Félix - sem amor à vida
A afirmativa de que “somos resultado do meio” é referência na interpretação das condutas de muitos indivíduos. O Brasil se apaixonou pelo personagem Félix, vivido por Mateus Solano em “Amor à Vida“, que se diz fruto do meio. A simpatia do ator juntamente com a perspicácia do autor conseguiram conquistar o público e isso é perigoso.
Nos capítulos atuais, o vilão ( mesmo com bandeiras erguidas para o situarem como vítima, não passa de um VILÃO) sofreu uma grande reviravolta no folhetim. O segredo que guardava sobre Paulinha foi revelado para todos. Quero falar sobre a conduta do personagem Félix: como todo ser humano, no decorrer de sua vida ele passou por situações nas quais se posicionou como vítima, porém em outros momentos, se deixou dominar pela crueldade e cometeu crime, o qual não se resume em desvio de dinheiro, mas sim contra a vida. Walcyr Carrasco frisou que o motivo pelo qual não foi parar na cadeia foi a prescrição, mas isso não o absolve dos atos horrendos por ele cometido; como os telespectadores refletem muito mais do que simples consumidores de entretenimento, eles apresentam interpretações de nível social, e é isso que me preocupa ao ver algumas pessoas “absolverem” o personagem só por ter atitudes “simpáticas” em seus discursos.
A obra de teledramaturgia é aberta e passa por mudanças no decorrer da sua apresentação, espero que no fim da história, o autor tenha consciência de dar um desfecho coerente para o ganancioso Khoury. Não estou aqui julgando aqueles que se dizem arrependidos, nada disso, mas nossos valores são expressos nas ações diárias, seja no trabalho, ou expondo certa ideia sobre filmes, novelas, seriados… Que o telespectador também, através do universo da teledramaturgia, desenvolva sua capacidade perceptiva e também o seu respectivo senso de justiça, sabendo separar o ficcional da realidade.
Texto enviado pelo leitor: Allan Thalles
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