Galã da Globo previu a própria morte ainda jovem chocou fãs ao partir aos 22 anos e reuniu uma multidão emocionada no velório que marcou o país
A carreira do ator Osmar de Mattos terminou de forma abrupta em 1980, quando o jovem galã morreu aos 22 anos em um acidente de carro. Naquele período, ele já construía uma trajetória consistente na televisão brasileira e ganhava destaque na TV Globo.
O galã participava das gravações da novela “As Três Marias”, produção exibida no horário das seis, faixa tradicional voltada a histórias mais leves e familiares. A estreia da trama já estava definida para novembro daquele ano, mas o ator não chegou a acompanhar o resultado final de seu trabalho. A morte precoce gerou forte comoção e transformou o galã em um dos casos mais lembrados da teledramaturgia nacional.

O acidente aconteceu no dia 25 de outubro de 1980, enquanto o Osmar seguia viagem para a cidade de Pouso Alegre, em Minas Gerais. Ele tinha o compromisso de apresentar um baile de debutantes, evento tradicional que celebra os 15 anos de jovens. Durante o trajeto pela rodovia Fernão Dias, uma estrada importante que liga São Paulo a Belo Horizonte, um caminhão cruzou a pista. O carro em que o galã estava perdeu o controle, capotou e caiu em um rio às margens da rodovia.
O impacto foi violento e causou a morte imediata do ator, que sofreu uma fratura no pescoço. Equipes de resgate foram acionadas, mas não houve tempo para socorro.
Antes da tragédia, o galã construía uma trajetória que começou de forma inesperada. Filho do radialista e ator Anfilófio de Mattos, ele teve o primeiro contato com a televisão em 1975. Um produtor ligado ao apresentador Silvio Santos abordou o jovem durante um baile realizado no Sport Club Corinthians Paulista.
O convite surgiu para participar do quadro “Vestibular do Amor”, um segmento exibido em programas de auditório. Esse tipo de quadro reunia participantes em dinâmicas românticas, com perguntas e interações ao vivo. A experiência despertou o interesse do galã pela carreira artística.
Determinando seguir na profissão, Osmar investiu em formação e começou a estudar atuação em 1977. No mesmo ano, conseguiu a primeira oportunidade em novelas com “Cinderela 77”, exibida pela TV Tupi, uma emissora importante da época, que encerrou suas atividades em 1980.
Logo depois, ele participou de “O Pulo do Gato”, ampliando sua presença na televisão. Esses trabalhos iniciais ajudaram o galã a ganhar experiência diante das câmeras e a conquistar novos convites.

A fama
O reconhecimento nacional chegou em 1978, quando o galã integrou o elenco de “Dancin’ Days”, novela que marcou época na televisão brasileira. A produção abordava temas ligados à vida urbana e à cultura das discotecas, muito populares naquele período. O personagem interpretado pelo ator chamou atenção do público e consolidou sua imagem como galã. A partir desse momento, ele passou a receber mais convites e se tornou presença constante em produções televisivas.
Na sequência, o galã participou de outras novelas, como “Cara a Cara”, exibida em 1979, e “Pé de Vento”, lançada em 1980. Mesmo com a fama associada à aparência, ele demonstrava preocupação em evoluir artisticamente.
Em entrevistas concedidas na época, afirmou que queria ser reconhecido pelo talento e não apenas pela imagem. Por isso, o galã reduziu trabalhos fotográficos e passou a focar nos estudos e nas gravações, buscando papéis mais desafiadores dentro da televisão.
Em 1980, surgiu a oportunidade de atuar em “As Três Marias”, novela baseada na obra da escritora Rachel de Queiroz. O galã interpretava o personagem Kleber, um surfista, e já participava das gravações quando chamou a atenção da direção.
O diretor Herval Rossano observou o empenho do ator e conversou com o autor Wilson Rocha sobre a possibilidade de ampliar sua participação na trama. A decisão indicava que o galã poderia ganhar ainda mais espaço na história, mas o acidente interrompeu esse processo de crescimento.
Após a morte, o corpo do galã foi levado para São Paulo, onde ocorreram o velório e o sepultamento. A despedida reuniu uma multidão e evidenciou o impacto que o ator causava no público. Fãs, amigos e profissionais da televisão compareceram às cerimônias, que ficaram marcadas pela forte emoção. Pouco tempo depois, uma declaração da irmã do galã chamou atenção.
Segundo ela, o ator demonstrava tranquilidade ao falar sobre a morte e chegou a fazer comentários que sugeriam um pressentimento. Ela relatou à imprensa: “Ele não era nem um pouco apavorado com a ideia de morrer. Até dizia que, no dia em que isso acontecesse, olharia para todos nós, que estaríamos chorando a sua morte e daria boas gargalhadas, pois estaria em um lugar muito melhor do que este”. A fala ganhou repercussão e passou a fazer parte da história do galã.
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