Falência e rombo de R$2,8M: O fim de supermercado tão popular quanto Assaí e clientes sem chão

Rede gigante de supermercados sofreu falência definitiva e colapso confirmado pela Justiça após um rombo financeiro de R$ 2,8 milhões.

19/05/2026 às 11:45 · Tempo de leitura: 8 minutos

Rede de supermercados tão grande quanto o Assaí entrou em falência após rombo (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Tv Foco/Canva/Logo/Freepik)

Rede gigante de supermercados sofreu falência definitiva e colapso confirmado pela Justiça após um rombo financeiro de R$ 2,8 milhões; Entenda o que aconteceu

E uma rede de supermercados tradicional do interior de Mato Grosso, tão popular quanto o Assaí, após enfrentar uma crise financeira pesada, teve sua falência decretada pela justiça, deixando milhares de clientes sem chão.

Tal colapso interrompeu uma trajetória de mais de uma década no atendimento à população regional.

Trata-se do Supermercado Cascalhinho, cuja queda afetou diretamente uma ampla cadeia de fornecedores, prestadores de serviços, funcionários e clientes que utilizavam o estabelecimento como principal alternativa de consumo.

Com base em informações do portal Wiki e Folha Max, trazemos abaixo mais detalhes dessa queda e seus impactos.

MAS ATENÇÃO! Antes de prosseguirmos, vale destacar que existem demais redes com o mesmo nome, porém elas não possuem ligação com a rede liquidada.

Supermercado Cascalhinho (Reprodução/Facebook)

Fundação

Fundado no ano de 2009, o Supermercado Cascalhinho iniciou suas operações comerciais no município de Rondonópolis, em Mato Grosso, focado no segmento de varejo alimentar de apelo popular.

Ao longo dos anos seguintes, o estabelecimento firmou sua marca na região, expandiu o mix de produtos e conquistou uma clientela fiel, sendo considerado por muito tempo uma forte alternativa regional frente a redes nacionais consolidadas.

A operação destacava-se pelo atendimento de proximidade e pela política de preços competitivos voltada às classes de menor poder aquisitivo da cidade.

Esse posicionamento garantiu anos de expansão e transformou o Cascalhinho em uma referência comercial no interior do estado.

Propaganda do Cascalhinho (Foto: Reprodução/YouTube)

A cronologia da crise:

O declínio estrutural da empresa teve início perceptível em meados da década passada, impulsionado por transformações macroeconômicas e pelo avanço de concorrentes de grande porte na região.

De acordo com os registros oficiais do processo analítico de falência, a cronologia do desgaste financeiro deu-se em etapas consecutivas:

  • 2018: O Supermercado Cascalhinho passou a operar de forma consistente no vermelho, registrando seguidos déficits orçamentários causados pelo aumento dos custos operacionais e pela retração do consumo local;
  • 2019: Diante de graves desequilíbrios financeiros e da queda acentuada nos volumes de vendas, a rede protocolou formalmente um pedido de Recuperação Judicial para reorganizar seus passivos;
  • Fase de execução: Embora o plano de recuperação judicial tenha sido homologado pela Assembleia de Credores, as medidas adotadas mostraram-se insuficientes para reverter a trajetória de insolvência.

O agravamento do cenário econômico-social da região elevou os índices de inadimplência entre os clientes da modalidade de crédito próprio da empresa.

Paralelamente, a inauguração de novos empreendimentos concorrentes na cidade, com políticas agressivas de preços e maior escala de negociação, reduziu drasticamente as margens de lucro do supermercado, inviabilizando o cumprimento de obrigações bancárias e contratuais correntes.

Quando o Supermercado Cascalhinho faliu de vez?

Após anos de tentativas frustradas de reestruturação do negócio, o processo de soerguimento foi formalmente encerrado.

No dia 30 de junho de 2023, a 4ª Vara Cível de Rondonópolis proferiu o despacho que converteu o processo de recuperação judicial em falência, após a própria administração da empresa comunicar formalmente ao juízo a incapacidade financeira de manter a continuidade de suas operações.

A sentença fundamentou-se na constatação técnica de que não havia mais viabilidade econômica ou ativos operacionais capazes de sustentar o funcionamento da empresa.

No texto da decisão judicial, o magistrado destacou a realidade dos autos:

“O processo de recuperação judicial só tem razão de existir enquanto as recuperandas possuem viabilidade e condições de soerguimento. E tal cenário, lamentavelmente, não mais existe nestes autos…”

Com o decreto falimentar, a Justiça determinou a suspensão imediata de todas as ações e execuções em andamento contra a empresa, ressalvadas as demandas que demandam apuração de quantias ilíquidas e os processos em tramitação na Justiça do Trabalho para a apuração e fixação de créditos trabalhistas.

Ativos liquidados:

A decisão judicial deu início imediato à fase de liquidação da massa falida para tentar reverter o passivo acumulado, estimado em aproximadamente R$ 2,8 milhões.

O processo técnico e jurídico de encerramento seguiu as seguintes etapas obrigatórias na legislação vigente:

  • Habilitação de crédito: Fornecedores de mercadorias, instituições financeiras, clientes detentores de saldos de crédito e ex-funcionários iniciaram o processo de habilitação de seus respectivos direitos no Quadro Geral de Credores;
  • Alienação de bens: Todos os contratos em curso foram paralisados, e a infraestrutura física, maquinários, pontos comerciais e marcas registradas da empresa foram arrolados para posterior avaliação e alienação judicial;
  • Prioridade de pagamento: Os recursos obtidos com os futuros leilões dos ativos arrecadados serão destinados prioritariamente ao pagamento das custas processuais e dos débitos de natureza trabalhista e alimentar, seguindo a ordem legal de preferência.

Mas, para saber sobre mais casos sobre outras falências, clique aqui*.

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