Decreto do Banco Central e migração ao Bradesco: Qual banco tradicional faliu após décadas?

Conheça a história de um tradicional Banco do RJ que transferiu clientes ao Bradesco, após sofrer ação do Banco Central e passar pela falência.

17/06/2026 às 10:00 · Tempo de leitura: 8 minutos

Falência de banco tradicional no RJ ocorreu após 4 décadas de existência (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Freepik/gmn/TV Foco)

A queda do Banco Morada: Intervenção, liquidação e a falência de um verdadeiro ícone fluminense

Os bancos costumam desempenhar um papel fundamental na infraestrutura da economia moderna, atuando como intermediários vitais que conectam poupadores, financiadores, investidores e por aí vai. Todavia, a falência do Banco Morada, por exemplo, o qual se consolidou como uma das instituições mais tradicionais do Rio de Janeiro, demonstra como a solidez construída ao longo de décadas pode ser desmoronada por fragilidades operacionais, falhas de governança e descumprimento de normas regulatórias.

Abaixo, com base em informações de arquivos históricos e documentais, bem como dados do portal Wiki, apresentamos um relato técnico e detalhado sobre a ascensão, a crise administrativa e o desfecho jurídico desta instituição.

Era dourada (1967 – 2005)

O Banco Morada foi fundado em 1967 inicialmente sob a denominação Associação de Poupança e Empréstimo Morada.

Com sede no bairro do Méier, no Rio de Janeiro, a instituição nasceu inserida no contexto de expansão do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), um período marcado pelo incentivo estatal ao crédito imobiliário.

Durante seu apogeu, a instituição cumpriu um papel social e econômico relevante, sendo responsável pelo financiamento de mais de 25 mil imóveis.

Ao longo das décadas de 90 e anos 2000, o banco buscou a diversificação de suas atividades, migrando de uma atuação focada exclusivamente em habitação para um modelo de banco de crédito de médio porte.

Banco Morada foi um dos bancos mais tradicionais do território fluminense (Foto: Reprodução/YouTube)

As operações foram ampliadas para os segmentos de:

  • Crédito ao consumo;
  • Financiamento de veículos;
  • Administração de cartões;
  • Empréstimo corporativo a empresas.

Esta estratégia de expansão atraiu o interesse de grandes players do setor.

Em 2005, em uma operação estratégica para consolidar sua presença no mercado de crédito pessoal e ampliar sua base de clientes no estado do Rio de Janeiro, o Bradesco adquiriu a carteira de clientes do Banco Morada.

O colapso financeiro (2003 – 2011)

Apesar da migração da carteira de clientes ao Bradesco, o núcleo administrativo do Banco Morada mantinha pendências graves que remontavam a anos anteriores.

O Banco Central do Brasil (BCB) já havia sinalizado irregularidades significativas em 2003, quando decretou uma multa a cinco diretores da instituição devido a indícios de má gestão, descumprimento de normas regulatórias e suspeitas de repasses de recursos a pessoas ligadas à cúpula diretiva.

O banco Bradesco adquiriu a carteira de clientes do Banco Morada (Foto Reprodução/Internet)

Este histórico de fragilidades na governança culminou na crise definitiva em abril de 2011, quando o Banco Central decretou intervenção no Banco Morada.

À época, a instituição representava 0,01% dos ativos e 0,03% dos depósitos do sistema financeiro nacional.

Os motivos técnicos para a intervenção foram:

  • Comprometimento patrimonial severo: A instituição não apresentava condições de manter suas operações com segurança;
  • Inviabilidade financeira: Ausência de um plano de recuperação capaz de sanar os problemas contábeis;
  • Descumprimento normativo: Violação persistente de normas que regem o sistema financeiro brasileiro.

Quando o Banco Morada faliu de vez?

Após a intervenção e a constatação da impossibilidade de recuperação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em outubro de 2011, retirando definitivamente o controle das mãos dos antigos gestores.

O processo seguiu para a esfera judicial e atingiu seu capítulo final em março de 2015, quando o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decretou a falência formal do banco e de suas três empresas coligadas:

  • Morada Informática e Serviços Técnicos;
  • Morada Administradora de Cartões de Crédito;
  • Morada Viagens e Turismo.

A sentença de falência registrou um passivo líquido superior a R$ 544 milhões, cifra que dimensionou a magnitude da desestruturação financeira do grupo.

Após a decretação da falência, as agências foram encerradas, os funcionários dispensados e os bens do banco, bloqueados judicialmente.

Em 2012, parte dos bens de ex-diretores foi desbloqueada, mas o processo de liquidação seguiu sob responsabilidade do Banco Central.

Lembrando que, até hoje, não há registro público de declarações oficiais dos ex-controladores, diretores ou porta-vozes do Banco Morada sobre o colapso da instituição, bem como nenhuma nota pública, coletiva de imprensa ou relatório detalhado foi emitido após a intervenção.

Mas, para mais histórias similares e envolvendo outros nomes, clique aqui*.

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