Conheça a história da gigante dos chocolates que dominou o Brasil por quase um século e terminou em falência e incêndio

A indústria alimentícia brasileira, embora pujante, guarda histórias de impérios que, apesar de moldarem o paladar de gerações, encontraram desfechos melancólicos, com direito a falências e até mesmo verdadeiras tragédias.

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Inclusive, em São Paulo, o fechamento de uma das pioneiras do setor dos chocolates não foi apenas um evento financeiro, mas o fim de uma era cultural para os paulistanos, que viram uma trajetória de quase um século ser interrompida por crises internas e incidentes que marcaram fisicamente a memória da cidade.

Sendo assim, com base em informações do portal Wiki e São Paulo Antiga, trazemos abaixo o que aconteceu com esse império e como foi o fim dessa gigantesca fábrica de chocolate:

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  • O império Sönksen, de 1887;
  • Era de ouro;
  • Desafios da década de 70;
  • Incêndio devastador
  • Quando a fábrica faliu?
Propaganda da fábrica de chocolates da Sönksen (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/São Paulo Antiga)
Propaganda da fábrica de chocolates da Sönksen (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/São Paulo Antiga)

O império de 1887

Tudo começou no final do século XIX, quando São Paulo ainda ensaiava sua industrialização.

Originalmente batizada de La Bonbonniere, a pequena loja de doces na Rua Líbero Badaró transformou-se em um marco pioneiro sob a liderança ousada de Alwine Sophia Sönksen.

Após a morte do fundador Alfredo Richter, foi Alwine quem assumiu o comando, um fato raro para a época, a qual tinha o cenário majoritariamente dominado pelos homens.

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Após isso, ela transferiu a fábrica para a Rua Vergueiro, consolidando a Sönksen como uma das primeiras grandes potências de chocolate do país.

Propaganda da fábrica de chocolates da Sönksen (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/São Paulo Antiga)
Loja Sönksen/ Principais produtos da marca (Foto: Reprodução/Montagem/Lennita/São Paulo Antiga)

Uma era de ouro

Durante décadas, a Sönksen foi sinônimo de status e sofisticação.

Seus produtos, como as drágeas e as famosas Línguas de Gato (formato que mais tarde se tornou um clássico de outras marcas), eram vendidos em embalagens luxuosas que decoravam as casas paulistanas. Em 1924, a entrada de mulheres em cargos de liderança na sociedade Sönksen Irmãos & Cia. reforçou o vanguardismo da empresa, que em 1948 já operava como sociedade anônima e possuía uma robusta rede de lojas próprias.

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Desafios da década de 70

A decadência da marca começou a se desenhar nos anos 70. Investimentos pesados em maquinários tecnológicos que não trouxeram o retorno esperado, somados a falhas na rede de distribuição, minaram a competitividade da fábrica.

Sem herdeiros diretos no comando, a gestão passou por mãos externas, incluindo a família Falchi e acionistas da Ofner, mas a falta de uma direção unificada e focada exclusivamente no ramo de chocolates dificultou a recuperação do fôlego financeiro.

Mesmo em crise, a Sönksen chegou a deter cerca de 30% do mercado nacional de chocolates finos antes de seu declínio total.

Pegando fogo!

Além dos problemas financeiros, a Sönksen enfrentou episódios dramáticos que aceleraram seu fim.

No dia 05 de setembro de 1983, um incêndio de grandes proporções atingiu a fábrica na Rua Vergueiro, destruindo parte das instalações e do estoque.

O incidente não apenas causou um prejuízo material imenso em um momento de fragilidade, mas também abalou a confiança de investidores e fornecedores.

O fogo na unidade produtiva tornou-se um símbolo físico da destruição de um legado que já estava sendo consumido por dívidas e má gestão.

Quando a Sönksen faliu de vez?

Apesar das tentativas de reestruturação por parte de José Clibas de Oliveira e Silva, a empresa não resistiu às transformações do mercado e à agressividade das novas marcas.

Em setembro de 1983, a Chocolates Sönksen decretou falência definitiva, encerrando 96 anos de história.

O fechamento abriu caminho para que novos nomes, como a Cacau Show anos depois, ocupassem a liderança.

Hoje, a Sönksen vive apenas na memória dos antigos paulistanos e em registros históricos de uma “São Paulo antiga”. Mas, para saber mais informações sobre falências, clique aqui*.