Fim de rede de supermercado no RJ: 224 lojas fechadas e 22 mil demissões selam falência histórica

Após 44 anos de atuação, rede de supermercado no RJ encerrou atividades e abalou o varejo com lojas fechadas e demissões

31/12/2025 às 21:00 · Tempo de leitura: 6 minutos

Fim de rede de supermercado no RJ: 224 lojas fechadas e 22 mil demissões selam falência histórica (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Canva/Paola)

Após 44 anos de atuação, rede de supermercado no RJ encerrou atividades e abalou o varejo com lojas fechadas e demissões

Com forte presença no Rio de Janeiro, a empresa se consolidou como uma das maiores rede de supermercado. No entanto, ao longo dos anos, o cenário mudou de forma gradual e, depois, irreversível para essa rede de supermercado.

Por isso, após 44 anos de história, a rede de supermercado encerrou oficialmente suas atividades. Como resultado direto, 224 lojas fecharam e cerca de 22 mil trabalhadores perderam o emprego, o que provocou um impacto expressivo no comércio nacional.

Supermercados Casas da Banha (Foto: Reprodução)

Como a Casas da Banha virou referência no varejo?

Inicialmente, a trajetória da empresa seguiu marcada por crescimento acelerado. Fundada em 1955 pelo empresário Climério Veloso, a Casas da Banha conquistou espaço rapidamente no mercado brasileiro.

Com sede no Rio de Janeiro, a rede expandiu suas operações e, em pouco tempo, passou a atuar em sete estados brasileiros. Além disso, no auge, alcançou faturamento anual superior a US$ 700 milhões, o que reforçou sua imagem como sinônimo de preços acessíveis e grande alcance popular.

O início da crise financeira da rede

Entretanto, a partir de 1986, o cenário começou a se deteriorar. Naquele momento, o governo federal lançou planos econômicos, como o Plano Cruzado I e II, que impuseram o congelamento de preços em todo o país.

Como consequência, o setor supermercadista sofreu impactos imediatos. No caso da Casas da Banha, a rentabilidade caiu de forma acentuada. Com isso, a empresa passou a enfrentar dificuldades financeiras constantes, que se intensificaram nos anos seguintes.

Medidas adotadas não conseguiram conter a queda

Diante da crise, a rede tentou reagir. Ainda assim, nenhuma das estratégias adotadas conseguiu reverter o cenário negativo.

Ao longo do tempo, a empresa precisou:

  • Reduzir o quadro de funcionários para cerca de 9 mil trabalhadores em 1991
  • Vender e devolver diversas lojas para quitar dívidas acumuladas
  • Manter unidades fechadas por tempo indeterminado
  • Promover reestruturações internas que não surtiram efeito

Mesmo com essas tentativas, a situação financeira continuou se agravando. Dessa forma, o colapso tornou-se inevitável.

Falência decretada e encerramento definitivo

Por fim, em 1999, a própria empresa solicitou a falência. A Justiça aceitou o pedido e decretou oficialmente o fim da Casas da Banha.

A decisão partiu do juiz Luiz Felipe Salomão, da 2ª Vara de Falências e Concordatas. Assim, as autoridades lacraram todas as lojas e dispensaram os últimos funcionários, encerrando definitivamente as operações da rede.

O que antes simbolizava tradição e força no varejo fluminense passou, então, a integrar a lista de grandes empresas que não resistiram às transformações econômicas do país.

Quem domina o setor de supermercados atualmente?

Após a saída da Casas da Banha, o mercado passou por uma reorganização natural. Atualmente, outras redes assumem a liderança do setor no Brasil.

Hoje, o maior grupo supermercadista do país é o Grupo Carrefour, que registrou faturamento de R$ 120,6 bilhões em 2024.

Segundo o ranking mais recente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), o top 5 inclui:

  • Grupo Carrefour Brasil – R$ 120,6 bilhões
  • Assaí Atacadista – R$ 80,6 bilhões
  • Grupo Mateus – R$ 36,4 bilhões
  • Supermercados BH – R$ 21,3 bilhões
  • GPA (Grupo Pão de Açúcar) – R$ 20,0 bilhões

Como foi o fim da Casas da Banha?

Em síntese, a falência da Casas da Banha marcou o encerramento de um dos maiores impérios do varejo brasileiro. Além de colocar fim a uma trajetória de 44 anos, o fechamento resultou em 224 lojas fechadas e 22 mil demissões, deixando um impacto profundo no setor.

Assim, o caso se tornou um exemplo emblemático de como mudanças econômicas, falta de adaptação e crises prolongadas conseguem derrubar até mesmo empresas consideradas sólidas por décadas.

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