Luto atinge o Brasil com morte de músico conhecido aos 83 anos dentro de casa e repercussão mobiliza fãs e artistas
O Brasil recebeu com LUTO a notícia da morte de Severino Luiz de França, conhecido nacionalmente como Mestre Biloco. Ele morreu na manhã do sábado, dia 11, aos 83 anos, dentro da própria casa, na cidade de Goiana, localizada na Zona da Mata Norte de Pernambuco.
A família confirmou a informação, mas ainda não divulgou detalhes sobre o velório e o sepultamento. A notícia rapidamente ganhou repercussão e gerou comoção entre artistas, pesquisadores e admiradores da cultura popular nordestina.

Mestre Biloco construiu uma trajetória sólida e respeitada ao longo de décadas dedicadas à cultura popular. Ele atuou como maestro, instrumentista e mestre de manifestações tradicionais. Entre elas, destacam-se o maracatu e o frevo, dois dos ritmos mais representativos de Pernambuco.
O maracatu combina música, dança e elementos religiosos de origem africana. Já o frevo se caracteriza pelo ritmo acelerado e pelas coreografias intensas, muito comuns durante o Carnaval. Ao longo da vida, Biloco ajudou a manter essas tradições vivas e acessíveis para novas gerações.
Nascido no Sertão pernambucano, ele chegou ainda bebê à cidade de Goiana, onde construiu toda sua história. Desde cedo, demonstrou interesse pela música. Ainda na infância, improvisou e criou seus próprios instrumentos, o que revelou um talento incomum. Sem acesso a ensino formal, ele aprendeu sozinho.
Esse tipo de aprendizado recebe o nome de autodidata, quando a própria pessoa desenvolve habilidades sem orientação direta de professores. Com o tempo, ele dominou o trombone de pisto, um instrumento de sopro muito utilizado em bandas marciais e orquestras populares.
Quem era Severino Luiz de França?
O ano de 1971 marcou um ponto decisivo em sua trajetória. Nesse período, ele fundou a Ciranda dos Cangaceiros, grupo que se tornou referência e passou a ser considerado o mais antigo em atividade no estado de Pernambuco. A ciranda é uma manifestação cultural típica do litoral nordestino.
Ela acontece em roda, com pessoas de mãos dadas, cantando e respondendo em coro. O ritmo simples e repetitivo facilita a participação coletiva, o que fortalece o senso de comunidade.
Para dar identidade ao grupo, Mestre Biloco se inspirou na figura de Lampião. Lampião foi um dos principais líderes do cangaço, movimento social que ocorreu no Nordeste entre o fim do século XIX e início do século XX.

O cangaço reuniu grupos armados que circulavam pelo interior da região. A estética adotada por Biloco, com referências visuais e simbólicas ao cangaço, ajudou a criar uma marca forte para a Ciranda dos Cangaceiros. Ele manteve essa tradição ativa por mais de cinquenta anos.
Além da ciranda, o artista ue deioxu o Brasil de LUTO, também participou de outras iniciativas culturais relevantes. Ele organizou e liderou uma orquestra de frevo, contribuindo para a preservação desse gênero musical. Também manteve viva a prática da Aruenda, uma manifestação cultural menos conhecida, mas com raízes históricas profundas.
A Aruenda remonta ao período colonial e envolve música, dança e elementos simbólicos ligados à resistência cultural. Ao preservar essas práticas, Biloco atuou diretamente na proteção de tradições que poderiam desaparecer com o tempo.
Brasil de LUTO
Mesmo sem formação acadêmica, ele conquistou reconhecimento entre estudiosos e especialistas. Muitos passaram a considerá-lo um verdadeiro guardião da cultura popular. Esse reconhecimento ocorre quando uma pessoa preserva e transmite conhecimentos tradicionais, garantindo que eles continuem vivos.

Um exemplo disso foi o uso do apito para iniciar as rodas de ciranda. Esse gesto simples virou uma marca registrada de suas apresentações e reforçou sua identidade artística.
A morte de Mestre Biloco encerrou um ciclo importante da cultura popular pernambucana. Ele não apenas se apresentou em palcos e eventos, mas também ensinou, orientou e inspirou novas gerações. Sua atuação ultrapassou a música e alcançou o campo da preservação cultural. Ele deixou um legado construído com dedicação, resistência e paixão pelas tradições nordestinas, mesmo no luto.
A ausência do artista será sentida, especialmente em comunidades que mantêm vivas essas manifestações. No entanto, sua história continua presente nas rodas de ciranda, nas bandas de frevo e na memória coletiva de Pernambuco. O legado de Mestre Biloco permanece como símbolo de identidade cultural e resistência, mesmo com o luto, mostrando que tradições populares seguem vivas quando encontram quem as valorize e transmita.
