Farmácia entra em colapso no Brasil e falência decretada em 2026 provoca fechamento de 90 lojas da rede

A falência da Drogaria São Bento colocou um ponto final na trajetória de uma das redes de farmácias mais conhecidas do Centro-Oeste brasileiro. A empresa, que durante décadas esteve presente em diversas cidades de Mato Grosso do Sul e chegou a operar cerca de 90 lojas, não conseguiu superar uma crise financeira que se arrastava havia anos.

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A decisão da Justiça saiu em maio de 2026 e atingiu também a Transmed Distribuidora de Medicamentos, empresa ligada ao grupo e responsável pela parte logística das operações. O caso chamou atenção no setor farmacêutico porque a marca figurou entre as maiores redes do país no auge de sua expansão e construiu uma história de mais de 70 anos no varejo brasileiro.

Farmácia (Foto: Divulgação)
Farmácia (Foto: Divulgação)

A situação se tornou ainda mais impactante porque a Drogaria São Bento já ocupou posições de destaque no ranking nacional do setor farmacêutico. Em 2008, a rede apareceu entre as maiores empresas do segmento no Brasil, alcançando o 18º lugar em faturamento e o 11º em quantidade de lojas, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, conhecida como Abrafarma.

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A empresa operava em 23 municípios sul-mato-grossenses e mantinha uma estrutura considerada grande para o mercado regional. A expansão acelerada, os investimentos em tecnologia e a modernização das unidades fizeram parte do crescimento da rede, mas também aumentaram os custos operacionais em um momento em que a concorrência nacional ficou mais agressiva.

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A história da Drogaria São Bento começou ainda na década de 1940, quando o empresário Adib Assef Buainain fundou uma farmácia independente em Campo Grande. Na época, a empresa funcionava como um comércio tradicional de bairro, mas conseguiu crescer rapidamente ao longo dos anos seguintes. Com a expansão do varejo farmacêutico no Brasil, a marca aproveitou o fortalecimento do consumo de medicamentos e produtos de higiene para abrir novas unidades e ampliar sua presença em Mato Grosso do Sul.

O avanço das grandes redes nacionais mudou o cenário do setor farmacêutico brasileiro nos últimos anos. Empresas maiores passaram a investir pesado em tecnologia, centros de distribuição, programas de fidelidade e vendas digitais. Esse movimento aumentou a pressão sobre redes regionais, que precisaram competir com preços mais baixos e estruturas muito maiores. A Drogaria São Bento tentou acompanhar essa transformação, mas acumulou dificuldades financeiras ao longo do processo.

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Falência - Rede de Farmácia (Foto: Reprodução)
Falência – Rede de Farmácia (Foto: Reprodução)

A crise ficou mais evidente em 2015, quando a empresa entrou com pedido de recuperação judicial. A recuperação judicial funciona como um mecanismo legal utilizado por empresas que enfrentam problemas financeiros graves, mas ainda tentam evitar a falência. Nesse processo, a Justiça autoriza a companhia a reorganizar as dívidas e negociar prazos com os credores para tentar manter as atividades funcionando. Naquele momento, a Drogaria São Bento já acumulava um passivo próximo de R$ 74 milhões.

Mesmo com a tentativa de reorganização financeira, a situação não melhorou nos anos seguintes. O plano de recuperação judicial só recebeu aprovação em 2021 e envolveu mais de 1,3 mil credores. Credores são pessoas, bancos, fornecedores ou trabalhadores que possuem valores a receber da empresa. Apesar da aprovação do plano, a rede não conseguiu retomar o crescimento e continuou perdendo força no mercado.

As últimas lojas da Drogaria São Bento fecharam as portas em 2022, encerrando definitivamente as operações comerciais da empresa. Nessa fase final, o endividamento já ultrapassava R$ 88 milhões. O fechamento das unidades também afetou funcionários, fornecedores e consumidores que acompanhavam a trajetória da marca havia décadas.

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Além das empresas do grupo, propriedades rurais ligadas aos donos também entraram no processo judicial. Fazendas pertencentes ao Grupo Buainain passaram por leilões para tentar quitar parte das dívidas trabalhistas acumuladas ao longo da crise.

Os imóveis estavam avaliados em aproximadamente R$ 23,6 milhões e somavam mais de 1,2 mil hectares em Mato Grosso do Sul. Em julho de 2024, o Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região manteve a validade da venda dessas propriedades.

As disputas trabalhistas se transformaram em outro problema importante no processo de falência. Muitos ex-funcionários seguiram cobrando valores reconhecidos pela Justiça mesmo após o encerramento das atividades da empresa.

Em um dos casos anexados ao processo, uma ex-funcionária afirmou esperar desde 2019 pelo recebimento de cerca de R$ 28 mil referentes à rescisão trabalhista após demissão sem justa causa. Segundo relatos incluídos na ação, a empresa alegava falta de recursos financeiros para quitar os débitos pendentes.

Falência - Rede de farmácia (Foto: Reprodução, Montagem - TV Foco, Well)
Falência – Rede de farmácia (Foto: Reprodução, Montagem – TV Foco, Well)

O caso da Drogaria São Bento também mostra como o setor farmacêutico brasileiro mudou nos últimos anos. Antigamente, redes regionais conseguiam crescer com mais facilidade e mantinham forte presença local. Hoje, grandes grupos nacionais dominam boa parte do mercado e investem bilhões em tecnologia, logística e expansão digital. Isso aumentou a dificuldade para empresas menores competirem em igualdade de condições.

Outro fator importante envolve os custos operacionais do setor. Redes farmacêuticas precisam manter estoques elevados, investir em sistemas tecnológicos e lidar com despesas constantes relacionadas ao transporte de medicamentos e à manutenção das lojas. Quando o faturamento cai e as dívidas aumentam, a situação financeira pode se tornar insustentável rapidamente.

A decretação da falência encerrou oficialmente a história de uma empresa que marcou presença no varejo farmacêutico do Centro-Oeste durante décadas. A Drogaria São Bento deixou de existir depois de anos de tentativas de recuperação financeira, fechamento de unidades e disputas judiciais. O caso também virou exemplo das dificuldades enfrentadas por empresas tradicionais em um mercado cada vez mais competitivo e dominado por grandes redes nacionais.