Gagliasso erra como Berilo
Passar do drama à comédia ou vice-versa mostrando igual talento em ambos os gêneros não é para todo mundo. Às vezes parece uma missão impossível. Veja o caso de Bruno Gagliasso, o Berilo de “Passione”. Na última sexta-feira, o fracasso dele como o italiano malandro ficou evidente numa cena criada por Silvio de Abreu em que seu personagem era a estrela principal. Faziam escada para o ator ninguém menos que Irene Ravache, Francisco Cuoco, Gabriela Duarte e Flávio Migliaccio. É um time e tanto. A sequência aconteceu em torno da mesa de jantar. Clô, bêbada, deixou escapar que Totó (Tony Ramos) é filho de Olavo.
Jéssica, filha única, levantava a voz indignada. Fortunato idem, achando que por isto o sobrinho não o teria defendido numa ação contra a família Gouveia. Covardão, Olavo gaguejou, mas acabou confessando.
A temperatura subia em torno, claro, da mais esperada reação, a de Berilo. Ele ficaria finalmente sabendo que seu outro sogro é também meio irmão de uma de suas mulheres. Aí, vieram uma sucessão de caretas, olhos mais arregalados que os de Marty Feldman nos filmes de Mel Brooks, ombros encolhidos etc. Bruno Gagliasso foi a única dissonância entre tantas atuações afinadíssimas com o tom que o texto pedia.
Na cena seguinte, ele apareceu com Leandra Leal tendo alucinações com o sogro. Seja isto ou não uma
alusão insconsciente de Silvio de Abreu ao que foi a melhor performance deste ator na TV — o Tarso de “Caminho das Índias” —, ficou impossível não lembrar dele.
Patrícia Kogut
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