Fim da escala 6x1? O que já é lei em 2026 e como ficam as folgas para CLTs do comércio

O descanso de dois dias está mais perto? Saiba os detalhes das propostas que querem extinguir a escala 6x1 no Brasil e o que se sabe até aqui.

02/02/2026 às 05:30 · Tempo de leitura: 11 minutos

Veja o quanto o fim da escala 6X1 já avançou e o que já é lei em determinadas regiões brasileiras (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Canva/GMN/Lennnita)

O descanso de dois dias está mais perto? Conheça os detalhes das propostas que querem extinguir a escala 6×1 no Brasil e o que se sabe até aqui

Não é novidade que um dos debates mais profundos sobre as relações laborais desde a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é o fim da escala 6×1, modelo que impõe seis dias de trabalho para apenas um de descanso.

Inclusive, o avanço de propostas no Congresso Nacional e o fortalecimento de movimentos sociais como o “Vida Além do Trabalho” (VAT) colocam o país diante de uma transição histórica. Mas, o que se sabe até aqui sobre o projeto? Será que em alguns lugares a escala 5×2 já é aplicada?

Bem, com base em informações oficiais do andamento da lei, bem como informações expostas pelo portal G1 e CNN, detalhamos abaixo:

  • O estágio atual das propostas legislativas;
  • Os impactos reais para o setor do comércio.
  • As leis estaduais que já sinalizam mudanças no cotidiano das cidades.

O que já avançou em 2026?

Atualmente, o Congresso Nacional conduz o debate por meio de duas frentes principais que buscam a redução da carga horária sem a diminuição dos salários.

1. A vitória na CCJ do Senado (PEC 148/2015):

O texto mais avançado no momento é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim.

Em dezembro de 2025, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deu o sinal verde para o projeto, que agora aguarda votação no Plenário.

  • O plano de transição: O projeto prevê uma redução escalonada. No primeiro ano, a jornada cai de 44 para 40 horas semanais. Nos quatro anos seguintes, reduz-se uma hora por ano, até atingir o limite de 36 horas semanais;
  • O modelo de descanso: A proposta fixa o limite de cinco dias de trabalho por semana, garantindo dois dias de folga (escala 5×2), preferencialmente aos sábados e domingos.

2. A mobilização na Câmara (PEC 8/2025):

Paralelamente, a Câmara dos Deputados ainda analisa a PEC 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton.

Este texto ganhou tração após uma mobilização digital sem precedentes.

Diferente do texto do Senado, este projeto foca na jornada de quatro dias (escala 4×3), distribuindo as 36 horas semanais de forma a garantir três dias de descanso.

O que já é lei?

Enquanto a lei federal não é promulgada, estados e sindicatos já utilizam convenções coletivas para testar novos modelos.

O caso do Espírito Santo é emblemático para entender o futuro do setor varejista.

Isso porque, graças a um acordo firmado entre a Fecomércio-ES e o Sindicato dos Comerciários, os supermercados voltarão a fechar aos domingos a partir de 1º de março de 2026.

Levando em consideração que algumas folgas semanais podem ser mantidas (a depender de cada caso ou negociação).

Isso traz ao trabalhador uma semana com duas folgas semanais, mesmo que não consecutivas.

Esta decisão, que vale inicialmente até outubro de 2026, demonstra que a gestão do descanso semanal é uma tendência irreversível para garantir a saúde mental do trabalhador, sem que isso signifique o colapso do consumo, visto que shoppings e centros de lazer mantêm calendários distintos.

Quais são os benefícios do fim da escala 6×1?

A defesa do fim da escala 6×1 sustenta-se em pilares científicos e econômicos modernos. A voz ativa dos especialistas aponta que o sistema atual é “exaustivo e anacrônico”:

  • Estudos indicam que o descanso prolongado aumenta a concentração e a eficiência durante as horas trabalhadas. O trabalhador descansado comete menos erros e sofre menos acidentes de trabalho;
  • A redução da jornada combate diretamente o Burnout e transtornos de ansiedade, reduzindo gastos públicos e privados com afastamentos médicos (auxílio-doença);
  • Com mais tempo livre, o trabalhador consome mais serviços de lazer, cultura e turismo, movimentando setores da economia que hoje são negligenciados por falta de tempo da classe trabalhadora.

Isso sem falar que traz mais tempo de qualidade com amigos e familiares, o que é essencial para o bem-estar do trabalhador.

MAS ATENÇÃO!

Vale destacar que o Acordado sobre o Legislado (reforma de 2017) permite que sindicatos e empresas negociem a escala 5×2 agora mesmo, sem esperar o Congresso.

Ou seja, assim como ocorreu no Espírito Santo, se a categoria do trabalhador tiver força de negociação, a mudança pode vir na próxima convenção coletiva.

Portanto, o conselho é:

  • Acompanhe de perto as assembleias do seu sindicato em 2026, pois o fim da 6×1 pode chegar primeiro por lá.

Além disso, a Constituição Federal proíbe a redução salarial, salvo se houver um acordo coletivo muito específico.

Em todas as propostas atuais (tanto no Senado quanto na Câmara), a premissa fundamental é a manutenção do valor integral do salário.

Ou seja, o trabalhador ganha o mesmo, trabalhando menos horas.

Por que o mercado não corre risco com o fim da escala 6×1?

A oposição ao projeto frequentemente cita o aumento do custo Brasil e a possível quebra de microempresas.

No entanto, não é bem assim, uma vez que essa construção apresenta contra-argumentos sólidos:

  • Menos absenteísmo (faltas) e menor rotatividade de funcionários (turnover) geram economia direta para o empresário;
  • Muitos dizem que se aprovado, o comércio irá quebrar aos finais de semana, no entanto, a proposta trabalha com a escala, não com os dias de abertura dos estabelecimentos ou empresas. Ou seja, mesmo que o trabalhador tenha uma escala 5×2, é possível escalonar para que o atendimento não seja prejudicado.

Isso sem falar que graças à tecnologia e aos avanços da inteligência artificial, é possível administrar ainda mais essa suposta falta de “mão de obra”.

  • Propostas paralelas no Congresso sugerem a redução de impostos sobre a folha de pagamento para empresas que adotarem a nova jornada, equilibrando a balança financeira.

O que falta para o fim da escala 6×1 virar lei?

Apesar da aprovação na CCJ do Senado, o caminho até a sanção presidencial exige ritos rigorosos:

  • Votação no Plenário do Senado: Necessita de quórum qualificado (49 votos em dois turnos);
  • Tramitação na Câmara: O texto precisa passar por comissões especiais e votação em plenário;
  • Sanção presidencial: O presidente Lula apoia a redução da jornada, sinalizando que sancionará rapidamente a lei após a aprovação do Legislativo, o que acelera todo o processo.

Por fim, a extinção da escala 6×1 em 2026 deixou de ser um “sonho utópico” para se tornar uma pauta técnica e política inevitável.

E, ao que tudo indica, o Brasil busca alinhar-se a países desenvolvidos que já perceberam que o capital humano é o ativo mais valioso de uma nação.

Embora a transição ainda exija um diálogo entre patrões e empregados, o objetivo é garantir que o trabalho seja um meio de vida, e não o fim dela.

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