O fim de um império: Saiba por que uma famosa rede de supermercados que dominou o RJ e SP faliu após 41 anos

A memória afetiva dos brasileiros, especialmente dos cariocas, com certeza deve guardar a imagem fotográfica de carrinhos cheios e gôndolas fartas que dominavam uma das redes mais tradicionais do RJ na segunda metade do século XX.

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No entanto, o tombo entre o sucesso absoluto e o encerramento das atividades deixou um rastro de unidades fechadas e dívidas bilionárias, marcando para sempre o setor.

Estamos falando da rede Casas da Banha, a qual teve 224 lojas lacradas e acabou tendo sua falência decretada após 41 anos.

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Tinha tudo para dar certo

De acordo com o portal Wiki, a trajetória da Casas da Banha começou oficialmente em 1955, no Rio de Janeiro.

Posteriormente, a rede rapidamente se diferenciou ao focar na comercialização de carnes e produtos de primeira necessidade, ganhando a confiança da classe média e das famílias trabalhadoras.

Nos anos 70, a empresa atingiu o ápice de sua popularidade ao utilizar o marketing de massa de forma inovadora para a época.

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Inclusive, a marca tornou-se sinônimo de varejo ao patrocinar o programa do Chacrinha na antiga TV Tupi.

O “Velho Guerreiro” transformou o ato de comprar mantimentos em um espetáculo, promovendo os produtos da rede de forma carismática.

Essa exposição permitiu uma expansão agressiva para além do território fluminense, levando a bandeira para estados vizinhos:

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  • Presença em São Paulo: Operou em centros estratégicos como a Capital, São Bernardo do Campo, Osasco, Mauá, São Caetano do Sul, Guarulhos e Ribeirão Pires;
  • Interior de Minas Gerais: Expandiu-se por Belo Horizonte, Juiz de Fora, Montes Claros, Barbacena, Muriaé, Pirapora e diversas outras cidades mineiras, totalizando uma rede capilarizada e influente.

Sufoco

Mas o declínio da gigante não ocorreu por falta de clientes, e sim por uma conjuntura macroeconômica devastadora iniciada em 1986.

Isso porque a implementação dos Planos Cruzado I e II impôs o congelamento de preços em todo o país.

Como a Casas da Banha trabalhava com grandes volumes de produtos perecíveis e margens de lucro estreitas, a impossibilidade de reajustar valores diante da alta dos custos operacionais corroeu o caixa da companhia.

A situação atingiu o ponto de ruptura com a chegada do Plano Collor no início da década de 90.

O confisco de ativos financeiros limitou a capacidade da rede de honrar compromissos imediatos, como o pagamento de fornecedores e salários.

Em 1991, a gestão tentou sobreviver fechando unidades deficitárias e implementando um controle financeiro rígido, mas a dívida salarial já acumulava cifras milionárias, gerando uma crise social interna com milhares de colaboradores sem remuneração.

Tudo fechado!

No auge de sua operação, a Casas da Banha sustentava o emprego de aproximadamente 22 mil trabalhadores.

Com o agravamento da crise, esse número despencou para menos da metade em poucos anos.

O processo de desmonte envolveu a venda estratégica de ativos e a lacração de unidades que não encontravam compradores imediatos.

O balanço final do encerramento das atividades revelou um cenário desolador para o varejo:

  • A rede alienou 149 lojas para antigos proprietários e outros grupos varejistas como forma de quitar débitos;
  • Outras 75 lojas permaneceram fechadas, aguardando negociações que nunca prosperaram, incluindo ativos valiosos como o tradicional e, também extinto, restaurante Porcão;

O que, junto, somava as 224 lojas no total.

  • A empresa enfrentou mais de 9 mil processos na justiça, conseguindo resolver cerca de 2,8 mil casos mediante o pagamento de indenizações parciais.

Quando a rede Casas da Banha faliu?

O encerramento jurídico desta história ocorreu de vez em março de 1999, quando o juiz Luiz Felipe Salomão, da 2.ª Vara de Falências e Concordatas do Rio de Janeiro, decretou oficialmente a falência da Casas da Banha.

Isso após a própria empresa confessar a impossibilidade de recuperação financeira.

A sentença priorizou o pagamento das dívidas trabalhistas, estimadas em US$ 5 milhões na cotação da época.

A queda da Casas da Banha serve como um estudo de caso sobre a fragilidade do varejo diante de intervenções estatais heterodoxas.

O desaparecimento de uma marca que movimentava cifras equivalentes a R$ 4 bilhões em valores atualizados deixou um vácuo no mercado fluminense e mineiro, alterando para sempre a dinâmica de concorrência nos bairros onde antes imperava.

O nome da rede hoje sobrevive apenas nos registros históricos e na memória de quem viveu a era de ouro dos grandes supermercados nacionais.

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