Falência de gigante dos transportes acaba de ser decretada e operações são encerradas com funcionários na rua

Empresa gigante de transportes brasileira acaba de ter sua falência decretada (Foto Reprodução/Lennita/Montagem/Canva/Wiki)
Empresa brasileira gigante dos transportes acaba de ter a sua falência decretada e com isso TODAS as suas operações foram encerradas e funcionários demitidos
O transporte rodoviário no Brasil é uma peça fundamental na logística nacional e movimenta milhões de toneladas de mercadorias todos os dias. Visto como uma das maiores economias do mundo, o Brasil depende fortemente de uma rede de estradas bem desenvolvida para garantir o fluxo contínuo de bens e serviços em todo o país.
Só para ter uma vaga ideia da quantidade de empresas que temos no setor, conforme dados da Econdatas, existem cerca de 911.500 empresas de transporte terrestre no Brasil, é muita coisa não é mesmo? Porém, apesar de ser um número expressivo, ele acaba de diminuir.
Isso porque uma das maiores empresas do segmento acaba de ter a sua falência decretada na Justiça após uma série de crises, a gigante Pluma Conforto e Turismo. Fundada ainda 1966, ela contava com cerca de 25 filiais distribuídas por todo o Brasil, conforme divulgado pelo seu próprio site oficial.
Mais uma vez
Segundo o portal Diário do Transporte, essa é a segunda vez que a empresa tem a sua falência decretada, o fato ocorreu na última quinta feira, dia 22 de agosto de 2024.
A mesma foi executada pelo Juízo da 26ª Vara de Falências e Recuperação Judicial do Foro Central da Região Metropolitana de Curitiba. A decisão foi formalizada nos autos de número 0011071-83.2015.8.16.0185 e comunicada pelo administrador judicial nomeado para o caso no mesmo dia.
Com o decreto de falência, todas as operações de transporte realizadas pela Pluma Conforto e Turismo S/A foram oficialmente encerradas, bem como seus funcionários demitidos.
Além disso, as execuções individuais movidas por credores da empresa estão suspensas, conforme previsto no artigo 6º, §§ 1º e 2º da Lei de Falências e Recuperação Judicial (LFRJ).
Para quem não sabe, legislação também proíbe a prática de qualquer ato de disposição ou oneração dos bens da empresa falida, bem como a realização de retenções, arrestos, penhoras, sequestros, busca e apreensão e outras formas de constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens da empresa.
A primeira vez que que ela teve sua falência decretada foi no ano de 2019, cuja qual ela conseguiu reverter em abril de 2019. Segundo declarado nos autos do processo, o motivo da sua falência agora foi novamente descumprimento do plano da sua recuperação judicial.
Ainda segundo o portal Diário dos Transportes, ainda cabe recurso. No comunicado expresso pela administradora judicial, credores, funcionários demitidos e ex-funcionários que ainda possuem pendências podem entrar em contato com o administrador judicial de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, pelo telefone (41) 3338-0099.
Também é possível ir até o escritório à Rua Pedro Nolasko Pizzato, nº 803, Mercês, Curitiba/PR, mas somente com agendamento.
Veja o comunicado na íntegra:
“Através da presente no exercício da função de ADMINISTRADOR JUDICIAL, comunica a todos os interessados que a PLUMA CONFORTO E TURISMO S/A teve a sua falència decretada pelo Juízo da 26ª Vara de Falências e Recuperação Judicial do Foro Central da Região Metropolitana Comarca de Curitiba-PR, nos autos no 0011071-83.2015.8.16.0185.
Assim sendo, comunico também que as operações de transporte da PLUMA CONFORTO E TURISMO S/A estão encerradas, as execuções individuals movidas pelos credores estão suspensas por força de Les (art. 60, §§1º e 2º da LFRJ), está proibida a prática de qualquer ato de disposição ou oneração de bens da FALIDA (art. 99, VI da LFRJ), bem como está proibida qualquer forma de retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e constrição judicial ou extrajudicial sobre os bens da FALIDA (art. 6º, 3º da LFRJ).
Por fim, comunico aos interessados que, de segunda a sexta-feira, das 09:00 as 12:00 horas, poderão solicitar esclarecimentos acerca do processo de falência, através do telefone: (041)-3338-0099 ου pessoalmente no seguinte endereço: Rua Pedro Nolasko Pizzato, nº 803, Mercés. Curitiba/PR, mediante agendamento prévio e, ainda, através do e-mail [email protected].
Curitiba, 22 de agosto de 2024. TRANOPURIL N Paulo Vinicius de Barros Martins Jr. OAB/PR-19.608 Administrador Judicial”

Pluma Conforto e Turismo (Foto Reprodução/YT)

Pluma Conforto e Turismo tem falência decretada pela segunda vez (Foto Reprodução/YT)

Empresa ainda pode recorrer (Foto: Reprodução/YT)
Trajetória e quedas
A Pluma começou suas atividades com 170 funcionários, e possuía 34 ônibus em sua frota, que operavam em três linhas: Curitiba / Porto Alegre, Curitiba / São Paulo, e Curitiba / Passo Fundo / Santa Maria (RS).
Com a incorporação da empresa Expresso Porto Alegre Brasília Ltda, no ano de 1971, a Pluma deu início à interligação do Brasil à Argentina, surgindo dessa fusão sua primeira linha internacional: Porto Alegre/Buenos Aires.
Dois anos depois, conseguiu o prolongamento dessa linha para o Rio de Janeiro e São Paulo. Mas a ampliação continuou a todo vapor. No ano de 1974, ela começou a operar mais três linhas: Foz do Iguaçu/São Paulo; São Paulo/Assunção e Foz do Iguaçú/Assunção.
Mas apesar de sua constante expansão e crescimento, a Pluma também passou por momentos muito difíceis, até chegar no ponto em que se encontra atualmente.
O mais grave foi em 1986, quando um incêndio destruiu toda a sua sede administrativa e parte do setor de manutenção.
O que levou a Pluma Conforto e Turismo à falência pela primeira vez?
De acordo com o portal Wiki, ainda em 2015, a Pluma encontrava-se com saúde financeira instável e entrou com um pedido de recuperação judicial, sendo-lhe concedido no ano de 2017.
Contudo, a empresa não teria cumprido corretamente os processos da recuperação e estava ainda sob suspeita de cometer irregularidades. Por esse motivo, em 27 de março de 2019, a juíza Mariana Gluszcynski Fowler Gusso, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça do Paraná decretou a falência da empresa.
A decisão também determinou o fechamento da sede da viação e o encerramento imediato das atividades da Pluma. No momento de seu fechamento, a empresa operava vinte e sete linhas, boa parte com veículos alugados de outras empresas, uma vez que a frota própria estava em condições inviáveis de rodagem.
No ano de 2015, a Pluma havia transferido mais de vinte linhas para outras empresas concorrentes devido à sua crise.
Contudo, graças a um recurso feito pela própria viação, a juíza Luciane Bortoleto da 18ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná suspendeu a falência da companhia no dia 2 de abril de 2019.
Em sua defesa, a Pluma argumentou que possui condições de cumprir o plano de recuperação judicial e que possuía viabilidade econômica para realizar suas atividades