Falência, escândalo e calote de salário: 10 emissoras de TV que sumiram do ar
De calotes em funcionários à cassação do governo federal: Conheça a história por trás da falência e do fim das transmissões de 10 canais de TV
Relembre a trajetória, os escândalos e as crises financeiras que provocaram o fim trágico de canais icônicos como Manchete, MTV e TV Tupi
A memória da televisão aberta nacional é repleta de projetos ambiciosos que, apesar de alcançarem forte apelo popular e revolucionarem a forma de produzir conteúdo, acabaram extintos.
Crises financeiras estruturais, escândalos políticos de grande repercussão e calotes históricos de salários desenharam o fim abrupto de dez emissoras brasileiras que marcaram épocas distintas da história audiovisual.
Desde as pioneiras da era de ouro até redes de entretenimento contemporâneas, o mercado de radiodifusão provou ser implacável com os erros de gestão.
Com base em informações do Canal 90, do YouTube, trazemos abaixo 10 dessas emissoras que tiveram fim e sumiram das telinhas da TV.
MTV
A MTV Brasil marcou profundamente a cultura jovem ao estrear em 20 de outubro de 1990, sob uma parceria firmada entre o:
- Grupo Abril;
- Gigante Viacom.
Com ícones do jornalismo e do entretenimento, como Astrid Fontenelle, apresentando o primeiro videoclipe da história da emissora, o canal moldou gerações com:
Leia também
- VJs autênticos;
- Os icônicos Acústicos MTV.
Contudo, com as transformações drásticas do mercado fonográfico mundial e a rápida ascensão da internet, os custos de manutenção da marca se tornaram inviáveis.
Os direitos de transmissão retornaram integralmente à Viacom em 30 de setembro de 2013.
O que decretou o encerramento definitivo das atividades do canal no sinal aberto.
TV Jovem Pan
No mesmo período de efervescência da TV aberta nos anos noventa, um projeto pioneiro e de grande envergadura tecnológica chamou a atenção do público paulista.
A TV Jovem Pan foi lançada em setembro de 1991 no canal 16 UHF, equipada com:
- O que havia de mais moderno em tecnologia japonesa;
- Uma imponente torre de transmissão na Avenida Paulista.
A promessa de inovação, porém, durou pouco…
Intermináveis disputas judiciais entre acionistas e uma CPI instaurada em 1992 para investigar fraudes e sonegação fiscal passaram a atormentar a rotina da emissora de televisão.
Sem fôlego financeiro para continuar operando, os proprietários venderam toda a estrutura física para a Record em 1995.
16 UHF
O mesmo canal 16 UHF abrigou anos mais tarde o Shop Tour:
- Uma marca pioneira no segmento de vendas diretas na televisão, liderada pelo empresário Luiz Galebe.
O formato de anúncios rápidos e ofertas comerciais de varejo funcionou muito bem por mais de uma década.
No entanto, o projeto sucumbiu após polêmicas familiares nos tribunais.
Além disso, o apresentador enfrentou um longo processo judicial movido por sua ex-esposa e ex-sócia, Tina.
O que resultou em condenações e indenizações estipuladas em valores superiores a 800 mil reais.
As dívidas acumuladas asfixiaram o caixa da empresa, gerando uma retirada gradual do canal do ar até sua extinção total em 2010.
Rede Mulher
O segmento voltado exclusivamente ao público feminino também registrou perdas significativas que alteraram o mapa da TV aberta.
A Rede Mulher foi inaugurada em agosto de 1994, migrando a proposta que já fazia sucesso na Rádio Mulher.
Com uma grade repleta de atrações sobre bem-estar e saúde, lideradas por nomes populares como Solange Frazão, a emissora acabou chamando a atenção de grandes investidores religiosos.
Porém, em 1999, o canal foi adquirido pela Igreja Universal do Reino de Deus e passou por profundas modificações conceituais em sua linha editorial, até ser formalmente desativado para dar lugar à estreia da Record News em 27 de setembro de 2007.
Rede Manchete
Entretanto, nenhum fechamento, contudo, causou tanto impacto emocional e artístico quanto o colapso da Rede Manchete.
Fundada pelo empresário Adolfo Bloch em 5 de junho de 1983, a emissora carioca revolucionou a teledramaturgia nacional com os sucessos estrondosos e inesquecíveis de Pantanal e Dona Beija, além de consolidar uma forte programação voltada ao público infantil com as apresentadoras Angélica e Xuxa.
O padrão de qualidade elevado cobrou um preço alto demais, e o acúmulo de dívidas milionárias levou a empresa a uma crise terminal e falência.
O estopim do drama ocorreu quando funcionários e sindicalistas ocuparam os transmissores da torre do Sumaré em protesto contra salários atrasados.
Mas, após tentativas fracassadas de venda para investidores estrangeiros, a estrutura restante foi transferida em 1999 para os novos donos que fundaram a RedeTV!.
TVE Brasil
No setor público e regional, a história brasileira também testemunhou transições definitivas causadas por decisões administrativas governamentais.
A TVE Brasil operava sediada no Rio de Janeiro desde 1975, focando estritamente em conteúdos de caráter cultural, educativo e pedagógico para complementar o ensino público.
A sua trajetória independente terminou em 2007, quando um decreto oficial assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reformulou a estrutura de comunicação do governo federal.
Posteriormente, a fundação que geria a TVE foi extinta e todo o seu patrimônio técnico e humano foi absorvido para criar a atual estatal TV Brasil.
Rede OM
A ousadia comercial também encontrou barreiras intransponíveis no cenário político nacional, como aconteceu com a paranaense Rede OM.
Lançada na década de 80, a rede chocou o mercado audiovisual ao contratar o narrador Galvão Bueno em 1992 para liderar as transmissões de futebol e da Copa Libertadores da América.
O ambicioso império desmoronou rapidamente no ano seguinte, quando o fundador da emissora, José Carlos Martinez, foi citado formalmente em CPIs vinculadas ao escândalo do caso PC Farias.
Ademais, a repercussão negativa afastou anunciantes, provocou demissões em massa e gerou dezenas de processos trabalhistas, culminando na mudança de nome e transição para a marca CNT em maio de 1993.
TV Tupi:
As páginas finais da história da TV brasileira guardam ainda as memórias dos pilares que fundaram a radiodifusão e sumiram por ordens diretas do Estado.
O jornalista Assis Chateaubriand inaugurou a TV Tupi em setembro de 1950 como a primeiríssima emissora de televisão da América Latina.
O canal liderou a audiência por décadas, mas problemas administrativos crônicos e um endividamento trabalhista generalizado fizeram com que o governo federal cassasse suas concessões de sinal em julho de 1980, tirando a rede do ar de forma traumática para o público.
TV Excelsior
História semelhante viveu a TV Excelsior, canal que brilhou intensamente na década de 60 ao inovar com a produção de telenovelas diárias e grandes festivais de música popular brasileira.
No entanto, diante de graves dificuldades financeiras decorrentes de incêndios em seus estúdios e de fortes atritos políticos com o regime militar instaurado no país, a emissora sofreu intervenção estatal.
Logo, acabou sendo forçada a fechar suas portas em 1970.
O que aconteceu com a Rede de Emissoras Unidas?
Por fim, a Rede de Emissoras Unidas, que integrou pioneiramente os mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro na década de 1950, foi desativada em 1967 após desentendimentos comerciais irreparáveis entre as diretorias das redes parceiras que formavam o bloco de transmissão.
E você, lembra de outra emissora que teve fim? Deixe aqui nos comentários.
Mas, para saber mais informações sobre outros encerramentos, clique aqui*.