Falência: Emissora de TV aberta chegou ao fim com calote em salários

Emissora de televisão deu adeus após falência e até calote (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/TV Foco/GMN)
Há 46 anos, os transmissores da primeira emissora de TV do país eram lacrados; Relembre o clamor histórico e o adeus derradeiro
A história dos meios de comunicação no Brasil guarda memórias de momentos que comoveram gerações e uniram o país em torno do respeito a grandes pioneiros. Entre esses capítulos marcantes, a trajetória e o fim da Rede Tupi, a primeira emissora de TV aberta da América Latina, permanecem vivos na memória afetiva do público e dos profissionais do setor.
Inaugurada no dia 18 de setembro de 1950, em plenos anos dourados e sob a tutela visionária de Assis Chateaubriand, a TV Tupi passou a ser referência em todos os lares brasileiros.
Porém, o declínio da pioneira Canal 4 foi o desfecho de uma crise financeira sistêmica que culminou no fechamento definitivo de suas transmissões no mês de julho.

Com base em informações do portal Wiki e relatos históricos e documentais, trazemos abaixo mais detalhes sobre esse triste fim marcado pela falência e até mesmo calote em salários dos funcionários.
O colapso:
Em 1968, ofalecimento do seu idealizador, Assis Chateaubriand, deixou o conglomerado dos Diários Associados sem nenhuma liderança centralizadora.
Para piorar ainda mais, no ano de 1978, um sinistro destruiu todos os equipamentos cruciais na sede de São Paulo, agravando ainda mais a precariedade técnica da rede.
A situação descambou ainda mais em 1979, quando a grave crise econômica gerou uma séroe de “calotes” e atrasos recorrentes nos pagamentos dos funcionários, deteriorando o clima interno.
Em fevereiro do ano de 1980, o icônico departamento de novelas foi encerrado, interrompendo produções no ar.
No dia 16 de julho de 1980, por meio de um decreto federal, o governo, que ainda era regido pelos militares, declarou a perempção (extinção por não renovação) de sete concessões da Rede Tupi.

Assinado pelo presidente João Baptista Figueiredo, em 17 de julho de 1980, o Decreto nº 84.928 tirou do ar as emissoras da rede no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Belém, Fortaleza e Porto Alegre devido a graves dívidas e problemas administrativos.
Às 12h36, fiscais do Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel) lacraram os transmissores, cortando o sinal de forma definitiva.
- Você sabia? João Baptista Figueiredo foi o último presidente da República a governar o Brasil durante o período da Ditadura Militar. Seu mandato ocorreu entre 1979 e 1985, marcando o fim da sucessão de governos militares iniciada em 1964.
Como foi a despedida da TV Tupi?
As horas que antecederam o corte do sinal foram marcadas por uma atmosfera de luto coletivo nos estúdios.
O apresentador Jorge Perlingeiro dirigiu-se à nação e à presidência da República em um desabafo histórico que misturava indignação e dor:
“Respeite nossas lágrimas, respeite nossos filhos, respeite nosso trabalho. Não tire nossa estação do ar. Pelo amor que o senhor tem à sua mãe. Estamos chorando para trabalhar. Só pedimos trabalho.”
No mesmo clima, depoimentos de funcionários de base resumiam o drama de centenas de famílias que perdiam sua principal fonte de sustento.
O apelo humano pedia que a decisão levasse em consideração a subsistência de todos aqueles que dedicaram suas vidas a colocar a cultura nacional na tela.
Além disso, a despedida derradeira contou com a exibição de imagens de arquivo que rememoravam os anos de glória da emissora desde a década de 50.
Uma narração em off, proferida com gravidade, resumiu a trajetória do império de comunicação que acabou sofrendo as consequências da falta de planejamento a longo prazo.
A transmissão foi finalizada com uma missa celebrada dentro dos estúdios e a icônica mensagem escrita na tela: “Até breve, telespectadores amigos”.
O que aconteceu com as concessões da TV Tupi?
As concessões cassadas da Rede Tupi foram posteriormente redistribuídas, servindo como base técnica e geográfica para a criação de novas redes de comunicação, como o SBT de Silvio Santos e a Rede Manchete.
Contudo, a memória da pioneira permanece como o alicerce fundamental da teledramaturgia e do jornalismo brasileiro.
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