · Tempo de leitura: 8 minutos

Fábrica n°1 das donas de casa luta contra a falência em Santa Catarina (Foto: Reprodução/ Internet)

Uma fábrica gigantesca de Santa Catarina luta contra a falência para sobreviver no mercado após quase 100 anos de existência

Por quase um século, ela esteve presente nos lares brasileiros, sendo uma referência quando o assunto é qualidade. Mas agora, a fábrica que conquistou gerações de donas de casa enfrenta seu maior desafio.

Localizada em Santa Catarina, a empresa, que é considerada sinônimo de sucesso e inovação em seu setor, enfrenta uma grande crise que chegou a levá-la frente a frente com a falência.

Conforme apurado pelo TV FOCO, segundo o portal ‘Valor’, avaliada em cerca de R$ 14 milhões, a fábrica Teka, uma gigante do setor têxtil, enfrenta uma grande crise e chegou a ter sua falência decretada.

Contudo, a Justiça de Santa Catarina revogou a falência da gigante, que está em recuperação judicial há 13 anos e contém uma dívida expressiva com ordem de R$ 3,5 bilhões.

Justiça decreta falência mas revoga

Fundada em 1926, em Blumenau, SC, a história da Teka, uma das mais tradicionais indústrias têxteis do Brasil, ganhou um novo capítulo. Após ter falência decretada, a empresa recebeu um fôlego inesperado.

A Justiça de Santa Catarina revogou a decisão e restabeleceu seu processo de recuperação judicial. A decisão se deu devido a inconsistências nos cálculos da dívida e a necessidade de uma auditoria.

De acordo com o portal ‘Exame’, desde 2012, a Teka enfrenta dificuldades financeiras, acumulando dívidas que ultrapassam milhões. No entanto, um novo investidor pode mudar esse cenário.

Fábrica da Teka – Foto Internet

O fundo de investimento Alumni FIP, que adquiriu ações da empresa nos últimos dois anos, recorreu da decisão e conseguiu garantir mais tempo para buscar soluções.

Agora, a gigante do setor têxtil, que driblou a falência, seguirá operando sob gestão judicial provisória, enquanto a empresa de auditoria PwC analisa sua situação financeira real.

Para muitos consumidores, a marca representa mais do que apenas produtos de cama, mesa e banho, sendo um símbolo de tradição, presente em lares brasileiros há quase um século.

Crise de mais de uma década

A Teka, sem dúvidas, já foi uma das maiores fabricantes do Brasil. Mas, com uma dívida de mais de R$ 3,5 bilhões, a empresa enfrentou problemas trabalhistas, tributários e com fornecedores.

Desde 2012, em recuperação judicial, não conseguiu equilibrar o caixa, mesmo aumentando o faturamento – de R$ 344 milhões em 2022 para R$ 404 milhões em 2024.

A falta de capital levou à paralisação das operações. Internamente, conflitos entre acionistas dificultaram decisões. No mercado externo, a valorização do real reduziu as exportações de 35% para apenas 3%.

Além disso, a alta do algodão e os custos de produção agravaram a crise. Com fábricas reduzidas e demissões em massa, a empresa acumulou processos trabalhistas.

Teka Tecelagem Kuehnrich teve falência revogada (Foto: Reprodução)

Em fevereiro de 2025, a Justiça decretou sua falência no modelo “falência continuada”, permitindo a operação enquanto os ativos eram vendidos para pagar credores. Agora, essa decisão foi revogada.

A Teka

A história da Teka é marcada por um legado de perseverança, inovação e desafios. Fundada em 1926 por Paul Fritz Kuehnrich em Blumenau, Santa Catarina, a empresa nasceu para transformar a indústria têxtil.

Ao longo dos anos, a Teka se consolidou como referência no mercado de cama, mesa e banho, ganhando destaque pela qualidade de seus produtos e pelo compromisso com a excelência.

Com investimentos constantes em tecnologia e inovação, a Teka conquistou prêmios que a posicionaram como um símbolo da qualidade e do design no setor têxtil.

Contudo, o cenário econômico global e as mudanças no mercado desafiaram a estabilidade. Nos anos 2000, a Teka enfrentou dificuldades financeiras, acentuadas pela concorrência internacional e pelos custos elevados de operação.

A crise se intensificou e, em 2012, a empresa entrou em recuperação judicial. Neste ano, após a falência ser decretada, a justiça interveio, revertendo a decisão e oferecendo uma nova chance de recuperação.

Considerações finais

  • A Teka ainda tem chances de se reerguer, mas o caminho será difícil.
  • Com dívidas bilionárias e anos de crise, a empresa precisa de uma reestruturação eficiente e do apoio de investidores para seguir em frente.
  • A revogação da falência traz um novo fôlego, mas o futuro dependerá de boas decisões e de sua capacidade de se reinventar.
  • Para os consumidores, a marca continua sendo um símbolo de tradição, agora, resta saber se conseguirá dar a volta por cima.

Qual a diferença entre falência e recuperação judicial?

Conforme informações do portal Vem Pra Dome, ambos os institutos têm como objetivo a satisfação de dívidas de uma empresa. Contudo, a principal diferença está na continuidade ou não do empreendimento.

No caso da recuperação judicial, se ganha tempo para recuperar a capacidade de gerar resultados na empresa. Por outro lado, na falência, não existe a reestruturação do negócio e ele acaba fechando as portas.

A ideia da recuperação judicial é manter o negócio ativo, gerando empregos e possibilitando que a empresa pague as suas dívidas. Na falência, ocorre o encerramento do negócio, considerado irrecuperável.

Veja também matéria especial sobre: Falência: Banco Central emite comunicado oficial e confirma fim de dois bancos populares no Brasil.

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