A carta escrita por Flordelis dentro da prisão que relata luta contra doença e surtos: "Ouço vozes"
Flordelis relata em carta escrita na prisão a dura rotina contra doença, descreve crises recorrentes e surpreende ao afirmar que escutava vozes
Flordelis antes da condenação (Foto: Reprodução/ YouTube)
Flordelis relata em carta escrita na prisão a dura rotina contra doença, descreve crises recorrentes e surpreende ao afirmar que continua ouvindo vozes
A carta divulgada por Flordelis no início de 2025, escrita à mão dentro da prisão e publicada nas redes sociais da própria ex-parlamentar, voltou a colocar o nome dela no centro das atenções nacionais.
Condenada a 50 anos de prisão por ser apontada pela Justiça como mandante do assassinato do pastor Anderson do Carmo, morto em junho de 2019, Flordelis decidiu expor publicamente uma rotina que, segundo ela, se tornou marcada por sofrimento físico, crises emocionais e um agravamento constante do seu estado de saúde dentro do sistema penitenciário.
Presa desde agosto de 2021, ela cumpre pena na Penitenciária Talavera Bruce, localizada no Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro. O documento manuscrito, divulgado em 19 de fevereiro de 2025, trouxe relatos fortes, frases diretas e pedidos de ajuda que rapidamente repercutiram em todo o país.
No texto, a ex-deputada descreveu episódios de depressão profunda, ansiedade diária, surtos, crises convulsivas, apagões e até momentos em que afirmou ouvir vozes dentro da cela. A publicação também reacendeu o debate sobre saúde mental no sistema prisional brasileiro e sobre o acesso de detentos a acompanhamento médico especializado.
Na carta, Flordelis apresentou um relato minucioso do que classificou como uma luta diária pela própria sobrevivência. Segundo ela, os sintomas não começaram dentro da prisão, mas se agravaram drasticamente após o encarceramento.
A ex-parlamentar afirmou que enfrenta depressão, uma doença mental séria que provoca tristeza persistente, perda de interesse pela vida, alterações no sono, no apetite e, em muitos casos, pensamentos negativos constantes. Além disso, ela relatou conviver com crises severas de ansiedade. A ansiedade, quando atinge níveis elevados, pode provocar falta de ar, taquicardia, suor excessivo, sensação de perigo iminente e até desmaios. Flordelis contou que precisa usar medicamentos controlados diariamente para tentar manter o equilíbrio emocional, mas revelou que, mesmo com tratamento, os episódios continuam acontecendo.
Em um dos trechos mais impactantes do documento, ela escreveu que faz crochê durante praticamente todo o dia dentro da cela porque escuta vozes. A frase chamou atenção de especialistas e do público, principalmente por indicar possíveis episódios dissociativos ou surtos psicológicos, embora nenhum diagnóstico oficial sobre isso tenha sido divulgado pela defesa ou pelas autoridades penitenciárias.
Detalhes da carta
“Tenho crise de ansiedade todos os dias. Faço crochê o dia inteiro dentro da cela porque ouço vozes”, escreveu Flordelis no documento divulgado por sua equipe. O trecho rapidamente circulou nas redes sociais e nos principais veículos de imprensa. Ainda no mesmo relato, ela afirmou que a música e a fé se transformaram em pilares para continuar resistindo dentro da prisão.
Segundo a ex-deputada, participar do coral da unidade prisional ajudou a manter parte do equilíbrio emocional. “Cantar me faz me sentir livre e me dá força para viver”, registrou na carta. O relato mostrou um lado pouco exposto da rotina carcerária e revelou como atividades consideradas simples podem ganhar outro significado em ambientes de privação de liberdade.
Além das dificuldades emocionais, Flordelis também relatou uma série de problemas físicos. Na carta, ela afirmou que sofre com dores constantes nas articulações, especialmente nos joelhos, na região lombar e no abdômen. Também mencionou problemas cardíacos e afirmou ter passado por um princípio de infarto. O que é um princípio de infarto? O termo costuma ser usado popularmente para descrever sinais iniciais de comprometimento cardíaco, quando o fluxo de sangue para o coração sofre redução e pode gerar dor no peito, falta de ar, náusea e sudorese intensa. Embora o termo técnico seja síndrome coronariana aguda, muitas pessoas usam “princípio de infarto” para explicar situações semelhantes.
Outro ponto que chamou atenção foi o relato de crises convulsivas. Convulsão é uma alteração temporária na atividade elétrica do cérebro, que pode provocar movimentos involuntários, perda de consciência e confusão mental. Segundo Flordelis, esses episódios vêm acontecendo dentro da prisão e têm comprometido ainda mais sua saúde.
Um dos momentos mais dramáticos descritos no texto envolveu um desmaio dentro da unidade prisional. Flordelis afirmou que sofreu um “apagão”, caiu com força e bateu o lado direito da cabeça e do rosto. Segundo ela, a queda resultou na quebra de dentes e em lesões faciais. O episódio, segundo o documento, agravou ainda mais sua fragilidade física e emocional.
A ex-deputada também reclamou da demora na realização de exames e do atendimento médico recebido após o acidente. A defesa reforçou essas alegações ao informar que diversas petições já tinham sido apresentadas às autoridades responsáveis pelo sistema prisional.
Na legenda que acompanhou a publicação da carta, a equipe jurídica afirmou que “inúmeras petições foram feitas pela defesa, tentando alertar as autoridades responsáveis da gravidade do seu quadro clínico”. O objetivo da divulgação pública, segundo pessoas próximas, foi chamar atenção para a condição de saúde da ex-deputada e pressionar por atendimento especializado. Em resposta à repercussão, a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro informou, na época, que Flordelis recebia acompanhamento psicológico e, quando necessário, atendimento psiquiátrico. A pasta também declarou que ela havia sido levada para atendimento médico e que a unidade seguia os protocolos estabelecidos.
O caso de Flordelis continua despertando forte interesse público porque envolve uma figura que passou anos ocupando espaço na política, na música gospel e em projetos sociais antes de sua condenação. Desde a morte de Anderson do Carmo, em 2019, o processo ganhou enorme repercussão nacional e se tornou um dos casos criminais mais acompanhados do país.
Agora, com a divulgação dessa carta, um novo capítulo se abriu, desta vez centrado não no julgamento, mas nas condições de saúde e sobrevivência da ex-deputada dentro do sistema prisional brasileiro.
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