Jô Soares antigamente tinha a noite livre para apresentar o seu talk show sem se preocupar com a concorrência, mas as coisas mudaram neste ano de 2014. Agora o “Programa do Jô” disputa a preferência do público com dois programas do gênero, o “The Noite”, do SBT, e o “Agora é Tarde”, da Band.
O apresentador da Globo diz não se importar muito com os concorrentes, e chega até mesmo a esnoba-los em dizer que ainda não os assistiu porque também está trabalhando.
Jô também revela que não pretende se aposentar agora da profissão e que ainda quer trabalhar por mais 25 anos. Confira na íntegra a entrevista realizada pelo Notícias da TV:
Quando se fala em talk show no Brasil nas últimas duas décadas, se pensa em Jô Soares. Danilo Gentili chegou a fazer uma pegadinha, dizendo que ele queria que o programa dele se chamasse Jô Soares Onze e Meia com Danilo Gentili. Como você está vendo esse momento com três talk shows no fim de noite?
O meu trabalho eu faço. Não tenho nem que falar de trabalhos alheios, não tenho o que falar. Eu acho que cada um faz o seu, faz o melhor que sabe ou o melhor que pode e tudo bem. É como querer comparar novelas diferentes. Porque talk show, até falei isso na estreia, desde que duas pessoas estavam conversando e uma estava assistindo já existia talk show. Não há uma grande novidade.
Quanto a ter dois, ou três ou quatro, já teve, isso não é a primeira vez. Já teve Clodovil, Otávio Mesquita, teve vários, não tem porquê tanta novidade a ser discutida. E também tem uma coisa: no meu trabalho, eu não discuto nunca, eu faço. O negócio é fazer. Não tenho muito o que discutir. Quanto mais talk show tiver, melhor para todo mundo. O bom é exatamente a possibilidade de existir mais trabalho.
Então você vê com bons olhos esse momento com três late night shows no mesmo horário?
Depois que comecei a fazer o meu, e o meu se firmou em um horário específico, ficou mais óbvio quando surge mais um, mais dois ou mais três. O Amaury Jr. o que era? Era um talk show. Ferreira Neto tinha um formato de talk show, de mesa e convidados. O que diferencia um talk show do outro é a pessoa que está atrás da mesa, que dá o perfil de ser de um jeito ou de outro. Por isso que, no mundo inteiro, não existem dois talk shows iguais. A frase nem é minha, é do Johnny Carson (1925 – 2005), que ficou 35 anos no ar. O que diferencia é a pessoa que está atrás da mesa e o convidado, sempre. Às vezes é o mesmo convidado que conta uma história que você não tinha a menor ideia.
Você chegou a assistir ao Danilo Gentili e o Rafinha Bastos?
Não. Eu conheço os dois, claro, mas ainda não assisti porque eu também estou trabalhando, então ainda não tive a oportunidade de assistir. Transfere isso para novela ou noticiário, não é pelo fato de estar fazendo alguma coisa que você tem que assistir. Claro que, eventualmente, eu vou assistir, não tenho o menor problema quanto a isso. O importante é saber cuidar sempre do seu trabalho, do que você está fazendo. Voltei na estreia fazendo um furo de reportagem com o Henrique Capriles, líder da oposição na Venezuela. Foi noticiadíssimo no mundo todo. Essas coisas realmente fazem a diferença, estar preocupado e ocupado com aquilo que você faz.
Notícias da TV – Você fez 25 anos de talk show em 2013. Você já pensa em se aposentar?
Acho que daqui uns 25 anos (risos). O trabalho que se faz com prazer deixa de ser trabalho. Enquanto puder, se tiver mais 25, eu agradeço. Mas se não for 25, se for mais 20, tudo bom.
