Vendida à rival, R$162 M pelos ares e falência: Fim devastador de 3 marcas ícones dos shoppings

Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.

10/12/2024 às 10:53 · Tempo de leitura: 10 minutos

3 ícones da moda tiveram fins devastadores nos principais shoppings do país, em meio à falência, vendas e outras crises (Foto Reprodução/Montagem/Canva/Lennita/Tv Foco)

Três grandes marcas, cujas quais brilharam nos principais shoppings do país, tiveram um fim devastador entre falência, crises e venda à rivais

Marcas do setor da moda, principalmente de jeans, associam-se frequentemente a movimentos culturais, estilos e transformações sociais.

Aliás, apenas para nível de conhecimento, a calça jeans que conhecemos hoje, feita de denim tingido de azul-índigo e adornado com bolsos e rebites, surgiu ainda em 1853 e desde então passou por inúmeras melhorias, estilizações e é item indispensável em qualquer guarda roupa.

No Brasil, nomes de marcas de jeanswear como US Top, Soft Machine e Staroup simbolizaram não apenas peças de vestuário, mas estilos de vida que definiram gerações e ícones nos principais shoppings.

US Top, Soft Machine e Staroup (Foto Reprodução/Montagem/Extra/TV Foco)

No entanto, mesmo com todo o sucesso que conquistaram, essas empresas enfrentaram declínios que culminaram em sua extinção ou reinvenção parcial.

Sendo assim, a partir de informações coletadas no portal EXAME, a equipe especializada em economia do TV Foco, separou três histórias de ícones que infelizmente tiveram um fim devastador em meio à venda à rival, extinção e até mesmo uma falência decretada após dívidas.

US Top: O primeiro jeans Brasileiro

Criada em 1972 pela Alpargatas, a mesma empresa responsável pelas Havaianas, a US Top foi a primeira marca brasileira de jeans.

  • Ela ganhou destaque por suas campanhas publicitárias que promoviam uma estética jovem, autêntica e alinhada com os desejos dos consumidores dos anos 1970.
  • A frase “desbota e perde o vinco” traduzia o espírito da época, valorizando a ideia de um jeans despojado e moderno.

Durante as décadas de 1980 e 1990, a marca conquistou espaço em um mercado dominado por marcas internacionais, como a lendária Levi’s, tornando-se sinônimo de moda casual e acessível no Brasil.

A mudança nos hábitos de consumo, com a busca por produtos mais sofisticados, levou ao fim da produção da Staroup no início dos anos 2000.

U.S top (Foto Reprodução/Youtube)

Vendida à rival

No entanto, em 2023, a mineira Cia do Jeans adquiriu os direitos da US Top, em uma negociação que levou cinco meses.

Neste ano de 2024, a marca retornou ao mercado com uma nova coleção masculina de 160 modelos, prometendo reposicionar a marca como relevante no mercado contemporâneo. No entanto a antiga US Top ficou apenas na lembrança …

Não foram encontradas declarações públicas dos responsáveis pela Alpargatas sobre o encerramento inicial da marca.

Soft Machine: O fenômeno da “Era Disco”:

A Soft Machine, idealizada por Teddy Paez, que mais tarde se tornaria conhecido como diretor de marketing da Victor Hugo, estreou em 1974.

  • A marca escolheu a Rua Augusta, em São Paulo, para instalar sua primeira fábrica;
  • Porém, o auge veio mesmo nos anos 1980, período em que a marca também expandiu internacionalmente, chegando a abrir uma loja em Nova York.

A Soft Machine era mais do que uma marca de roupas. Afinal de contas, ela se tornou um símbolo da era das discotecas e de um estilo de vida glamouroso, embalado por tendências importadas e adaptadas para o público brasileiro.

Soft Machine (Foto Reprodução/EXAME)

Mas, nos anos 90, a concorrência com marcas estrangeiras e a entrada direta dessas grifes no mercado brasileiro trouxeram desafios insuperáveis, o que levou à extinção da marca.

Em entrevista à revista da Alshop, Teddy Paez destacou como um dos principais problemas que levaram à queda da Soft Machine, a dependência de inspiração externa, que se tornou irrelevante quando as marcas originais começaram a atuar no Brasil.

Staroup: Do sucesso avassalador à falência

A Staroup, fundada em 1956, decolou nos anos 70, conquistando fãs com seus jeans de alta qualidade e estilo.

Por cerca de 20 anos, a marca dominou o mercado nacional e exportou seu modelo de sucesso para outros países.

Porém, em 1990, a Staroup começou a perder espaço devido à concorrência com marcas internacionais e mudanças no comportamento do consumidor.

Em 2012, a empresa enfrentava uma dívida com cerca de R$ 162 milhões indo pelos ares e entrou em recuperação judicial.

No entanto, não conseguiu superar a crise, e sua falência foi decretada nesse mesmo ano.

Mas, em 2013, a confecção Racheltex adquiriu os direitos de uso da marca, passando a fabricar produtos sob o nome Staroup em um modelo de licenciamento com royalties destinados aos credores.

Não foram encontradas declarações públicas dos gestores sobre o processo de falência ou os planos para a marca após sua aquisição pela Racheltex.

Por que marcas famosas entram em declínio?

O destino de marcas como US Top, Soft Machine e Staroup revela um padrão recorrente no setor de moda:

  • Concorrência internacional: A entrada de grifes globais no mercado brasileiro colocou pressão sobre marcas locais, muitas vezes despreparadas para competir em termos de qualidade, inovação e marketing.
  • Mudanças culturais e de consumo: O comportamento do consumidor mudou ao longo das décadas, com uma maior valorização de experiências, sustentabilidade e exclusividade, áreas em que muitas dessas marcas falharam em se adaptar.
  • Gestão e planejamento insuficientes: A falta de visão de longo prazo, estratégias inadequadas e infraestruturas defasadas tornaram difícil para essas empresas se manterem competitivas.
  • Dependência de formatos ultrapassados: Modelos de negócio baseados apenas no atacado ou na inspiração externa provaram-se frágeis diante de um mercado globalizado e dinâmico.

Considerações finais:

Três ícones da moda jeans brasileira, US Top, Soft Machine e Staroup, que dominaram o mercado nacional por décadas, sucumbiram à concorrência internacional.

No entanto, apesar de terem marcado gerações, não conseguiram se adaptar às novas demandas do mercado e acabaram encerrando suas atividades ou sendo vendidas para outras empresas.

Mas, para saber sobre mais falências históricas e marcantes, clique aqui*.

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