“Os homens devem ver o rosto do Rei enquanto batalham.”
Henrique V
Henrique V, Rei da Inglaterra no Século XIV, era conhecido por sua cicatriz.
Uma flecha inimiga havia transpassado seu belo rosto, deixando uma marca eterna abaixo do olho esquerdo.
Durante o conflito, o Rei estava com a viseira do capacete aberta e seus inimigos aproveitaram-se da única brecha da armadura real.
Dias depois, ao ser questionado por sua “irresponsabilidade”, Henrique, serenamente, respondeu:
– Os homens devem ver o rosto de seu Rei durante a Batalha. Se eu esconder meus olhos, por quem lutarão?
***
Henrique não foi o único a se expôr ao risco.
Na Batalha das Máscaras, Lauro César Muniz também o fez.
Ele poderia ter se protegido mais.
Poderia, como tantos de seus colegas, ter brandido a espada do Comum e se protegido com o escudo do Ordinário.
Lauro, no entanto, queria enxergar.
Enxergar um público que estivesse cansado de mocinhos previsíveis e vilões satanizados.
Enxergar pessoas que aceitassem um novo Formato e tivesse paciência de se adequar a ele.
Enxergar telespectadores fiéis às dúvidas e não às certezas.
Lauro, porém, não percebeu que estava olhando para o espelho.
Deu aos seus o que queria para si.
E acabou saindo da guerra cheio de cicatrizes:
Ibope baixo, personagens rejeitados, troca de horários.
Lauro, assim como Henrique, cometeu um erro (?) básico:
Concentrou-se nos que o amavam e se esqueceu dos que o odiariam.
Em seu 1° capítulo, Máscaras ousou convidar ao invés de intimar aqueles que a assistiam.
E o telespectador, desacostumado a pagar ingresso, foi em grande parte seduzido pelo controle remoto.
Henrique queria que olhassem para si.
E para entender Máscaras, é preciso olhar para quem a escreve.
Não é fácil detectar a Ironia e o (saudoso!) Humor Fino que percorre Big Blond e sua desastrada Equipe.
Nem todos entenderão uma mãe que dança com um filho que não existe, tal qual dançamos diariamente com nossas ilusões.
E quantos conseguirão torcer por uma mocinha depressiva, Mal tão temido (e disfarçado) pela nossa Sociedade?
Ah, Lauro! Henrique amava os ingleses e você ama os “lauristas”.
Estes o aplaudem (ouça!), mas não podem impedir que as flechas continuem a voar…

***
Máscaras vale o ingresso. Pena que nem todos estejam dispostos a pagá-lo.
Estão no seu direito, é claro.
Não é errado achar que Máscaras é uma péssima Novela.
Trata-se de um paradoxo:
Máscaras é uma inegável decepção comercial mas também é um delicioso deleite filosófico.
Falhou como Produto, mas encantou como Obra.
***
“Melhor é um cão vivo do que um leão morto.”, escreveu Salomão, um dos mais sábios homens da História.
Melhor é o que temos nas mãos do que aquilo que não mais podemos mais ter.
Máscaras não é perfeita e não pode ser refeita.
Mas está viva e, portanto, resta-lhe Esperança.
A Batalha começou e por mais que a Record esteja ferida, não se deve levantar a bandeira branca.
Por respeito aos soldados que lutam (480.000 lares só na Grande SP), o show não pode parar…
***
Um Rei que se arrisca a defender seus soldados.
Um autor que se arrisca a escrever o que gosta.
Uns os chamarão de otários.
Outros, de visionários.
Seja qual for a Verdade, uma coisa é certa:
Lauro e Henrique são dois guerreiros!

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