Justiça decretou a falência de Grow em 2023
A Justiça de São Paulo decretou a falência da Grow, empresa que ficou conhecida por oferecer transporte urbano popular por meio de bicicletas e patinetes elétricos, modelo que chegou a disputar a atenção dos paulistanos com aplicativos populares como Uber e 99.
A sentença foi assinada pelo juiz João de Oliveira Rodrigues Filho, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, no dia 06 de novembro de 2023.
O processo ocorreu durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas, mas não há qualquer relação entre a decisão judicial e o governo estadual.
De acordo com informações do portal G1, a Justiça decretou a falência após a própria Grow informar ao Judiciário que “por circunstâncias alheias à sua vontade”, não conseguiu cumprir o plano de recuperação judicial aprovado anteriormente.
Na época, a empresa também afirmou que não existe expectativa real de retomada das operações, o que inviabilizou sua continuidade.
Desse modo, com a decisão, os credores recuperam seus direitos e garantias, conforme os contratos originais, descontando os valores que já haviam sido pagos durante a recuperação judicial.
De febre nas ruas à falência
A Grow surgiu da fusão entre as startups Yellow, do Brasil, e Grin, do México. Juntas, elas se tornaram um símbolo da mobilidade urbana moderna.
Entre 2018 e 2019, a empresa tornou-se destaque por oferecer bicicletas sem estação fixa e patinetes elétricos.
Em São Paulo, inúmeros brasileiros passaram a adotar o transporte, deixando de lado grandes aplicativos, como Uber e 99, devido ao preço.
Além do custo mais baixo em comparação às viagens por aplicativos de carro, o uso de bicicletas e patinetes elétricos também oferecia outras vantagens importantes.
Por exemplo, mantém a emissão de poluentes, estimula a prática diária de exercícios físicos e a possibilidade de evitar o trânsito intenso das grandes cidades.
No entanto, em 2019, a companhia passou a enfrentar problemas graves como furtos, vandalismos e altos custos de manutenção.
Após a fusão com a Grin, a Grow chegou a anunciar uma frota de 135 mil bicicletas e patinetes, além de gerar mais de 1.100 empregos.
No entanto, o modelo de crescimento acelerado afundou. No início de 2020, a empresa encerrou as operações de bicicletas compartilhadas no Brasil.
Desse modo, a empresa manteve os patinetes apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba, alegando que a medida fazia parte de uma reestruturação temporária.
Em seguida, o fundo Mountain Nazca adquiriu a Grow com a promessa de tornar a operação mais eficiente e finalmente lucrativa.
Porém, com a chegada da pandemia da Covid-19, o cenário piorou. O isolamento social reduziu a circulação de pessoas nas cidades e derrubou a demanda.
Em julho de 2020, a Grow entrou com o pedido de recuperação judicial, mas não conseguiu reverter sua situação.
