Colapso e falência de nº 1 do ramo do leite culminam na demissão de 150 funcionários e situação devasta país

Uma gigante nº1 do ramo do leite, após anos sendo considerada uma potência do setor, teve sua falência formalizada em fevereiro de 2025, após sucessivos fracassos financeiros, rombos acumulados e a perda de apoio de investidores estratégicos.

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Trata-se da Beston Global Food Company, que já figurou entre as líderes do mercado e empregava mais de 150 pessoas, não resistiu ao colapso de caixa e encerrou suas atividades.

Beston Global Food Company,
Beston Global Food Company sofreu colapso após uma série de negociações frustradas (Foto Reprodução/Murray)

Após tentativas frustradas de venda, os administradores decretaram a sua liquidação. Sendo assim, a partir de informações divulgadas pelo portal Financial Review, a equipe especializada em economia do TV Foco traz abaixo os desdobramentos desse colapso:

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Uma ascensão ambiciosa

A Beston nasceu em 2015, prometendo transformar o setor de alimentos da Austrália.

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Chegou a levantar cerca de U$ 100 milhões no IPO e desenhou uma estratégia centrada na exportação de laticínios premium para a Ásia, especialmente para a China.

Para isso, atraiu como sócios os grupos Dashang e Dalian Hairunlai, que ofereceriam canais de distribuição no mercado chinês.

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O modelo de negócios parecia sólido, mas nunca se concretizou. Os acordos com os parceiros chineses não prosperaram, e a empresa passou a operar em déficits crescentes.

Fatalmente, nenhum ano foi fechado no azul.

Em 2023, mesmo com faturamento recorde de U$ 170 milhões, a Beston amargou um rombo em prejuízo líquido de U$ 48,8 milhões.

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Prejuízo da Beston Global Food Company chegou a 48 bilhões de dólares (Foto Reprodução/ABC News)
Prejuízo da Beston Global Food Company chegou a 48 milhões de dólares (Foto Reprodução/ABC News)

A derrocada financeira

Posteriormente, tentando manter-se operacional, a Beston vendeu sua divisão de carnes no início de 2024, mas a operação não foi suficiente.

Em setembro, os diretores entregaram a gestão à KPMG por meio de administração voluntária.

No mesmo período, os administradores identificaram indícios de que a empresa já estava insolvente desde, ao menos, abril de 2024.

Além disso, as auditorias revelaram riscos ainda mais profundos:

  • O relatório da KPMG de fevereiro de 2025 indicou que a data real da insolvência poderia ser anterior.
  • Além disso, recomendou a apuração de transações suspeitas, incluindo movimentações consideradas possivelmente lesivas aos credores.

Negociações frustradas:

Durante o processo de administração, a KPMG tentou vender os ativos remanescentes e manter o negócio em funcionamento.

Houve propostas indicativas, entre elas uma da japonesa Megmilk Snow Brands, interessada na planta de Jervois:

  • A expectativa era de que a compra aliviasse o passivo.
  • No entanto, após semanas de diligência, a Megmilk recuou.

Em 20 de setembro de 2024, a companhia japonesa comunicou formalmente sua decisão de não avançar com a aquisição — no mesmo dia em que os administradores foram oficialmente nomeados.

Sem propostas vinculativas e com o caixa em queda, os administradores descartaram qualquer reestruturação viável.

Demissões em massa e liquidação definitiva

Em 26 de novembro, a KPMG iniciou a liquidação formal da empresa.

A Beston encerrou suas atividades comerciais em 6 de dezembro e, com o fechamento das unidades, 150 funcionários perderam seus empregos, encerrando de forma abrupta suas atividades em uma empresa que, anos antes, era considerada símbolo de inovação no setor alimentício.

Porém, a liquidação financeira priorizou os salários e direitos dos trabalhadores:

  • Os ex-funcionários, classificados como credores prioritários, ficaram de receber 100 centavos por dólar.
  • Já os credores garantidos da subsidiária Beston Pure Dairies recuperaram entre 26 e 34 centavos por dólar.

Investigações:

Com o início da liquidação, os liquidatários passaram a conduzir investigações formais sobre transações passadas da empresa.

A KPMG confirmou que pretendia apurar preferências injustas, transferências suspeitas e possíveis atos de negociação insolvente.

A estimativa inicial aponta que mais de U$ 7,4 milhões em transações poderiam ser revertidas judicialmente.

As investigações também analisam possíveis falhas de governança, repasses feitos a partes relacionadas e decisões de diretoria tomadas mesmo diante da incapacidade de honrar dívidas.

Manifestações e declarações:

Até o momento, não houve uma nota pública nem entrevistas sobre o colapso.

A Megmilk Snow Brands também não se pronunciou sobre a desistência da compra da unidade australiana.

O National Australia Bank, principal financiador da Beston, reconheceu perdas ligadas à falência, mas não revelou valores.

Ou seja, nenhuma das partes envolvidas apresentou recurso ou contestação formal à liquidação, porém, o espaço segue em aberto.

O que aconteceu com o que sobrou da Beston Global Food Company?

De acordo com a fonte mencionada, ainda não houve compradores e o destino do que sobrou da empresa ainda segue inconclusivo.

O destino dos ativos da Beston ainda segue inconclusivo (Foto Reprodução/YouTube)
O destino dos ativos da Beston ainda segue inconclusivo (Foto Reprodução/YouTube)

Conclusão:

Em suma, a Beston caiu por crescer sem estrutura e gastar sem controle.

Além disso, a demissão de 150 pessoas marcou o ponto final de uma gestão que não entregou o prometido.

Credores e investidores ficaram com prejuízo, enquanto as causas da falência ainda estão sob investigação.

Por fim, a história da Beston expõe os riscos de promessas ambiciosas sem execução financeira responsável. Mas, para saber sobre mais falências e casos parecidos como esse, clique aqui. *