Fernanda Montenegro como a Mercedes em O Outro Lado do Paraíso (Foto: Globo/Raquel Cunha)

Fernanda Montenegro como a Mercedes em O Outro Lado do Paraíso
(Foto: Globo/Raquel Cunha)

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A atriz Fernanda Montenegro é considerada por muitos a maior atriz em atividade na teledramaturgia brasileira. Com um currículo mais que invejável, ela continua firme e forte na carreira aos seus 88 anos como a Mercedes na novela O Outro Lado do Paraíso. Acostumada com a fama e o assédio que recebe há muitas décadas, a atriz revelou que ser famosa não tem só lado bom. Em entrevista concedida ao jornalista Leo Dias, Fernanda contou como lida com a fama e ainda revelou o lado ruim de ser conhecida.

Você luta para fazer uma profissão e depois essa profissão te traz prestígio. Esse prestígio pulsa, tem solicitações de toda ordem, você sobrevive com duras penas. Essa glória é estranha. Às vezes, as pessoas pensam que quando você chega nessa glória, tudo vai ser fácil. Mas não é. Todo dia é um recomeço. O lado ruim da fama é a gente acreditar nela. Quem acredita na fama está perdido, vira massa de manobra, tem que estar alerta”.

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Vivendo um período em que o feminismo está em alta entre a classe artística, Fernanda acredita que a dramaturgia ajudou o movimento.

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“Eu acho que a batalha do feminino é importante, somos todos criaturas, independente de sexos. Eu tenho muito isso dentro de mim. Durante séculos, as mulheres não iam para a cena e a partir do momento que as mulheres vieram para a cena, foi um dos maiores ganhos do feminismo. Na cena, ela pode ser melhor que o homem, ele pode ser melhor que ela. O teatro necessita desse choque, da crise, da sexualidade. Em princípio, o espaço da existência teatral não tem sexo. Mas imagina isso nos velhos tempos, em que você não votava, uma viúva não podia chegar na janela sozinha, uma jovem tinha que ser virgem. Isso tudo já foi vencido”, disse.

Questionada se traria de volta ao mundo o marido, Fernando Torres, Fernanda respondeu sem pestanejar: “Ah, traria! Sem dúvida, traria o Fernando porque foram 60 anos de vida com muita cumplicidade, não só da porta de casa para dentro, mas principalmente na nossa profissão. Na potência que ele tinha, como homem de teatro, é marcante. Enquanto ele viveu, ele foi do teatro, da coxia até o espectador. Quando ele morreu, eu assumi isso durante um tempo, depois a vida me levou para o cinema e para a televisão. Mas se eu tivesse que fazer uma chamada de companhia eterna, seria o Fernando”.

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