Guerra do delivery: 99 e Ifood firmam parcerias com gigantes para desbancar nova queridinha

Ifood e 99 food tomam medidas para proteger os seus nichos em delivery contra a crescente de uma nova rival (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Tv Foco/Canva/GMN/Lennita)
Gigante ameaça o delivery brasileiro; Entenda a tecnologia chinesa e as cartadas de mestre do iFood e 99Food para proteger o nicho
O mercado brasileiro de delivery, que anualmente movimenta mais de R$ 100 bilhões, conforme dados do Statista, está sendo redefinido por uma intensa onda de investimentos e manobras estratégicas.
E o epicentro desta turbulência é a chegada da Keeta, braço internacional da gigante chinesa Meituan, a qual prometeu um investimento inicial de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões) no país.
Coincidentemente, ou como parte de uma contraofensiva calculada, a entrada da rival em operação foi imediatamente seguida por dois movimentos sísmicos dos incumbentes, iFood e 99, os quais já buscam reescrever o tabuleiro da disputa em tempo recorde em meio a uma verdadeira guerra silenciosa do setor de delivery.
Com base em dados publicados pelo G1, Forbes e portal Terra, trazemos mais detalhes sobre:
- Embates, parcerias;
- Jogadas gigantes que cada um fez/faz para tentar desbancar essa “nova queridinha” que tem tudo para virar no Brasil.
Uma ameaça tecnológica
Mas o Keeta não é apenas mais um aplicativo; ele representa a chegada de uma tecnologia de ponta, baseada na expertise da Meituan.
Empresa essa que processa bilhões de rotas e pedidos diariamente na China.
Toda essa eficiência algorítmica inigualável para reduzir custos e tempos de entrega acabou atraindo 120 mil entregadores cadastrados em sua fase piloto (lançada em Santos e São Vicente).
Para o líder de mercado, iFood, que detém mais de 80% de participação, a Keeta é uma ameaça existencial no longo prazo.
O foco de Meituan em subsídios e tecnologia de otimização de rotas poderia, rapidamente, erodir a base de restaurantes e a percepção de valor dos consumidores.
Uma cartada de mestres
O maior sinal de que a Keeta foi o estopim de uma reação coordenada ocorreu com a parceria anunciada entre o iFood e a Uber.
Em meados de novembro de 2025, na mesma janela da ofensiva de Keeta, iFood e Uber se uniram pelos aplicativos.
Esta não é uma mera cooperação, mas uma troca estratégica de verticais que fortalece o domínio de ambos em seus respectivos segmentos:
- O iFood passa a oferecer mobilidade (corridas da Uber) dentro de seu próprio app, enquanto a Uber reincorpora entregas de refeição (via iFood) em seu ecossistema;
- Isso solidifica a proposta de “super app” e elimina a possibilidade de a Uber, que encerrou o Uber Eats em 2022 no Brasil, retornar ao delivery de forma isolada, sendo agora parceira do iFood;
- Além disso, Lançaram uma assinatura unificada (R$ 21,90) com fretes grátis e descontos, elevando o custo de troca (switching cost) para o consumidor.
- Esta é uma manobra de retenção massiva para fidelizar milhões de usuários antes que Keeta ou 99 consigam penetrar significativamente nessa base.
O CEO do iFood, Diego Barreto, insiste que a parceria foi planejada há meses e não é uma reação direta à concorrência.
No entanto, o timing do anúncio serve perfeitamente ao propósito de desviar a atenção e mudar o foco do debate de “quem tem a melhor tecnologia de delivery” para “quem oferece o melhor ecossistema de serviços no Brasil”.
Uma ofensiva disfarçada
Simultaneamente à manobra do iFood, a 99Food ataca diretamente o modelo de negócio do iFood e, por tabela, desestabiliza o mercado para a Keeta, unindo-se igualmente a gigantes, mas não empresas, e sim ideias ousadas, como:
- Taxa Zero para restaurantes: A 99Food promete eliminar mensalidades e comissões, devolvendo o “poder de preço” aos estabelecimentos. Essa é uma isca poderosa para restaurantes saturados pelas altas taxas do iFood, forçando o líder a rever sua estrutura de custos ou perder parceiros;
- Incentivo ao entregador: Com um ativo estratégico de 700 mil motociclistas, a 99 prometeu ganhos de até R$ 250 por dia para entregadores que completarem cotas de corridas e entregas de comida. Isso garante uma base logística robusta e desvia a força de trabalho que Keeta e Rappi tentam desesperadamente recrutar.
Enquanto o iFood aposta na fidelização de ecossistema, a 99Food aposta na guerra de preços e na atração de parceiros (restaurantes e entregadores).
O que acaba tornando a vida da Keeta – que precisa construir sua rede do zero – infinitamente mais difícil.
É verdade que existe um embate judicial entre a Keeta e a 99 Food?
Sim, de acordo com informações de O Globo e Terra, a Keeta acusa a 99Food de práticas anticompetitivas.
Em suma, ela alegou que a rival:
- Chegou a ofertar grandes somas em dinheiro em pagamentos antecipados a redes de restaurantes em troca de contratos de exclusividade;
- O que dificultaria a entrada da Keeta no mercado brasileiro.
Além disso, decisões judiciais de primeira instância consideraram essas cláusulas ilegais e violadoras da livre concorrência.
Mas a 99Food recorreu e, em alguns casos, obteve vitórias temporárias revertendo as decisões.
A Keeta também processou a 99Food pelo uso indevido da palavra-chave “Keeta” em anúncios patrocinados no Google Ads:
- Ao pesquisar “Keeta”, os usuários eram direcionados para a 99Food.
Tanto é, que em novembro de 2025, a Justiça de São Paulo condenou a 99Food:
- Por concorrência desleal nesse caso específico;
- Ainda determinou uma indenização de R$ 100 mil à Keeta;
- Além de proibir a prática.
Tudo isso mostra a disposição dos incumbentes em usar todos os recursos para impedir que a Keeta replique o crescimento meteórico da Meituan no Brasil.
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