Falência e leilão de R$ 160M: Encerramento de fábrica popular de SP na era Ricardo Nunes

Leilão milionário e falência de fábrica histórica revelam o declínio da produção em São Paulo sob o comando de Ricardo Nunes

09/11/2025 às 16:45 · Tempo de leitura: 4 minutos

Fábrica é fechada em (Foto: Reprodução/ Internet)

Leilão milionário e falência de fábrica histórica revelam o declínio da produção em São Paulo sob o comando de Ricardo Nunes

A falência da Rontan Eletro Metalúrgica, uma das fabricantes mais tradicionais de veículos especiais do país, marca o fim de uma era. A empresa, que nasceu em 1970 em Tatuí, no interior de São Paulo, chegou a ser referência na produção de viaturas policiais e ambulâncias.

Contudo, durante décadas, manteve um complexo industrial imenso, com 229 mil metros quadrados de terreno e cerca de 40 mil metros de área construída. Tudo isso agora se encontra em liquidação judicial. A 3ª Vara Cível de Tatuí decretou a falência em março de 2022.

Após falência, Rontan leiloa fábrica e bens por R$ 160 milhões (Foto: Reprodução)

Porém, a decisão encerrou oficialmente uma história que misturava crescimento, prestígio e, nos últimos anos, dívidas acumuladas e produção estagnada.

O leilão dos bens ocorre neste fim de 2025. Os administradores da massa falida colocaram à venda imóveis, maquinários, veículos e um terreno de 81 mil metros quadrados no Jardim Aeroporto. O valor total estimado chega a R$ 160 milhões.

A Mega Leilões, empresa responsável pelo processo, abriu lances iniciais que podem ficar até 40% abaixo da avaliação. Além disso, o lote principal inclui a antiga fábrica da Rontan, com valor inicial de R$ 158,7 milhões.

No entanto, se não houver interessados, o preço pode cair para cerca de R$ 95 milhões nas próximas etapas. O desfecho ainda é incerto, mas a expectativa é que o patrimônio desperte interesse de grupos industriais ou investidores imobiliários.

O que aconteceu com a Rontan?

A Rontan cresceu quando o Brasil ainda apostava na industrialização regional. A empresa atendia órgãos públicos e privados. Montava ambulâncias, carros de resgate e viaturas completas. O negócio prosperou por anos, mas a concorrência externa e o fim de contratos governamentais reduziram a receita.

Porém, a dificuldade em modernizar a linha de produção também pesou. O mercado mudou rápido e a Rontan ficou presa a um modelo caro e dependente de licitações.

A cidade de Tatuí sentiu o impacto. Muitos trabalhadores dedicaram boa parte da vida à empresa. Técnicos, operários e engenheiros perderam o emprego com o fechamento. Alguns tentam recomeçar em outras montadoras da região. Outros mudaram de área.

O processo de falência busca agora quitar parte das dívidas com fornecedores e credores trabalhistas. Segundo a administração judicial, o leilão representa a última tentativa de recuperar parte do que restou. Cada lote vendido pode reduzir o passivo que se arrasta há anos.

Contudo, nos bastidores, há quem veja uma oportunidade. Empresários do setor automotivo acompanham o caso. O terreno amplo, com boa infraestrutura e fácil acesso às rodovias, pode atrair novos projetos industriais. A localização estratégica desperta interesse, mesmo com o peso da falência recente.

Por fim, o encerramento da Rontan também levanta uma discussão sobre o futuro da indústria nacional. A perda de empresas tradicionais reflete a falta de estímulo à produção local e o avanço de produtos importados. O país, que já foi polo de inovação nesse setor, hoje assiste ao fechamento de fábricas que sustentaram comunidades inteiras.

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