“Mudanças em minha vida me renovam e me dão mais energia para iniciar um novo projeto.” É com esse pensamento que Lúcia Veríssimo começa a se preparar para protagonizar a próxima novela de Tiago Santiago, Amor e revolução, com previsão de estrear em março do ano que vem, no SBT/Alterosa. Na trama, ela será Jandira, uma guerrilheira que vive um romance com Batistelli, um líder comunista. “Será uma relação bastante conturbada, uma vez que, a qualquer momento, os dois podem ser presos e consequentemente morrer”, acrescenta Lúcia, que estava afastada da televisão há cinco anos. Seu último trabalho foi em América, na Globo.

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Seu desejo de voltar à TV se deve a vários fatores. “Em primeiro lugar, acredito que a história da novela, que aborda a Revolução de 1964, precisa ser contada e recontada várias vezes no Brasil, onde as pessoas infelizmente têm memória curta”, afirma a atriz. Ela diz acreditar que o papel de um meio de comunicação como a televisão deve ser justamente o de passar cultura. “Uma pena que hoje em dia, por conta da audiência, a programação das emissoras tenha sido nivelada por baixo. E eu sempre lutei contra isso.”
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Linguagem moderna

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O modo de escrever de Santiago, autor com quem vai trabalhar pela primeira vez, também chamou a sua atenção. “O texto é escrito de maneira correta e apresenta uma linguagem moderna. Sem contar que a novela vai ter pouquíssimos personagens, o que favorece. Todo o mundo cresce, e os dramas são bem diluídos”, elogia.

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Lúcia afirma que, quando recebeu o convite para protagonizar Amor e revolução, já estava pensando em se mudar e ir morar na capital paulista. “Quando eu estava ensaiando a peça Usufruto, comecei a perceber o dia a dia da cidade e a criar vínculos. Foi quando quis mudar de ares, sair do Rio de Janeiro, que está sendo muito maltratado”, avalia. Mas, em vez do caos da cidade grande, a atriz optou, em São Paulo, por viver em uma fazenda a 28 km do centro. “É fantástico, pois em apenas 15 minutos chego ao SBT.”

Trabalho sem ilusões

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Se forem contabilizados apenas os trabalhos na televisão, 2010 marca os 30 anos de carreira de Lúcia Veríssimo. A marca, invejável para muitos artistas que lutam para entrar no mercado e sobretudo para se manter nele, não provoca ilusão na atriz. “Sou uma mulher moderna, considero-me à frente do meu tempo e não fico pensando muito no que passou. Eu só lamento que a programação televisiva atual não seja melhor do que a dos anos 1980”, opina Lúcia, lembrando o sucesso que Vale tudo (1988) está fazendo atualmente no canal pago Viva.

Lúcia, que estava no elenco de América (2005) quando o telespectador ficou na expectativa de que rolaria um beijo entre os personagens Junior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) – a cena não foi ao ar -, confessa ter ficado revoltada com a decisão da emissora. “Enviei cartas para um monte de gente reclamando.” De qualquer forma, ao olhar para trás, ela, em primeiro lugar, tem a impressão de que o tempo passou muito rápido. Ao mesmo tempo, guarda um sentimento de gratidão por poder viver unicamente da carreira que escolheu ainda criança.

Engana-se, porém, quem pensa que, nos cinco anos longe da televisão, Lúcia tenha ficado parada. No período, ela aproveitou para escrever a sua primeira peça, Usufruto. A montagem, que tem direção de José Possi Neto, mostra o encontro de uma cinquentona com um arquiteto de 30 e poucos anos em um apartamento à venda, onde travam uma intensa conversa sobre amor, ética e paixão.

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