“Mato você e mato sua família”: Globo revela denúncia de Samudio e ameaça antes do seu desaparecimento

Nova série documental resgata gravação de Eliza Samudio denunciando ameaças do ex-goleiro Bruno, que voltou a ser preso em maio de 2026.

Denúncia de ameaça feita por Eliza veio à tona em série documental da Globo (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/TV Foco/GMN/Arquivo)

Áudio de 2009 foi resgatado por nova série documental do G1, da Globo; ex-jogador do Flamengo teve condicional revogada pela Justiça em 2026

Uma gravação inédita divulgada pela nova série documental de true crime do G1 e do GloboPop resgata a voz de Eliza Samudio, em 2009, expondo as denúncias de ameaças de morte feitas pelo então goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes.

Em suma, um áudio histórico, a jovem relata o ultimato disparado pelo atleta: “Se você for à delegacia ou a qualquer lugar, eu vou atrás de você. Mato você, mato sua família”.

Apenas para contextualizar, um ano antes de seu desaparecimento em 2010, cujo corpo a polícia jamais localizou, a jovem de 25 anos buscou proteção jurídica contra a violência exercida pelo jogador, com quem travava uma disputa judicial pelo reconhecimento da paternidade de seu filho.

Veja o vídeo abaixo:

Tempos de violência

O caso abre o primeiro episódio da produção “História do Crime”.

Os arquivos mostram que, ainda durante a gestação, Eliza formalizou uma denúncia na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) no Rio de Janeiro por agressões físicas.

Leia também

No entanto, a escalada das ameaças culminou em 4 de junho de 2010, quando os comparsas do goleiro:

  • Sequestraram Eliza e o bebê de quatro meses à força de um hotel na Barra da Tijuca;
  • Levaram as vítimas até a residência do jogador no Recreio dos Bandeirantes.

Policiais militares executaram a abordagem de:

  • Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão;
  • Por um primo de Bruno, menor de idade na época.

Investigações apontam que, no interior do veículo, a jovem sofreu agressões que resultaram em um ferimento na cabeça.

O sequestro e a execução em Minas Gerais

De acordo com as apurações, dias após o cárcere inicial em território fluminense, comparsas transportaram as vítimas compulsoriamente para o sítio de propriedade de Bruno em Esmeraldas (MG).

Inclusive, essa viagem contou com a participação de Fernanda Gomes de Castro, namorada do goleiro na ocasião.

Em 10 de junho de 2010, Macarrão e o adolescente conduziram Eliza ao cativeiro final na residência do ex-policial militar Marcos Aparecido dos Santos, o Bola.

O ex-agente asfixiou a jovem e ocultou o cadáver.

O recém-nascido foi inicialmente entregue aos cuidados de Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno, e posteriormente repassado a outros funcionários do sítio.

A polícia localizou a criança em 26 de junho em uma casa em Ribeirão das Neves (MG).

A polícia investigou nove pessoas pelo envolvimento na trama.

Em que situação estão os suspeitos pelo caso Eliza Samudio?

O desdobramento jurídico do caso resultou em penas severas e novas prisões ao longo dos anos:

  • Bruno Fernandes: Condenado em 2013 a 22 anos e 3 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e cárcere privado.

Após progredir para o regime semiaberto em 2019 e obter condicional em 2023, o ex-goleiro teve o benefício revogado pela Justiça em março de 2026 devido ao descumprimento de medidas restritivas.

A Polícia Militar prendeu Bruno Fernandes em São Pedro da Aldeia (RJ) em maio de 2026, após o goleiro passar dois meses foragido:

  • Macarrão: Em 2012, Macarrão confessou participação no crime e apontou Bruno como o mandante, recebendo pena de 15 anos em regime fechado, obtendo progressão para o condicional em 2018;
  • O ex-policial Bola recebeu pena de 22 anos de reclusão;
  • Elenilson da Silva e Wemerson Marques foram condenados por sequestro e cárcere privado da criança;
  • Fernanda Gomes de Castro cumpriu pena alternativa de serviços comunitários;
  • Dayanne Rodrigues foi totalmente inocentada pelo tribunal.

De fato, a Justiça solucionou o caso Eliza Samudio ao identificar, julgar e condenar os responsáveis pelo crime.

No entanto, para a família, o sofrimento só terminará de fato quando a polícia encontrar os restos mortais, permitindo um sepultamento digno.

Mas, para saber mais casos como esse, clique aqui*.

Tópicos nesse artigo: