"Geração Brasil" é nerd demais e não empolga o público

11/06/2014 às 15:15 · Tempo de leitura: 3 minutos

Claudia Abreu e Murilo Benício em "Geração Brasil"

Claudia Abreu e Murilo Benício em “Geração Brasil”

Com a missão de salvar a audiência do horário das sete, a novela “Geração Brasil” não empolgou o grande público. Escrita pelos mesmos autores de “Cheias de Charme”, último sucesso da faixa, a trama trouxe de volta o humor, porém, é repleta de referências tecnológicas.

Há um mês no ar, até agora, o casal protagonista da novela, Manuela (Chandelly Braz) e Davi (Humberto Carrão) anda em círculos e só deu o primeiro beijo na última sexta-feira (07), sendo que a atração entre Jonas e Verônica (Taís Araújo) foi consumada um dia antes.

Essa demora para desenvolver as histórias românticas pode explicar a falta de empatia inicial dos telespectadores. O texto é engraçado, mas não chega a ser o fenômeno do riso que “Cheias de Charme” foi. De imediato, encontramos dois problemas na atual novela:

O primeiro é o idioma. Ao ignorar que nem todos os telespectadores dominam o inglês, os autores colocaram na boca dos personagens frases e expressões pequenas, mas de difícil entendimento. O mesmo pode ser dito da “linguagem nerd”, ainda que essa seja mais palatável.

Um pouco de didatismo, pelo menos no núcleo americanizado, poderia ser uma solução para a história. Já em relação à direção, foi acertada, apesar de ter sido criticada, a escolha de localizar o telespectador com recursos gráficos e de animação na tela.

Alguns personagens lembram outros tipos já vistos em novelas anteriores da emissora. A vilã Glaucia Beatriz (Renata Sorrah) é muito semelhante à outra personagem da mesma atriz, a icônica Nazaré, de Senhora do Destino (2004).

Já Marisa (Titina Medeiros) é uma nova versão da fogosa Norminha (Dira Paes), a esposa que enganava o marido em Caminho das Índias (2009). O elenco é afiado e o triângulo Claudia Abreu, Taís Araújo e Murilo Benício faz bonito em cena.

O mesmo pode ser dito dos mais novos: Isabelle Drummond, Humberto Carrão e Chandelly Braz. Há, obviamente, descompassos, a exemplo de Fiuk (Alex) e Debora Nascimento (Maria Vergara), cujo portunhol falado tem de ser legendado.

Como afirma o site do jornalista Daniel Castro, “Geração Brasil” é, em resumo, uma boa novela, mas ainda não é empolgante.

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