Calote e falência: Como loja de móveis nº1 de Porto Alegre (RS) chegou ao fim no Brasil

Fim oficial da nº1 em móveis de Porto Alegre: Loja icônica fecha as portas no Brasil após calote milionário e falência.

19/06/2025 às 12:50 · Tempo de leitura: 8 minutos

Loja icônica de móveis em Porto Alegre teve seu fim decretado e falência desola clientes (Foto Reprodução/Montagem/Tv Foco/Canva/Lennita/Internet)

Fim oficial da nº1 em móveis de Porto Alegre: Loja icônica fecha as portas no Brasil após calote milionário e falência

Depois de seis décadas liderando o varejo de móveis e eletrodomésticos no Rio Grande do Sul, uma das maiores lojas de móveis, vista como nº 1 por muitos, encerrou oficialmente suas atividades no Brasil.

Trata-se da icônica Manlec, a qual dominou o mercado em Porto Alegre por gerações.

Infelizmente, ela foi à falência após acumular dívidas impagáveis e o colapso deixou milhares de consumidores, especialmente mulheres, completamente sem chão após o fim.

A queda da Manlec expõe as fragilidades de empresas tradicionais diante de crises econômicas e mudanças estruturais no setor varejista.

Sendo assim, a equipe de economia do TV Foco, com base em informações do portal Wiki e Valor Econômico, traz abaixo mais detalhes sobre o que levou esse nome que simbolizou o sonho de consumo porto-alegrense ao fim.

Manlec (Foto: Reprodução/Internet)

De uma marcenaria de bairro à liderança no varejo

A Manlec surgiu em 1953 no bairro Bom Fim, em Porto Alegre, como uma pequena fábrica de móveis.

Em 1967, os fundadores decidiram abrir as portas para o varejo.

O crescimento foi rápido. Nas décadas seguintes, a empresa se consolidou como a principal rede de móveis e eletrodomésticos do estado:

  • Em seu auge, operava 38 lojas no Rio Grande do Sul;
  • Além disso, ela empregava mais de 600 funcionários;
  • A marca construiu uma relação sólida com o público local.

Inclusive, famílias inteiras compraram móveis, eletrodomésticos e utensílios domésticos em carnês da Manlec, muitos dos quais foram pagos ao longo de anos.

Primeiros sinais de colapso – 2014

Fatalmente, o império começou a ruir em 2014. Afundada em dívidas, a Manlec entrou com pedido de recuperação judicial.

O passivo total ultrapassava R$ 105 milhões, conforme dados do Valor Econômico:

  • Desse montante, R$ 9 milhões referiam-se a débitos trabalhistas — incluindo rescisões, férias e 13º salários;
  • R$ 96 milhões estavam vinculados a fornecedores e bancos.

A empresa propôs um plano com deságio de 43,7% sobre o total da dívida, parcelamento em até 20 anos e carência de 18 meses.

Tentava ganhar tempo para recuperar o fôlego financeiro e reorganizar sua operação.

Aviso de últimos dias em uma das unidades da Manlec (Foto Reprodução/Internet)

Tentando se salvar

Como parte da reestruturação, a Manlec fechou seis lojas, encerrou sua plataforma de vendas online, cortou 237 postos de trabalho e reformulou seu mix de produtos.

A direção apostava em itens de maior margem para melhorar os resultados. Em paralelo, buscava captar até R$ 20 milhões em capital de giro para estabilizar o caixa.

Naquele momento, a empresa ainda faturava cerca de R$ 5 milhões por mês e o plano, no papel, até que parecia viável.

Mas a realidade econômica do país e a velocidade das mudanças no varejo jogaram contra.

A Manlec teve sua falência decretada e encerramento de atividades após uma série de contratempos (Foto Reprodução/Internet)

Falência decretada – 2017

Foi aí que, no dia 27 de julho de 2017, a Justiça decretou oficialmente a falência da Manlec.

O juiz responsável concluiu que a empresa não tinha mais condições operacionais nem fluxo de caixa para sustentar a recuperação. Além disso, na época, restava apenas uma loja funcionando.

Porém, apesar de toda a crise que a envolvia, o advogado da empresa, João Medeiros Fernandes Jr., disse ter recebido a decisão com surpresa.

Ele argumentou que a estrutura havia sido enxugada e que a operação, mesmo reduzida, era viável. A Justiça não se convenceu.

Com a falência, os bens foram bloqueados, a marca perdeu registro ativo e a operação foi descontinuada.

O que aconteceu com o que sobrou da Manlec?

Após o encerramento, os antigos pontos comerciais da Manlec passaram a abrigar outros empreendimentos — a maioria redes farmacêuticas, lojas de conveniência e pequenos mercados.

Alguns imóveis foram vendidos, outros seguem fechados. Mas nenhum novo ocupante conseguiu herdar o valor simbólico da antiga rede, que durante anos fez parte da rotina de milhares de gaúchos.

Conclusão

Em suma, a queda da Manlec é mais do que o fim de uma loja: é o desmonte de uma instituição da memória urbana de Porto Alegre.

A história revela o quanto empresas tradicionais, mesmo consolidadas, podem ruir diante de má gestão financeira, resistência à inovação e mudanças no comportamento de consumo.

A Manlec não soube se adaptar e desapareceu.

Por fim, o varejo brasileiro, cada vez mais competitivo e digitalizado, segue exigindo respostas rápidas — de quem quiser sobreviver.

Mas, para saber sobre mais falências e casos parecidos como esse, clique aqui. *

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