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As equipes de figurino da próxima novela das onze, 'Liberdade Liberdade', lideradas por Paula Carneiro, e caracterização, assinada por Lucila Robirosa, criaram a sua interpretação das vestimentas e do visual dos fidalgos e escravos em todas as suas diferenças. O ambiente inóspito e as condições precárias – mesmo dos mais ricos – faziam com que as roupas e acessórios fossem desgastados e as mesmas peças, repetidas muitas vezes. Para dar esse aspecto gasto, milhares de tecidos foram comprados, lavados, modelados, depois envelhecidos e sujos com uma mistura especial desenvolvida pela equipe. Muitas vezes, as peças são até cortadas para parecerem rasgadas pelo uso do dia a dia. Quanto mais contato com a terra e serviços manuais, maior o desgaste necessário da roupa. Se os nobres usavam cerca de seis a oito peças no dia a dia, dentre chapéus, casacos, coletes, corpetes, camisas, luvas, rendas, calças, saias longas, anáguas e botas, os negros usavam duas os três peças, como vestidos, saias, blusas e turbantes, o básico necessário para se cobrirem.
No calor do Brasil, sem os recursos que existem hoje, a pele das pessoas revelava as marcas da jornada de cada um. Para reproduzir essas marcas, uma parceria com a equipe de efeitos especiais trouxe alguns dos itens necessários para "manchar" e "sujar" a pele dos personagens e figurantes. Em vez de maquiar os atores, a busca é por naturalizar a todos e unificar: sujeira nos dentes e próteses, glicerina para o suor, base solúvel em álcool para criar manchas e tirar a uniformidade da pele, cicatrizes aplicadas em um sistema de carimbo, entre outros recursos. As cicatrizes não ficam só para os escravos. A personagem de Maitê Proença, Dionísia, sofria abusos do marido e terá diversas marcas que representam essa história. Na busca por um visual natural do período, elenco e figuração precisaram remover química e tintura dos cabelos, que, em sua maioria, ganharam apliques para parecerem mais longos. Ainda foi preciso evitar unhas feitas e depilação.
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O realismo ganha liberdade de criação com as mulheres mais nobres e o cabaré de Virgínia, personagem vivida por Lilia Cabral. Joaquina, interpretada por Andreia Horta, trará uma mistura de referências contemporâneas com o período da novela: bordados atuais, tipos de manga e tecidos, todos confeccionados no shape da época. Como Joaquina foi criada em Portugal, traz para o Brasil trajes que até então as mulheres não conheciam, como os cortes com cintura alta. Ela terá uma leveza na maquiagem que reforçará a imagem dessa mulher que impressiona todos a sua volta e penteados mais “modernos” para o momento histórico. Joaquina, inclusive, lutava esgrima como poucas mulheres faziam e, para isso, usava calças nos treinos em casa com o pai de criação, Raposo (Dalton Vigh). Já Virgínia (Lilia Cabral) fará uso de corseletes, anáguas, vestidos e robes longos para exaltar sua beleza. Uma mistura de cortes da época com tecidos mais fluídos e bem cortados dão o tom das meninas que trabalham no cabaré, com penteados simples, como tranças e os rabos de cavalo, mas que conferem uma sensualidade natural às mulheres.
Na personagem de Nathalia Dill, Branca, tudo estará combinando: formatos de vestidos bem brasileiros, com a cintura baixa da época, peças todas da mesma cor, bordados tom-sobre-tom em cores diferenciadas como berinjela e azul petróleo. Ascenção, vivida por Zezé Polessa, mulher que vive pelas florestas e tem uma cicatriz misteriosa no rosto para reforçar tudo que já viveu, terá um figurino em tom medieval. Maitê Proença, a Dionísia, usa do estilo da aristocracia para mostrar que é uma mulher forte e elegante, com cortes bem tradicionais e tons de preto, cinza e carbono. Já as escravas Blandina (Mariana Nunes) e Luanda (Heloísa Jorge) estarão sempre com turbantes e roupas leves em cores mais claras, já que não tinham dinheiro para tingimentos e tecidos nobres.
‘Liberdade, Liberdade’ é uma novela de Mario Teixeira baseada em argumento de Marcia Prates. A direção artística é de Vinicius Coimbra.
Formado em jornalismo, foi um dos principais jornalistas do TV Foco, no qual permaneci por longos anos cobrindo celebridades, TV, análises e tudo que rola no mundo da TV. Amo me apaixonar e acompanhar tudo que rola dentro e fora da telinha e levar ao público tudo em detalhes com bastante credibilidade e forte apuração jornalística.