
Protagonistas de “A Força do Querer” (Foto: Divulgação)
A Globo está mostrando a cidade de Belém em sua atual novela das nove, “A Força do Querer”, e as reclamações já começaram. Isso porque os moradores da capital do Pará questionam as expressões usadas de forma errada por alguns personagens.
O sotaque deles também não é o de lá e a música tema de Ritinha (Isis Valverde) é um forró e não o tecnobrega, que é o grande representante da cultura da cidade. O tanque onde Ritinha se exibe como sereia é no mercado Ver-o-Peso, e lá não há aquário.
Isso também confundiu a cabeça dos moradores. “Os episódios que acontecem no Ver-o-Peso é que estão gerando polêmica. Principalmente porque as pessoas não se reconhecem nas cenas”, diz o professor e pesquisador paraense João de Jesus Paes Loureiro.
“A novela não espera ser documental, mas não deveria fugir a uma lógica entre ficção e realidade. Não se colocaria, por exemplo, o Pão de Açúcar na proximidade dos Andes”, acrescenta. No entanto, há quem desconsidere tudo isso e faça elogios à trama.
“Como paraense, ver a nossa cidade, a nossa paisagem contemplada no horário da emissora que tem mais alcance no Brasil é de uma importância fundamental. Tem esse estranhamento, mas eu me identifico em muitas coisas”, disse o professor e diretor Denis Bezerra.
“Faz parte desse bairrismo disfarçado que existe no Brasil, que não observa com detalhes cada região e suas peculiaridades. Então, para a novela, está tudo bem ter sotaque nordestino porque na generalização é tudo Norte”, conta o cineasta amazonense Sérgio Andrade.
A Globo, por sua vez, em nota, afirma que a novela não se passa exatamente em Belém, mas em uma cidade fictícia chamada Parazinho, além de se tratar de uma história de ficção, sem compromisso de ser fiel com a realidade, segundo a Folha de São Paulo.
“A música tema de Ritinha é ‘Sereia’, de Roberto Carlos. As demais músicas tocadas quando a personagem está em cena fazem parte da trilha da novela, que abrange diversos ritmos brasileiros. Sobre o tanque de água em que Ritinha nada, a cena se passa nos arredores do Ver-o-Peso, não dentro no mercado. É um recurso dramatúrgico que ajuda a contar a história dela”, afirma a Globo.
