(Foto: Divulgação)

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O ator Guilherme Karam, que interpretou diversos personagens de novelas e programas da Globo, faleceu aos 58 anos na manhã desta quinta-feira (07), no Rio de Janeiro.

Karan, que há dois anos estava internado no Hospital Naval Marcílio Dias, na Zona Norte do Rio, era portador da síndrome de Machado-Joseph, doença neurológica degenerativa e rara, que tem como sintomas falta de coordenação, dificuldade em caminhar e desequilíbrio do eixo corporal, além de debilitação da deglutição.

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Miguel Falabella usou seu Facebook para lamentar a morte do amigo. Leia na íntegra:

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“Não sou bom nas despedidas, nunca fui; falta-me o ar, foge-me o texto, invade-me um vazio por dentro, quase um abismo que se abrisse na alma e por onde fossem despencando imagens, objetos, momentos, frases e canções. Sempre que possível, prefiro evita-las. Jogar a dor do adeus para baixo do tapete e passar o resto dos dias como um alpinista doméstico. Sou pródigo em escalar meus sentimentos que andam escondidos por todos os cantos daquilo que chamo lar. Não posso fazer isso hoje, entretanto. Porque hoje se encerra um capítulo de extrema importância em minha vida. E ele tem como título, o nome de seu protagonista: Guilherme Karam. Durante quase uma década nós estivemos juntos no palco, noite após noite, a princípio no pequeno teatro Cândido Mendes em Ipanema (onde chegamos a fazer três sessões no sábado!) e depois cruzando esse imenso Brasil. Eu e Guilherme nos apresentamos em toda parte e vivemos juntos histórias saborosas, cheias de improviso, música e absoluta transgressão. Guilherme, entre tantos talentos, tinha um ouvido espetacular. Era capaz de reproduzir uma frase perfeitamente após ouvi-la. Jacqueline Laurence brincava que ele, ao copiá-la, falava francês sem nenhum sotaque. Lembro-me dos olhos sorridentes em cena, quando nós surpreendíamos um ao outro com um caco jogado em cena, “ainda orvalhado”, como diria Vicente Pereira. Lembro-me de muita coisa. Mas principalmente da química que havia entre nós no palco. O perfeito equilíbrio da comédia, a preparação da piada, o desfecho, a respiração e o tempo precisos. Eu e Guilherme jogávamos muito bem juntos e isso, é claro, será lembrado. Portanto vou contar-lhes um fato que ninguém sabe. Nós ficamos muito próximos durante os ensaios de um musical: “Galvez, o Imperador do Acre”. O espetáculo, salvo engano, consta da lista dos maiores fracassos da história recente do teatro carioca. Ficamos vinte e oito dias em cartaz e nossas perspectivas eram muito ruins, quando fechamos o pano. Eu devia o aluguel, não tinha um centavo, minha mãe estava muito doente e meu pai não podia me ajudar naquele momento. E quem vocês acham que ia me visitar cheio de compras de supermercado (queijo inclusive!) para fazer um lanche? Guilherme Karam. Muitos vão falar do talento, da comicidade, do temperamento, do ritmo, da bela voz, mas eu gostaria de deixar registrado que atravessei uma tormenta sob seu abrigo. Não posso me esquecer da mão que se estendeu quando eu já estava sendo levado pela corredeira. Preciso ir para São Paulo e, provavelmente, não vou me despedir de você. Mas, conhecendo você como eu conhecia, tenho certeza de que você ficaria uma fera se eu fosse ao seu enterro, portanto as despedidas ficam entre nós, meu querido Guilherme. Muito obrigado por tudo. Até pelas nossas inesquecíveis e grandes contendas! Foi uma honra dividir o palco com você por tantos anos. Que você descanse em paz. Tenho certeza de que ainda vamos nos encontrar, sentados numa trave de luz, no urdimento de algum teatro de comédia, comentando a atuação dos colegas lá embaixo. “Ele perdeu a piada” – você me dirá – “mas talvez ainda recupere se for rápido o bastante!” Que pena que para tão grande talento, tão curta a vida! Até um dia, companheiro! PS – A foto ´é do talentoso e querido Ivan Luna”.

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