Adeus a shoppings: Qual loja de departamentos declarou falência?
Modernidade e colapso: A trajetória de potente varejista do auge dos anos 70 ao encerramento definitivo e falência; Descubra o que aconteceu.
Varejista popular deu adeus aos shoppings após falência (Foto Reprodução/Lennita/TV Foco/GMN)
Modernidade e colapso: A trajetória de potente varejista do auge dos anos 70 ao encerramento definitivo e falência; Descubra o que aconteceu
E o cenário do varejo sul-americano é marcado por marcas que ditaram tendência e, de forma quase que silenciosa, acabaram sendo absorvidas por gigantes do setor e até mesmo caindo em falência. Inclusive, ao puxarmos na memória, o nome das Lojas Muricy ressurge como um desses exemplos.
Mesmo que em sua época ela tenha sido considerada um símbolo de sofisticação, uma vez que dominava pontos nobres de comércio, acabou tendo um fim orquestrado por um colapso internacional e uma estratégia de unificação no Brasil, fatos que culminaram no seu adeus a shoppings e ruas.
Nasceu como uma proposta bem ousada
Fundada no dia 27 de janeiro de 1976, a varejista nasceu com o objetivo de ser a loja de departamentos mais moderna do país.
De acordo com o portal Wiki, a sua inauguração em Curitiba, em 9 de abril do mesmo ano, materializou essa ambição com um edifício de cinco andares na Rua Dr. Muricy, algo inédito para a época.
No Brasil, a rede ficou famosa por suas megaunidades de rua, como as de Curitiba e Campinas, que eram frequentemente comparadas a shoppings centers devido à sua magnitude e variedade.
Logo, ela conseguiu revolucionar o consumo ao introduzir:
- Exibição tátil: Onde o cliente podia manusear o produto livremente.
- Sistema de crédito: Uma estrutura robusta de compras a prazo que fidelizou gerações.
No auge, a marca operava em polos de alto consumo como Curitiba, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Campinas, mantendo um prestígio superior ao de sua “irmã” popular, a Pernambucanas.
A presença em shoppings e a falência no Chile
Diferente do modelo brasileiro focado em grandes prédios de rua, a varejista teve uma presença marcante e estratégica em shopping centers, especialmente no Chile.
Por meio da “Sociedade Comercial Muricy Limitada”, a rede posicionou-se como âncora nos pontos mais nobres do varejo chileno:
- Shopping Parque Arauco (1982): Unidade icônica na inauguração de um dos maiores shoppings do país;
- Mall Plaza Vespucio (1990): Consolidação da marca em centros comerciais de grande fluxo.
No entanto, a expansão insustentável e flutuações econômicas levaram à falência definitiva da operação chilena.
A empresa cessou formalmente suas atividades em 10 de janeiro de 1991, tendo seus pontos adquiridos pela gigante local Almacenes París, o que apagou a presença da marca brasileira no país andino.
O que aconteceu com as lojas Muricy no Brasil?
No mercado nacional, o fim da Muricy não ocorreu por insolvência financeira, mas por uma decisão da holding Arthur Lundgren Tecidos S.A.
Em 1998, o grupo decidiu extinguir a bandeira para fortalecer a identidade das Lojas Pernambucanas.
Assim, a Pernambucanas efetivamente “engoliu” a operação:
- Conversão de ativos: Os sofisticados pontos de venda foram convertidos em lojas tradicionais da Pernambucanas;
- Unificação de marca: O edifício icônico de Curitiba e as filiais do interior paulista perderam sua identidade visual exclusiva;
- Migração de clientes: Os correntistas dos cartões Muricy tiveram seus contratos transferidos para a base da Pernambucanas.
Como ficaram os clientes da antiga varejista Muricy?
Obviamente que essa dissolução deixou os clientes tradicionais bem impactados, uma vez que a Muricy detinha um público fiel que buscava produtos de linha superior e atendimento diferenciado, características que se perderam na transição para o varejo mais popular.
A trajetória da Muricy, encerrada após 22 anos de história no Brasil, transformou uma das redes mais inovadoras da América do Sul em apenas mais um ativo no portfólio da família Lundgren.
Ao procurar declarações dos responsáveis pela marca na época sobre o ocorrido, elas não foram encontradas; no entanto, o espaço segue em aberto.
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