Jô Soares resolveu se desculpar após entrevista tensa que realizou em seu programa na última segunda-feira (11) com os autores do livro “Mascarados – A Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc”.
O pedido de desculpas do apresentador, feito por telefone, foi revelado por Bruno Paes Manso em sua página oficial no Facebook. Em publicação, Brunou revelou que o apresentador ligou pessoalmente para pedir desculpas:
“Olha só, pessoal, só vou aqui fazer um registro que eu acho justo. Ontem à noite eu estava bebendo no bar com um colega quando tocou o meu telefone. Era o Jô Soares (achei que era trote, SQN)”, escreveu.
“Ele pediu desculpas pela entrevista, disse que não tinha dado tempo para a gente responder… Fiquei até sem graça. Falei que não precisava se desculpar e tal. Quem nunca viajou numa conversa, afinal? Quantas vezes eu mesmo não fui despreparado para um entrevista? Enfim, ele foi bem gentil e percebeu que errou. E nem precisava me ligar, mas ligou. Acho legal contar isso aqui, mesmo porque eu sou um advogado de defesa frustrado que seguiu outra carreira”, completou Manso.
Além de Bruno, Jô recebeu no talk show a socióloga Esther Solano e o jornalista Willian Novaes, que também escreveram o livro. Logo nos primeiros minutos, o apresentador questionou a socióloga sobre sua motivação para pesquisar sobre um tema “tão tenebroso” e chegou a associar o movimento black block aos regimes fascista e nazista, relatando que, em uma destas manifestações, viu pessoas com a suástica – “o símbolo mais terrível da história da humanidade” – tatuada nas costas.
Entenda o caso:
A socióloga Esther Solano e os jornalistas Bruno Paes Manso e Willian Novaes foram ao programa falar o sobre o livro “Mascarados: A verdadeira história dos adeptos da tática black bloc”, e ele perguntou o motivo da escolha de um tema “tão tenebroso”.
Ela argumentou que o assunto “não era tão tenebroso assim” e que, durante dois anos de pesquisa, não havia encontrado nenhum manifestante com discurso totalitário. Jô disse então ter visto black blocs trajando estampas da suástica, ícone do nazismo.
“Por um [indivíduo] você não pode intitular o resto, né? Um não é massa”, rebateu ela. “Mas você tirou de letra, né? Levou bomba, gás, foi almoçar com eles…”, ironizou ele, sendo corrigido pela convidada, fazendo com que o clima ficasse bastante tenso.
Irritado, Jô mencionou o caso do cinegrafista Santiago Andrade, morto em 2014 após ser atingido por um rojão enquanto cobria manifestações. “E o jornalista que morreu com essa violência? Tudo bem?”, perguntou ele, que foi apoiado pela plateia.
Mas ela discordou da comparação. “Você comparar black blocs com a violência nazista me parece que não é honesto. Em um estamos falando de violência contra objetos, em outro, de um extermínio. Acho que não é equilibrado.”, disse ela, mas ele pediu para não ser interrompido.

