Folha revela ato estranho de conselheiro da Cultura

25/10/2013 às 09:29 · Tempo de leitura: 3 minutos

” calar a boca de um jornalista do porte de Salomão Schwartzman é igual a censura da ditadura dos militares”

A coluna da Mônica Bérgamo da Folha revelou que Ivo Herzog, conselheiro da Fundação Padre Anchieta, fundação que administra a TV Cultura, pediu a saída de Salomão Schwartzman da Rádio Cultura. Ivo Herzog declara à Folha que  “Uma fundação que tem a história que tem, extremamente ligada à vida de Vladimir Herzog, não pode ter uma pessoa como esta nos seus quadros. Salomão Schwartzman é persona non-grata nesta instituição que tanto defendemos.”

Ivo disse outras coisas mais que nem vamos reproduzir aqui por considerarmos sem fundamento. Tudo aconteceu porque Salomão contou em seu programa de rádio um caso de ficção, em que um ladrão teria invadido a casa dele e que ao chamar a polícia, disseram que não tinham viaturas, mas quando depois ele telefonou pra avisar que matou o ladrão, apareceu todo mundo, polícia, mídia e o tal pessoal dos direitos humanos.

Alguém precisa contar ao conselheiro Ivo Herzog, filho de Vladimir Herzog, jornalista assassinado depois de torturado pelo DOI-CODI, que seu pai pode ter a memória muito ligada à TV Cultura, mas seu pai não é a emissora e o caso de ficção contado pelo Salomão mostra a triste realidade da segurança pública brasileira. E Salomão, em seu caso de ficção retrata bem tudo isto, de falta de segurança onde as casas que estão ao lado do Palácio dos Bandeirantes, sede de governo, são assaltadas inúmeras vezes e nada de bom acontece a favor dos assaltados dali. E tudo isto foi dito dentro de uma rádio dirigida por um tucano que é Marcos Mendonça.

Querer calar a boca de um jornalista do porte de Salomão Schwartzman é igual a censura da ditadura dos militares que mataram Vladimir Herzog. E nem deixa de ser verdade que não se conhece caso em que as famílias vítimas de assassinos tenham recebido visita de gente ligada aos direitos humanos.

Democracia é discordar de alguém, mas defender todo direito da pessoa falar. Salomão, que recebeu palavras estranhas contra ele proferidas por Ivo Herzog na Folha, mas que esta coluna não vai publicar, tem até agora uma bonita história de jornalismo. As denúncias contra a pessoa de Salomão feitas por Ivo Herzog na Folha deveriam ser apuradas. Ivo deveria citar os fatos que o fizeram falar mal do passado de Salomão.

E a gente acredita que Marcos Mendonça, presidente da TV e Rádio Cultura, não seja precipitado em tomar uma atitude contra Salomão por algo tão real que Salomão tenha falado. Mas também que peça que o conselheiro Ivo Herzog apresente na próxima reunião do conselho os fatos das denúncias que fez contra Salomão e contra o passado de Salomão pra que todos possam conhecer.

Texto: James Akel

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