INSS acelera força-tarefa nacional e movimenta bastidores para antecipar pagamento de R$ 1.621 aos beneficiários em 2026

O Instituto Nacional do Seguro Social, conhecido por INSS, colocou em prática uma operação nacional para acelerar a análise de milhares de pedidos de salário-maternidade que estavam parados há mais de 30 dias em todo o país. A iniciativa ganhou força justamente no mês de maio de 2026 e chamou atenção porque envolve diretamente um dos benefícios mais importantes da Previdência Social para famílias que acabaram de receber um filho ou passaram por processos de adoção.

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Segundo dados oficiais divulgados pelo próprio instituto e confirmados por reportagens publicadas neste fim de semana, a meta da operação é analisar 61 mil requerimentos ainda neste mês, número que representa aproximadamente 32% de toda a fila existente atualmente para esse tipo de benefício.

O movimento recebeu o nome de Ação Nacional de Mobilização de Análise Especializada de Salário-Maternidade, cuja sigla ficou “MAES”, em uma referência direta ao Dia das Mães, celebrado no domingo, 10 de maio.

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Salário-maternidade - INSS (Foto: Reprodução)
Salário-maternidade – INSS (Foto: Reprodução)

O trabalho começou oficialmente na sexta-feira, dia 8, e segue até 22 de maio. A medida surge em um momento de forte pressão sobre o sistema previdenciário, principalmente após mudanças nas regras de concessão definidas pelo Supremo Tribunal Federal, o STF, que é a mais alta Corte do país e responsável por julgar temas ligados à Constituição. Essas mudanças ampliaram o acesso ao benefício e provocaram um aumento expressivo na quantidade de pedidos protocolados em todo o Brasil.

Força-tarefa do INSS

Na prática, a força-tarefa chega para tentar destravar um gargalo que vinha preocupando segurados, especialistas em direito previdenciário e até técnicos do próprio governo. O salário-maternidade passou a ocupar uma posição central dentro das discussões sobre filas do INSS porque o número de concessões praticamente dobrou em apenas um ano.

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Dados oficiais mostram que, em janeiro do ano passado, o instituto autorizou 48.888 benefícios desse tipo. Em dezembro, esse número saltou para 94.708. Ao mesmo tempo, os requerimentos também cresceram em ritmo acelerado. O volume saiu de 115.982 pedidos em janeiro para 161.590 solicitações em novembro. Esse crescimento ocorreu depois de decisões do STF que retiraram barreiras relacionadas ao tempo mínimo de contribuição para algumas categorias de seguradas.

INSS - (Foto: Divulgação)
INSS – (Foto: Divulgação)

Em termos simples, isso significa que mais mulheres, trabalhadoras autônomas, microempreendedoras individuais e até pessoas em situação de desemprego passaram a ter mais facilidade para comprovar o direito ao benefício, desde que mantenham a chamada qualidade de segurada, expressão usada pela Previdência para identificar quem continua protegido pelo sistema previdenciário mesmo sem estar contribuindo naquele momento.

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O aumento na demanda gerou impacto direto nas filas e obrigou o instituto a montar uma resposta emergencial.

O que é o salário-maternidade?

Muita gente conhece apenas a licença-maternidade oferecida pelas empresas, mas existe uma diferença importante. A licença é o período de afastamento do trabalho. Já o salário-maternidade é o benefício financeiro pago durante esse período. No caso do INSS, ele pode ser concedido em situações de nascimento de filho, adoção, guarda judicial para fins de adoção, parto de natimorto ou aborto previsto em lei.

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O benefício também pode alcançar homens em situações específicas, como adoção ou falecimento da segurada. A duração mais comum é de 120 dias, ou seja, quatro meses completos. Em casos de aborto espontâneo ou previstos em lei, o prazo costuma ser de 14 dias, conforme avaliação médica.

Em 2026, outro detalhe chama atenção. O valor mínimo do benefício acompanha o salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621. Por isso, muitos segurados passaram a ver chamadas como “R$ 1.621 na conta” associadas à antecipação ou liberação desse pagamento.

Dependendo da categoria do trabalhador e do histórico de contribuição, o valor pode ser maior, chegando ao teto previdenciário em alguns casos específicos. Para trabalhadoras com vínculo formal pela CLT, a Consolidação das Leis do Trabalho, o pagamento costuma acompanhar a remuneração habitual. Já para contribuintes individuais, MEIs e facultativas, o cálculo pode considerar a média das contribuições feitas ao sistema.

A mudança nas regras começou a produzir efeitos concretos ainda em 2025, quando o INSS passou a seguir decisões relacionadas às Ações Diretas de Inconstitucionalidade, conhecidas pela sigla ADI. Esse tipo de processo serve para verificar se determinada regra está ou não de acordo com a Constituição.

No caso do salário-maternidade, as decisões abriram espaço para flexibilizar exigências de carência. Carência, no universo previdenciário, é o número mínimo de contribuições exigidas para liberar determinado benefício. Com a flexibilização, mais pessoas passaram a ter acesso ao pagamento.

Salário-maternidade (Imagem Reprodução Internet)
Salário-maternidade (Imagem Reprodução Internet)

Enquanto a operação MAES acontece, especialistas orientam que segurados acompanhem seus pedidos pelo aplicativo ou portal Meu INSS. O serviço funciona de forma digital e permite consultar andamento, anexar documentos e responder exigências feitas pelo instituto. Quem não tem acesso à internet também pode usar a Central 135, canal oficial de atendimento do órgão.

O governo ainda não informou se a força-tarefa poderá ser ampliada após o dia 22 de maio, mas os números atuais mostram que a pressão sobre o sistema continua alta. Além do aumento nos pedidos, o crescimento das concessões também acendeu alerta nas contas públicas. Projeções da Previdência apontam impacto bilionário nos próximos anos caso a tendência permaneça no mesmo ritmo.

Por enquanto, o foco do INSS está claro: reduzir a fila, acelerar análises e evitar que mães, pais adotantes e demais segurados fiquem meses esperando um recurso que, muitas vezes, representa a única renda da família nos primeiros dias após a chegada de uma criança.

O resultado dessa mobilização deve começar a aparecer nas próximas semanas, quando os primeiros lotes analisados pela operação MAES forem oficialmente concluídos.