
As três provas de ontem, que classificaram os quatro finalistas de “Hipertensão”, foram arrebatadoras. Só não podia ter medo de bichos peçonhentos (cobra, rato, baratas e que tais), nem medo de afogamento e ainda saber dirigir um carro em apenas duas rodas. Coisa básica.
O estudante carioca Ramon (23 anos) era o único que já estava classificado para a final. Faltava definir os outros três. Competiam a judoca pernambucana Larissa (24 anos), a produtora de moda paulistana Marina (30 anos), o operador da bolsa de valores, também carioca, Mauro (31 anos) e, pela repescagem – no voto dos eliminados, o analista de sistemas Joe (35 anos) – ele também do Rio de Janeiro.
O nome oficial da prova era “Câmara da Tortura”, mas bem poderia ser “Quartinho dos Horrores”. Um pequeno espaço hermeticamente fechado, totalmente no escuro, cheio de teias de aranhas, com caixas onde estavam as chaves que deveriam abrir o cadeado da porta da saída.
O detalhe é que dentro das caixas havia “cobras e lagartos”, literalmente. Em outras tinham aranhas enormes, diversos ratos e ainda um balde com larvas. Só uma dessas chaves abriria a porta. A que estava na caixa das cobras, mas eles não sabiam. Haja sangue frio. Quem vencesse essa primeira prova também já estaria na final.
Larissa entrou arrepiada. Pisando em ovos, para não dizer em “ratos”, ela foi direto para a caixa das cobras, sem saber que estava acertando o alvo. Logo que colocou a mão sobre uma grande cobra que deslizava caixa adentro, teve a reação imediata de retirá-la. Respirou fundo umas três vezes. Recolocou a sua mão na caixa e só a retirou com a chave entre os dedos. Voltou até a porta pulando obstáculos invisíveis. Abriu a porta e saiu. Tornou-se finalista. Eita menina porreta!
O interessante é que Marina tinha conseguido pegar a chave certa também de primeira. Apenas esqueceu-se de girar a maçaneta da porta. Por isso não ganhou a prova. Não era o seu dia de sorte.
Os três candidatos restantes, Joe, Mauro e Marina – foram para a outra eliminatória. “Plataforma sufocante” – eu já chamaria de “Aflição Aquática”. Os participantes eram presos numa prancha de acrílico com cadeados nas pernas e em um dos braços. Enquanto a tal prancha girasse dentro da água, eles teriam que se soltar o mais rápido possível. Joe foi o mais ligeiro. Tornou-se finalista. Sortudo – além de voltar para o jogo, foi direto para a final!
Mauro foi quem realmente passou por uma grande aflição nesta prova. Ficou preso por um dos pés e teve que pedir a ajuda da produção, que o retirou da água prontamente.
Mas ainda não tinha acabado. Eu já estava debaixo do edredon, abraçado no meu cachorro e assistindo a televisão com um olho só – isso já desde os “bichos peçonhentos”. Na prova da água, só entraria com três tubos de oxigênio!
E lá veio o desafio derradeiro, para definir quem seria o quarto finalista: Marina ou Mauro.
“Pilotando no Limite”, foi o nome pomposo que deram para a prova. “Deus me Ajude e a Ti Não Desampare”, creio que seria o mais adequado. Ora, tratava-se de pilotar um carro, subir numa rampa que o deixaria em duas rodas, para derrubar bandeiras que estavam colocadas nessas rampas. Detalhe: as rampas estariam em movimento, pois ficavam na lateral de um grande caminhão! Baba!
Mauro conseguiu tombar nove, das dez bandeirolas. Marina tombou ela própria! Na segunda ou terceira investida para cima do caminhão, a produtora de moda paulistana capotou o carro. Chegou a ficar alguns segundos de cabeça para baixo, depois o carro virou de lado e a produção correu para retirá-la. Claro que as provas são testadas e aprovadas por profissionais e não oferecem nenhum risco aos competidores. A produção alerta e eu reitero: não tentem fazer isso em casa! Eu, hein?!
Ramon, Mauro, Joe e Larissa são os finalistas de “Hipertensão” e estão concorrendo aos R$ 500,000,00. Êta dinheirinho suado!
