É lei: Salário mínimo de R$4750 é definido a esses trabalhadores no Brasil

Lei garante salário mínimo de R$ 4.750 para estes trabalhadores e redefine remuneração em todo o Brasil; veja todos os detalhes

02/06/2026 às 20:00 · Tempo de leitura: 6 minutos

Ilustração salário mínimo e carteira de trabalho (Foto: Montagem TV Foco / GMN)

Salário mínimo de R$ 4.750 é definido por lei para estes trabalhadores e muda realidade de milhares no Brasil

Uma lei federal em vigor no Brasil determina que enfermeiros recebam pelo menos R$ 4.750 como piso nacional da categoria. A regra surgiu após anos de mobilização dos profissionais da saúde e representou uma das maiores conquistas da enfermagem brasileira. No entanto, mesmo com a legislação aprovada e válida desde 2022, muitos trabalhadores ainda relatam dificuldades para receber os valores previstos.

O tema continua no centro dos debates políticos, jurídicos e trabalhistas, chegando frequentemente ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos últimos meses, parlamentares voltaram a cobrar providências para garantir que a norma seja cumprida em todo o país. O assunto ganhou força novamente após declarações do deputado Bruno Farias, que alertou para a possibilidade de uma greve nacional caso governos e empregadores continuem descumprindo a legislação.

A lei que criou o piso nacional da enfermagem estabeleceu o valor de R$ 4.750 para enfermeiros. Além disso, definiu valores proporcionais para técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras. A medida nasceu com o objetivo de valorizar profissionais que atuam diariamente em hospitais, postos de saúde, clínicas e unidades de atendimento espalhadas pelo Brasil. Durante a pandemia de Covid-19, a população acompanhou de perto a importância desses trabalhadores, o que aumentou a pressão pela criação de uma remuneração mínima nacional.

Lei do Salário piso de Enfermagem (Foto: Divulgação)

Apesar disso, a implementação encontrou obstáculos ao longo dos últimos anos. Diversos estados, municípios e instituições privadas alegaram dificuldades financeiras para arcar com os custos da nova regra, o que gerou questionamentos judiciais e decisões que ainda provocam discussões sobre a forma correta de aplicar o piso.

Na prática, existe uma lei que garante esse valor mínimo para a categoria. Porém, nem todos os profissionais recebem o que está previsto. Relatos apresentados em audiências públicas realizadas na Câmara dos Deputados apontaram atrasos, descontos considerados indevidos e até mecanismos utilizados por algumas instituições para evitar o pagamento integral do benefício. Representantes da enfermagem afirmaram que muitos profissionais continuam recebendo quantias abaixo do que a legislação determina.

O debate voltou ao noticiário em maio de 2026. Durante entrevista concedida no Dia Internacional da Enfermagem, o deputado Bruno Farias afirmou que o principal objetivo da categoria continua sendo o cumprimento integral do piso nacional. Segundo ele, diversos órgãos públicos e empresas privadas ainda deixam de aplicar corretamente a legislação. O parlamentar também fez um alerta contundente sobre a possibilidade de paralisações em todo o país caso a situação não avance.

“Nós não vamos aceitar isso e eu já vou logo dizendo à população brasileira que, se o governo federal, os estados e os municípios não ajudarem a categoria, nós vamos ter que fazer uma greve nacional, porque não é fácil o que um profissional de enfermagem passa no seu ambiente de trabalho”, declarou.

Grande parte da discussão atual envolve decisões do STF e interpretações sobre a jornada de trabalho dos profissionais. O Supremo determinou que o piso deve considerar uma carga horária de 44 horas semanais, permitindo ajustes proporcionais para jornadas menores. Além disso, algumas regras específicas foram aplicadas ao setor privado, o que contribuiu para diferentes interpretações e impasses em várias regiões do país.

Outro ponto importante envolve os recursos enviados pelo governo federal. Para ajudar estados, municípios e entidades filantrópicas a cumprirem a lei, a União passou a realizar repasses financeiros. Mesmo assim, representantes da categoria afirmam que ainda existem falhas na distribuição dos recursos e dificuldades na incorporação dos valores aos vencimentos dos trabalhadores. Em algumas localidades, profissionais alegam que o complemento financeiro não chega corretamente ou não é incorporado ao salário-base, o que gera novas reclamações.

Salário mínimo (Foto: Reprodução)

Muitas pessoas se perguntam o que é exatamente um piso salarial. Trata-se do menor valor que uma categoria profissional pode receber legalmente pelo exercício da sua função. Nenhum empregador deveria pagar abaixo desse limite quando a atividade possui um piso definido por lei ou acordo válido. No caso da enfermagem, a legislação estabeleceu esse parâmetro nacional justamente para reduzir desigualdades entre diferentes regiões e garantir maior valorização profissional.

Enquanto o debate continua, entidades representativas da enfermagem seguem pressionando por soluções definitivas. Entre as propostas discutidas está a PEC 19/24, que busca relacionar o piso a uma jornada específica e criar mecanismos de atualização periódica dos valores. Defensores da proposta argumentam que ela poderia reduzir inseguranças jurídicas e facilitar a aplicação da legislação em todo o território nacional.

O fato é que a lei já existe e garante o direito ao piso nacional. No entanto, a discussão sobre o cumprimento efetivo da regra permanece aberta. Profissionais da enfermagem, parlamentares e entidades de classe continuam cobrando medidas para assegurar que o valor previsto na legislação chegue integralmente ao bolso dos trabalhadores.

Enquanto isso, o tema segue em debate nos tribunais, nos governos e no Congresso Nacional, mostrando que a luta pela valorização da categoria ainda está longe de terminar.

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