Bancos populares no Brasil encerram 856 agências e preocupam clientes

Encerramento de 856 agências físicas pressiona modelo tradicional dos grandes bancos e preocupa correntistas quanto ao atendimento.

20/05/2025 às 09:10 · Tempo de leitura: 10 minutos

Decisão de bancos populares em fechar agências deixa clientes em choque e preocupados (Foto Reprodução/Montagem/Tv Foco/Lennita/Canva)

Encerramento de 856 agências físicas pressiona modelo tradicional dos grandes bancos e preocupa correntistas quanto ao real desfecho do atendimento presencial

Os três maiores bancos privados do país fecharam cerca de 856 agências físicas, ainda em 2024, e trata-se do maior número de encerramentos desde 2014.

Estamos falando do Bradesco, Itaú e Santander Brasil, cujos movimentos se consolidam a uma transição a largos passos para o modelo digital, impulsionada pela:

  • Queda na rentabilidade de clientes de baixa renda;
  • Alta inadimplência;
  • Avanço das fintechs.

Desde 2014, os três bancos eliminaram mais de 5 mil agências tradicionais, afinal de contas, a digitalização, antes complementar, tornou-se o principal canal de atendimento.

O fechamento massivo em 2024, no entanto, causou preocupação entre correntistas que ainda dependem da rede física — especialmente em áreas remotas, com baixa inclusão digital.

Sendo assim, a partir de informações do Seu Crédito Digital, a equipe especializada em economia do TV Foco traz mais detalhes sobre esses encerramentos e as alternativas restantes.

Santander, Itaú e Bradesco realizaram fechamentos de agências em massa (Foto: Reprodução/Itaú/Internet)

Cronologia:

  • 2014–2022: A reestruturação física começou discretamente. Ao longo de quase uma década, Bradesco, Itaú e Santander eliminaram cerca de 4.000 agências, principalmente em áreas de baixo retorno financeiro. A digitalização ganhou força com os avanços nos aplicativos e no internet banking.

2023: O número de encerramentos voltou a crescer. Os três bancos fecharam 679 agências:

  • Bradesco: 390 unidades;
  • Itaú: 219 unidades;
  • Santander: 70 unidades.

A movimentação antecipou o ritmo acelerado que se concretizaria no ano seguinte.

2024: A retração atingiu o ápice com o fechamento de 856 agências físicas:

  • Bradesco encerrou 390 unidades físicas e 1.300 pontos de atendimento no total, considerando postos avançados.
  • Itaú fechou 219 agências tradicionais.
  • Santander retirou 247 unidades do mapa e desatrelou as carteiras de clientes da rede física.

Fevereiro de 2025: Os números foram consolidados e divulgados pelos bancos. As instituições passaram a justificar a mudança com base em dados internos de digitalização e em promessas de novos modelos para clientes menos digitalizados.

Os serviços digitais estão substituindo os preferenciais (Foto: Reprodução/Internet)

Bancos justificam:

O Bradesco afirmou que 99% das transações em 2024 ocorreram por canais digitais e que, mesmo com os cortes, a base de clientes cresceu em 2,1 milhões.

O banco anunciou que prepara um modelo digital voltado à população de baixa renda, com foco no aplicativo.

No Santander, o presidente Mario Leão declarou que o banco terá um corte entre 40% e 50% da rede física até o fim de 2025, como parte da estratégia de reestruturação.

Em 2024, a instituição desatrelou as carteiras de clientes das agências, permitindo uma operação mais enxuta e centralizada.

Já o Itaú seguiu a tendência, embora com menor intensidade, priorizando investimentos em automação e reforço na experiência do cliente digital.

Investimentos crescem, mas economia demora

Lembrando que esse corte de agências não gera alívio imediato nas despesas. Pelo contrário. O Bradesco provisionou R$ 1,013 bilhão para cobrir os custos do fechamento em 2024.

O banco ainda contratou milhares de profissionais de tecnologia com salários superiores aos dos bancários tradicionais.

Bradesco (Foto: Reprodução/ Internet)

A Febraban estimou que os bancos investiram R$ 47,4 bilhões em tecnologia no último ano, alta de 21% em relação a 2023.

Os analistas Matheus Guimarães (XP) e Gustavo Schroden (Citi) destacaram que o processo exige uma transição completa dos serviços presenciais para o digital — desde cobranças até renegociação de dívidas — antes que as instituições possam enxugar custos com segurança.

Banco do Brasil mantém rede estável e testa modelo híbrido

Na contramão dos bancos privados, o Banco do Brasil manteve sua rede física estável desde 2021. Em 2024, a instituição lançou o modelo “Ponto BB“, que combina atendimento físico e digital em unidades compactas.

A primeira foi instalada no Recife e uma segunda deverá ser aberta em Belém ainda neste ano de 2025.

A presidente do BB, Tarciana Medeiros, afirmou em coletiva no dia 20 de fevereiro que é “irrealista imaginar que todo o Brasil será atendido apenas por canais digitais”.

Além disso, em termos de eficiência operacional, o BB teve o melhor índice entre os quatro maiores bancos em 2024, com 25,6% de índice de eficiência. O Bradesco apresentou o pior desempenho, com 52,2%.

Quais alternativas os correntistas têm diante do fechamento de agências?

Com o avanço da digitalização, os clientes afetados passaram a contar com outras formas de atendimento:

  • Aplicativos bancários e internet banking para transações cotidianas.
  • Correspondentes bancários (como lotéricas e estabelecimentos conveniados) para saques, depósitos e pagamentos.
  • Atendimento telefônico e chats online, ainda em aprimoramento.

Conclusão:

Em suma, o fechamento de 856 agências em 2024 marca uma inflexão definitiva na forma como os grandes bancos operam no Brasil.

A digitalização avança em ritmo acelerado, mas deixa lacunas para públicos vulneráveis e regiões com pouca cobertura digital.

Por fim, uma resposta do setor bancário à transição será decisiva para evitar uma nova forma de exclusão financeira nos próximos anos. Mas, para saber mais novidades sobre o sistema financeiro, clique aqui*.

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