O fim de uma era de 161 anos após intervenção do Banco Central e crise

Após 161 anos de história, com intervenção do Banco Central, um dos bancos mais tradicionais do país encerrou definitivamente suas atividades, marcando o desfecho de uma crise que abalou sua estrutura e colocou fim a uma trajetória que atravessou gerações.

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A intervenção do Banco Central, motivada pela perda de liquidez e pela instabilidade administrativa, representou o último capítulo de uma instituição que já ocupou posição de destaque no sistema financeiro.

Banco Econômico: A longa trajetória até o colapso

Para começar, o Banco Econômico, fundado em 13 de julho de 1834, em Salvador, surgiu como Caixa Econômica da Bahia, tornando-se mais tarde o banco privado mais antigo do Brasil.
Ao longo das décadas, o banco passou por reestruturações, incorporações e mudanças estratégicas que redesenharam sua atuação no mercado. Entre elas, destacou-se a incorporação do Banco Meridional, em 1968, que ampliou sua presença no país.

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As mudanças e o comando de Ângelo Calmon de Sá

Em seguida, durante a década de 1970, o comando de Ângelo Calmon de Sá impulsionou a instituição em direção a uma expansão mais agressiva.
Ainda nesse período, a tentativa de adquirir o Banco da Bahia poderia ter colocado o Econômico entre os maiores bancos do país. Entretanto, a operação fracassou quando o Bradesco concluiu a compra, deixando o Econômico com recursos imobilizados e pouca capacidade de resposta financeira.

Primeiros sinais de alerta e a piora da situação

Logo depois, a partir de 1989, o Banco Central identificou gestão temerária, concessões de empréstimos irregulares e falta de transparência nas operações da instituição.
Mesmo com relatórios recomendando intervenção imediata, decisões práticas foram adiadas devido à forte influência política da cúpula do banco.

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A chegada do Plano Real e o início do colapso

Posteriormente, com a implantação do Plano Real, em 1994, a instabilidade ganhou força.
As mudanças econômicas reduziram drasticamente a capacidade de defesa do Banco Econômico, que já enfrentava problemas internos graves. Em agosto de 1995, ocorreu a tão esperada intervenção do Banco Central, confirmando o que o mercado já vinha antecipando.

Irregularidades, liquidação e o fim da instituição

Na sequência, durante o processo de intervenção, surgiram diversas irregularidades, incluindo empréstimos a empresas recém-criadas por ex-funcionários e financiamentos internos que colocaram a instituição ainda mais próxima da falência.

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Em 1996, o banco entrou em liquidação extrajudicial. Parte dos seus ativos e passivos migrou para o Banco Excel, que, depois, se uniu ao Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) e, em 2003, acabou incorporado pelo Bradesco.

O ex-controlador Ângelo Calmon de Sá respondeu posteriormente por gestão fraudulenta.

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Linha do tempo dos principais acontecimentos

Logo após o encerramento das atividades, os marcos da história do banco ganharam ainda mais destaque:

  • 1834: Fundação como Caixa Econômica da Bahia.
  • 1910: Aquisição pelo banqueiro Francisco Marques de Góis Calmon.
  • 1968: Incorporação do Banco Meridional.
  • 1995: Intervenção decretada pelo Banco Central.
  • 1996: Liquidação extrajudicial e transferência de ativos.

Mais recentemente, em outubro de 2022, após 26 anos em liquidação, o BTG Pactual adquiriu o Banco Econômico e renomeou a instituição como Banco BESA S.A., abrindo um novo capítulo para a marca.

A importância do Banco Central

Para continuar, vale lembrar que o Banco Central do Brasil atua para garantir a estabilidade da moeda e o bom funcionamento do sistema financeiro.
Entre suas funções, estão:

  • Emissão de moeda
  • Controle da inflação, por meio da taxa Selic
  • Supervisão das instituições financeiras
  • Administração das reservas internacionais

Além disso, esse conjunto de responsabilidades mantém a economia em equilíbrio e protege o país de instabilidades maiores.

O que a queda do Banco Econômico deixa de lição?

Por fim, a queda do Banco Econômico mostra como falhas de governança, decisões arriscadas e atrasos na fiscalização podem destruir instituições centenárias.
Além disso, o caso reforça a importância de práticas claras, gestão responsável e acompanhamento constante em um setor tão sensível quanto o financeiro.

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