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Ser parcial só é válido quando trabalhando declaradamente desta forma. A Globo se diz imparcial, mas não agiu assim nesta noite de terça-feira. E isso tem que parar. Não é certo gritar aos quatro cantos ser mídia sem partido ou sem amarras e mostrar exatamente o contrário. E justamente em um canal de notícias. Globo News errou feio nisso. No “Miriam Leitão Especial”, falando sobre o período militar, a sardinha foi puxada visivelmente pra a brasa dos militantes. Globo, nem militantes, nem militares, deixe o telespectador optar! Seu papel é mostrar os dois lados dos fatos.

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Usar musiquinha de terror, fotos e filmes onde militares carregam armas e perseguem o pessoal da esquerda está correto, mas mostrar apenas isso, “esquecer” de tornar público imagem de assalto a bancos, raptos e tantos outros pontos negativos da força que lutava contra o período militar está errado. E justamente Miriam Leitão, tão dedicada ao didatismo, tão sábia com as palavras, tão cuidadosa em seus programas. Cravou um anti-militarismo direto na gente.

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O que pensará o adolescente quando ver somente um dos lados da história? Que os militares eram os únicos elementos usando a força. Básico e imperdoável. Entrevistaram militar bem instruído, pessoa que soube representar muito bem o outro lado, mas só entrevistar não basta. Faltaram imagens, vídeos, música de fundo em se tratando dos militantes. Isso não mostraram. A Globo pecou ao permitir a exibição de algo tão tendencioso. Nós, telespectadores, queremos as duas versões, e queremos pensar somente com nossas cabeças, queremos deixar de lado os interesses corporativos ou a revolta de apenas um dos lados. O “Miriam Leitão Especial” de terça chocou, não pelas cenas de violência dos militares, mas pela falta de consideração com pessoas que confiaram seu tempo em prol de ver algo que deveria estar comprometido apenas com a verdade.

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