De investimentos milionários que desmoronaram a reformulações corporativas, relembre a trajetória de canais que marcaram época e saíram do ar
Falência, crises financeiras severas, apostas ousadas que desmoronaram e encerramentos repentinos evidenciam a realidade competitiva do mercado televisivo brasileiro nas últimas décadas.
A promessa de revolucionar a programação nem sempre resistiu aos custos de licenciamento, à escassez de anunciantes e às complexas reestruturações corporativas.
A seguir, com base em informações do Canal 90, do YouTube, detalhamos as trajetórias de seis emissoras de TV que enfrentaram tombos históricos e fecharam as portas definitivamente no país.
MixTV (2005–2017):
Fundada em janeiro de 2005 como a versão televisiva da rádio Mix FM, a MixTV nasceu com a proposta de ser um canal dedicado à música, clipes e entrevistas voltados ao público jovem na TV aberta.
Com quase o mesmo modelo da MTV do passado, a emissora emplacou produções conhecidas como Hot Clips, Insight e No Break.
A instabilidade começou em 2011, quando o canal enfrentou sua primeira grande reestruturação, resultando na demissão de funcionários, reformulação da grade e venda de faixas horárias para programações independentes.
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Porém, em 2014, devido aos custos de manutenção na TV aberta, a MixTV migrou para a TV por assinatura.
Mas, a mudança não surtiu o efeito financeiro esperado e a emissora encerrou suas atividades de vez em 2017.
Jetix (2004–2009):
Sucessor do canal Fox Kids, o Jetix foi inaugurado em 2004 sob a operação da Walt Disney Company, focado inteiramente no público infantil e infantojuvenil.
A grade exibia animações de sucesso internacional, como:
- Os Padrinhos Mágicos;
- Três Espiãs Demais;
- Beyblade;
- Power Rangers.

No entanto, a trajetória da marca foi interrompida em 2009 por conta de uma decisão puramente estratégica da multinacional.
A Disney optou por unificar globalmente sua programação e substituir o Jetix pelo lançamento do canal Disney XD.
Tratou-se de uma extinção planejada por diretrizes corporativas, sem falência financeira envolvida.
TV Rio (década de 50–1992):
Fundada pelo empresário João Batista do Amaral, a TV Rio viveu seu auge absoluto nas décadas de 50 e 60, consolidando-se como pioneira e referência de audiência.
Contudo, os problemas financeiros acumulados na década seguinte forçaram a suspensão de suas transmissões originais em 1977.
Em 1988, a marca ressurgiu no mercado, apostando em uma grade de variedades, telejornais e filmes.
A nova investida não conseguiu se sustentar comercialmente a longo prazo diante do avanço das redes concorrentes.
Por fim, a TV Rio conseguiu operar com dificuldades financeiras graves até 1992, quando encerrou suas atividades de forma definitiva.
TV Corcovado / TV Record Rio (anos 1980–90):
Fruto de uma antiga parceria comercial que envolveu nomes ligados à TV Record de São Paulo, o canal nasceu originalmente no Rio de Janeiro, integrado à rede de emissoras independentes.
Adotando posteriormente o nome de TV Corcovado, exibia atrações variadas locais, como o programa Samba de Primeira e sessões de filmes.
Com o passar do tempo, a emissora começou a retransmitir conteúdos produzidos em São Paulo e fechou acordos com o Grupo Abril.

Contudo, os baixos índices de audiência na capital fluminense e a escassez crônica de grandes anunciantes tornaram a operação comercial inviável.
Sem faturamento para cobrir os custos técnicos, o canal encerrou as atividades e foi vendido para as Organizações Martinez, integrando a transição para a futura Rede OM Brasil.
CBS Telenotícias Brasil (1997–2000):
Lançada em 1997 com o objetivo de rivalizar diretamente com a GloboNews, a CBS Telenotícias Brasil surgiu de uma parceria internacional entre a gigante norte-americana CBS e o SBT.
Pelo acordo, blocos informativos eram transmitidos nas madrugadas da emissora de Silvio Santos, enquanto âncoras brasileiros geravam notícias direto de estúdios em Miami.

O projeto ruiu nos anos 2000 após o canal ser adquirido pela Telemundo.
A expansão da emissora no mercado de TV fechada nacional encontrou forte resistência das principais operadoras de cabo da época, que priorizavam a distribuição da GloboNews.
Diante do bloqueio comercial e de acordos paralelos da nova controladora com a Globo, a operação em língua portuguesa tornou-se financeiramente insustentável.
O que aconteceu com a emissora Loading?
Estreando na TV aberta em dezembro de 2020, a Loading representou uma das apostas mais recentes e ousadas do mercado geek e de cultura pop no Brasil.
Operando na frequência da antiga MTV Brasil, o canal registrou um início promissor de audiência em praças como São Paulo nas primeiras semanas de exibição.
A operação, no entanto, foi interrompida de forma abrupta com cerca de cinco meses no ar.

A Loading pertencia ao Grupo Kalunga, que enfrentava reestruturações e dificuldades fiscais severas na época.
Diante dos custos operacionais elevados e de problemas jurídicos ligados à própria concessão do canal de TV, os investidores retiraram o aporte financeiro do projeto.
No entanto, a decisão resultou em uma demissão em massa repentina da equipe e no fim das transmissões inéditas da emissora.
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Autor(a):
Lennita Lee
Jornalista com formação em Moda pela Universidade Anhembi Morumbi e experiência em reportagens sobre economia e programas sociais. Com olhar atento e escrita precisa, atua na produção de conteúdo informativo sobre os principais acontecimentos do cenário econômico e os impactos de benefícios governamentais na vida dos brasileiros. Apaixonada por dramaturgia e bastidores da televisão, Lennita acompanha de perto as movimentações nas principais emissoras do país, além de grandes produções latino-americanas e internacionais. A arte, em suas múltiplas expressões, sempre foi sua principal fonte de inspiração e motivação profissional.



