"Elementos estranhos": Globo crava decreto da ANVISA contra 41 lotes de café n°1 da mesa dos brasileiros
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Globo confirma decreto da ANVISA contra 41 lotes de café (Foto Reprodução/Montagem/ANVISA/Freepik/Globo)
Globo noticia caso de cerca de 41 lotes de café apreendidos pela ANVISA após detectarem uma série de irregularidades no processo de fabricação
É difícil imaginar uma manhã no Brasil sem o aroma do café recém-passado. Mais do que uma bebida, o café é um verdadeiro símbolo cultural e o “combustível” diário para milhões de pessoas.
Contudo, um alerta recente do Ministério da Agricultura (MAPA), em parceria com a ANVISA, reacendeu a preocupação com a qualidade do produto que chega às mesas brasileiras.
Sendo assim, a equipe especializada em serviços e fiscalizações do TV Foco, a partir de informações divulgadas e confirmadas pela Globo, através do portal G1, traz mais detalhes desse decreto da ANVISA e consequências.
“Matérias estranhas”
No dia 02 de agosto de 2024, o MAPA divulgou que cerca de um pouco mais 17 lotes de marcas de café, cujo tipo é considerado nº1 entre consumidores, foram considerados impróprios para o consumo.
Esses lotes se somam aos 24 já barrados em julho, dando um total de 41 lotes apreendidos, elevando a preocupação sobre fraudes e irregularidades no setor:
- Os lotes foram desclassificados após a detecção de “matérias estranhas e impurezas ou elementos estranhos” acima do limite permitido pela legislação brasileira.
- Por lei, o café pode conter até 1% de impurezas naturais (como galhos e cascas) e de elementos estranhos, como pedras ou sementes de outras espécies vegetais.
Quando essa porcentagem é ultrapassada, o alimento é considerado fraudado.
O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), Hugo Caruso, esclarece que, enquanto impurezas podem surgir de forma acidental:
“Elementos estranhos são adicionados intencionalmente para falsificação”.
Para saber a lista completa das marcas e lotes, clique aqui*.
Perigos no café
Caruso explica que a torra e a moagem mascaram muitas irregularidades.
Alguns fabricantes torram os grãos em níveis intensos para disfarçar defeitos como grãos ardidos ou pretos, que podem estar contaminados por fungos prejudiciais à saúde.
“A gente já percebeu que algumas torrefadoras torram café com até 1.200 defeitos por 300g, quando o permitido é 360“.
Ele alerta que torras extremamente escuras podem esconder não apenas café de má qualidade, mas também misturas com outros materiais, como cascas e até milho.
Novas regras para transparência
Entretanto, a fim de ajudar os consumidores a identificar possíveis fraudes, a Portaria nº 570 exige desde agosto de 2024 que as embalagens de café indiquem o grau da torra:
- Clara: bebida com mais acidez, doçura e menos amargor;
- Média: equilíbrio entre notas caramelizadas, acidez e amargor;
- Escura: mais amargor e menos doçura e acidez.
A fiscalização também deve evoluir, com a introdução de análises sensoriais e químicas que identificam tanto a composição quanto possíveis fraudes pelo sabor do produto.
O desafio da indústria
Apesar dos avanços tecnológicos no beneficiamento do café, muitas torrefadoras aproveitam grãos impróprios para produção, conforme exposto pelo MAPA:
- No beneficiamento, os trabalhadores descartam os grãos considerados impróprios.
- No entanto, na prática, acabam sendo torrados de forma intensa e utilizados no pó vendido ao consumidor final.
Para Hugo Caruso, é fundamental educar o consumidor sobre a qualidade do café e o que buscar nas embalagens:
“Um torrefador que investe em café de alta qualidade não vai torrá-lo como carvão, porque isso destrói o sabor e a qualidade. A torra média ou clara é o ideal para realçar o melhor do grão”.
Como observar as novas regras da ANVISA na embalagem de cafe?
- 1. Verifique o selo da Abic: Primeiramente deve se observar a presença do selo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Ele atesta a qualidade do café torrado e moído, mas é opcional e exclusivo para associados avaliados pela entidade e segue normas da ANVISA, que permitem até 1% de impurezas (galhos e folhas).
- 2. Identifique o tipo de café: O selo da Abic informa a classificação: extraforte, tradicional, superior, gourmet ou especial.
Neste caso, o extraforte carrega um sabor mais amargo, enquanto o gourmet e especial traz uma bebida mais doce, frutada, com alta acidez e menor amargor.
- 3. Confira a espécie do grão: A embalagem deve informar a espécie, conforme a norma:
- Arábica: sabor floral, frutado, doce, com menos cafeína.
- Canéfora (robusta/conilon): notas de chá preto, cacau e amendoim.
- Evite produtos “fora do tipo”: Cafés com mais impurezas que o permitido não recebem o selo da Abic. Segundo especialistas, esses produtos não devem ser consumidos.
Para saber mais detalhes sobre essa e mais proibições da ANVISA, clique aqui*.
Considerações finais:
A ANVISA apreendeu 41 lotes de café, entre julho e agosto, por conta de irregularidades na produção, como a presença de “matérias estranhas” acima do permitido.
A indústria cafeeira utiliza a torra excessiva como disfarce para defeitos e fraudes, porém novas regulamentações exigem que as empresas informem o grau de torra e a espécie do grão nas embalagens.
O consumidor deve buscar produtos com selo da ABIC e preferir torras médias ou claras para garantir melhor qualidade.
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