Falência, demissão em massa e dívida impagável: O adeus de rede de supermercado, rival do Carrefour

Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.

29/03/2024 às 08:00 · Tempo de leitura: 8 minutos

Rival do Carrefour entrou em falência após crise (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Tv Foco/Canva/Logo.net)

Rede GIGANTE de supermercado acabou tendo um fim conturbado em meio às dívidas e funcionários demitidos

Nos últimos meses temos sofrido um turbilhão de casos de fechamentos, falências e até mesmo vendas de ações de grandes varejistas à rivais. 

Pois é, esse clima de tensão é tão latente que tem deixado muitos do setor sem saber o que pensar e principalmente, o que esperar.

Mas apesar de serem casos bem chocantes, eles nunca foram isolados, tampouco uma novidade.

Isso porque, ao longo dos anos, muitas outras grandes varejistas já sentiram o gosto amargo de se verem obrigadas a interromper um sonho por não suportar crises financeiras diante de cenários tão cruéis.

Como é o caso do Supermercado Gonçalves, rival do Carrefour, que foi considerado um dos mais tradicionais da região de Roraima.

Infelizmente ele precisou fechar suas portas após enfrentar uma severa crise financeira.

A rede se configurava como “mercado de bairro”, o que fez com que ela ganhasse rapidamente a confiança da vizinhança ao redor.

História

Segundo o portal G1, a história do Supermercado Gonçalves começou ainda nos anos 90, na rua Guanabara, em Porto Velho (RO), aonde inaugurou a sua primeira unidade.

Nos anos seguintes foram abertos outros 9 supermercados em:

  • Porto Velho (RO)
  • Ariquemes (RO)
  • Buritis (RO)
  • Ji-Paraná (RO)
  • Rio Branco (AC).

Em 2013, o grupo criou uma indústria de panificação, a Granopan, e no ano seguinte uma casa empório, ambas na capital rondoniense.

Com isso, não demorou muito para que o supermercado se tornasse um dos maiores varejistas de Rondônia.

1-A queda:

Apesar da sua ampla prestação de serviço, em 2016 a empresa começou a ruir e entrou com pedido de recuperação judicial,  alegando não suportar a crise econômico-financeira.

O Supermercado Gonçalves culpou a queda de faturamento na crise macroeconômica brasileira, que começou  pós-eleições do ano de 2014.

Ainda segundo as alegações da mesma, a situação piorou ainda mais após a alavancagem junto a bancos e elevadas taxas de juros, elevação dos custos financeiros, redução de margens de lucro no segmento e cortes de linhas de crédito.

Isso sem contar que ela enfrentava o aumento dos custos, queda da renda per-capta na cidade de Porto Velho, aumento da concorrência na região e investimentos frustrados pela “ressaca pós-usinas do madeira”, combo esse que contribuiu para sua queda.

Segundo o pedido protocolado na Justiça no início da década, o grupo chegou a realizar investimentos milionários na melhoria da estrutura das lojas, como a inauguração de um empório e a construção de uma indústria.

Apesar de todo o esforço, todas as tentativas acabaram frustradas devido ao cenário econômico de retração.

2-Colocando tudo à venda:

Com esse fracasso, no mês de julho de 2019 a Justiça decidiu por decretar a falência de forma definitiva da rede.

Nesse ínterim, TODOS os bens foram leiloados ao decorrer de três chamadas realizadas naquele ano.

Lojas, imóveis, terrenos e veículos que faziam parte do patrimônio do grupo entraram no balaio. Ao todo, foi arrecadado um montante de R$ 71 milhões.

Vale dizer que o patrimônio foi avaliado em R$ 80 milhões, enquanto as dívidas chegavam perto de R$ 200 milhões, uma dívida praticamente impagável.

E foi aí que deu inicio ao drama de mais de mil funcionários do Supermercado Gonçalves, que ao serem demitidos em massa, ficaram sem saber quando e se receberiam os salários atrasados, bem como os  direitos trabalhistas.

Para piorar ainda mais, após o fechamento dos supermercados, os prédios de algumas unidades Gonçalves foram alvos de furtos e ataques de vândalos.

Ocorreu também um acúmulo de lixo nos pátios, além de ser usado como abrigo para pessoas em situação de rua.

De acordo com ex-funcionários ouvidos com exclusividade pelo G1, ainda no ano de 2018, começaram a faltar itens nas lojas, o que fortaleceu ainda mais que esses fechamentos seriam inevitáveis.

O que aconteceu com os funcionários do Supermercado Gonçalves?

No desespero, muitos funcionários entraram com uma ação na justiça contra o Supermercado Gonçalves, mas somente no dia 23 de maio de 2022 foi confirmado o pagamento dos direitos de uma parte desses funcionários.

Segundo o portal G1,  A informação foi confirmada pelo administrador judicial da massa falida, o escritório Machiavelli, Bonfá e Totino Advogados Associados.

Foram beneficiadas todas pessoas que trabalhavam na rede enquanto ocorreu a falência e que não possuíam pendências sobre o valor e outras informações apresentadas na lista de credores.

O pagamento foi autorizado pela Justiça de Rondônia no início daquele mês.

A juíza Elisangela Nogueira, da 6º Vara Cível Falências e Recuperações Judiciais, autorizou o envio aos ex-funcionários por ter entendido que não havia impedimentos ao pagamento dos valores que não estavam em contestação, principalmente considerando que o prazo para objeções já tinha sido encerrado.

De acordo com o administrador judicial, aproximadamente R$ 14 milhões foram liberados no dia 20 de maio de 2022, pela Caixa Econômica Federal.

Os valores deveriam ser depositados nas contas apresentadas pelos funcionários.

Cerca de 80% dos trabalhadores estavam aptos a receber. Os outros 20%, que ainda aguardavam pendências a serem resolvidas, tiveram que esperar mais um pouco pelo pagamento.

Ao todo, 6.200 credores faziam parte do quadro geral, entre fornecedores, prestadores de serviço, bancos, advogados e demais envolvidos.

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