Fernanda Montenegro como Mary Torres: personagem homenageia a mãe de Daniel Filho, Mary Daniel, e o marido da atriz, Fernando Torres (Ique Esteves/Divulgação)

Sempre com termos elogiosos como “diva” e “maior atriz do país” a preceder o seu nome, Fernanda Montenegro experimenta o outro lado da moeda de seu ofício como a protagonista de Maria do Brasil, episódio que encerra a temporada de As Brasileiras amanhã (Globo, 23h50). “É um episódio muito diferente dos outros da série, que foge dos cânones e da tônica dos anteriores”, explica a atriz, em conversa ao telefone com o blog. “É uma homenagem do Daniel (Filho, diretor) aos que ficam na periferia, digamos, dos meios teatrais. É uma modesta, mas quente e amorosa homenagem ao teatro.”

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Coquete de tudo, Mary Torres é um atriz que não decolou, apesar de ter passado toda a vida na ribalta. “Ela é uma daquelas que envelhecem fazendo sempre os mesmos papeis, muitas vezes fora de sua idade. O episódio mostra o mundo do teatro que está na sombra – mas nada pesado, claro”, detalha Fernanda.

Carregado de simbolismo, Maria do Brasil faz várias homenagens, a começar pelo nome da protagonista. Mary vem de Mary Daniel, a mãe de Daniel Filho, de origem circense e atriz de sucesso do teatro de revista; e Torres vem do ator Fernando Torres (1927-2008), o marido de Fernanda. “Isso ganhou uma sensibilização maior porque Mary faleceu na semana passada, aos 101 anos. Triste que tenha acontecido justamente na semana em que Daniel vai apresentar uma homenagem à mãe dele”, observa Fernanda.

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Entre a atriz e a personagem, diz Fernanda, a única semelhança é a vocação. De trajetória bem diferente dela, Mary nunca alcançou o estrelato, mas terá, de repente, uma oportunidade de atuar na TV – quem sabe daí não virá o sucesso? “Ela sabe que terá de lutar muito ainda, e embora já seja uma senhorinha ela vai atrás da chance dela”, conta a protagonista, que vê com a graça a sua escalação para o papel, já que reconhecimento profissional nunca lhe faltou. “A segurança para mim veio cedo. Mas nunca pensei que seria a pessoa tão reconhecida, e até adulada, que sou hoje”, diz ela. “Calhou que a alquimia da vida me deu uma chance boa. Mas se não tivesse dado, eu seria como a Mary do Brasil, e estaria fazendo o teatro que pudesse fazer.”

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E se o aplauso unânime não é condição essencial para exercer seu ofício, Fernanda diz, por outro lado e com franqueza, que ele é muito bem-vindo. “E quem é que não quer ser adulado?”, pergunta ela, rindo. “E outra: depois de 60 anos de carreira, se alguém não me passasse a mão na cabeça, imagina que tristeza…”

Fonte: Veja

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