Foto: Filipe Araújo/AE

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O mês de fevereiro de 2010 foi marcado pela queda de um helicóptero da Record no Jockey Club de São Paulo, que na época, foi registrada pela Globo. Agora, sete anos depois, o relatório do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) revela que esse acidente foi causado pela falta de inspeções rotineiras.

Ele foi consequência de uma instalação incorreta de peças no rotor da cauda da aeronave, e acabou matando o piloto Rafael Delgado Sobrinho. Um mecânico citado no texto do Cenipa afirma que o erro é tão “grosseiro” que seria impossível não notá-lo em inspeções usuais, de acordo com informações do colunista Daniel Castro.

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As checagens não eram realizadas com a frequência necessária, e os registros apontam que a Helibras, empresa responsável pela manutenção da aeronave, dava um “jeitinho” para marcar diversas vistorias rotineiras de uma só vez.

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“Foi constatado que o operador do helicóptero tinha por conduta parar a máquina apenas para fazer as inspeções de 100 horas e, nessa oportunidade, eram cumpridas as demais”, informa o laudo. Não havia registro de realização das inspeções pré-voo, inter-voo e pós-voo no diário de bordo da aeronave, aponta o laudo.

Por fim, a lavagem do compressor do helicóptero após todos os dias de uso, indicada no manual de manutenção do motor, também não havia sido anotada. “Elas não eram cumpridas; ou, pelo menos, não eram registradas conforme previsto”, informa o documento, finalizado em abril do ano passado, mas inédito até agora.

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A falta de manutenção teria sido um dos fatores que contribuíram para a queda da aeronave, assim como a cultura dos pilotos de pensarem que a falta de inspeções diárias não traria maiores problemas. No dia anterior ao acidente, o piloto Rafael Delgado havia dito que teve dificuldades para pousar o helicóptero, mas foi ignorado.

A reclamação não foi anotada e não houve verificação preventiva para definir as causas do problema. Na época, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que tanto os documentos quanto as vistorias do helicóptero, chamado pela emissora de Águia Dourada, estavam em dia, mas essa investigação mostra o contrário.

O tripulante Rafael Delgado Sobrinho morreu na hora, e o cinegrafista Alexandre da Silva Moura, o Borracha, que também estava no helicóptero, passou 44 dias internado no hospital antes de receber alta e retomar a rotina. Agora, ele segue no mercado de filmagens aéreas, mas trabalha apenas com drones.

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A assessoria de comunicação da Aeronáutica informou que a investigação não buscava culpados pelo ocorrido, mas dados para tornar a aviação mais segura. O acidente ganhou grande projeção porque foi filmado pelo Globocop, quando seu piloto pousou a aeronave e tentou socorrer o colega.

Baixe aqui o PDF do relatório investigativo.