Morte de Daniella Perez completa 19 anos; Glória desabafa em seu blog
A carreira:
Daniella Perez demonstrou, desde nova, paixão pelo balé e pela dramaturgia. Na época, sua carreira estava caminhando para o auge. Em 1989 estreou sua primeira novela, “Kananga do Japão”, na Rede Manchete, onde conheceu Raul Gazolla, aquele que viria a ser seu cônjuge anos depois.
O último dia de trabalho:
Daniella Perez gravou sua última cena na tarde do dia 28 de dezembro ao lado de Guilherme de Pádua. Ela e Bira estavam terminando o relacionamento. Assim que a cena chegou ao fim, Guilherme teve uma crise de choro e procurou por Daniella no camarim e lhe entregou dois bilhetes, os quais deixaram a jovem bastante nervosa. Guilherme foi embora. Daniella, como tinha algumas cenas para gravar, continuou nos estúdios.
Guilherme de Pádua deixou os estúdios da Barra da Tijuca e foi até o seu apartamento em Copacabana buscar sua esposa Paula Thomaz. Eles, munidos de um lençol e travesseiro, voltaram à Barra. Paula ficou escondida no carro enquanto Guilherme se encontrava com Daniella e, juntos, saíam do complexo. Eles pararam para tirar fotos com fás e Daniella seguiu com seu Escort, seguida por Guilherme, que estava em um Santana.
Daniella parou em um posto de gasolina para abastecer e, na saída do posto, teve seu carro fechado pelo de Guilherme, que estava a sua espera no acostamento. O casal e a atriz desceram de seus carros. Daniella é atacada por um soco de Guilherme e acaba caindo desacordada. Este ínterim foi acompanhado por dois frentistas do posto em questão. Guilherme colocou o corpo de Daniella em seu carro e passou a direção para Paula. Eles seguiram pela Avenida das Américas e entraram em uma rua deserta, onde pararam em um terreno baldio. Daniella foi apunhalada dentro do carro com estocadas que atingiram o pulmão, coração e pescoço.
Um advogado passava pela região e, desconfiado de que um assalto estivesse ocorrendo, anotou as placas dos carros.
Após a notícia da morte de Daniella ser divulgada, Guilherme de Pádua, que interpretava o Bira, da mesma novela, foi prestar solidariedade a Glória Perez e a Raul Gazolla. Raul, inclusive, teria dito que o ator era um “grande amigo”.
Prisão:
A primeira prisão do assassinato de Daniella Perez ocorreu em apenas 24 horas. A notícia de que Guiherme de Pádua era o assassino chocou todo o Brasil. Ele foi levado à delegacia e, de início, negou envolvimento no caso. Entretanto ele acabou confessando horas mais tarde. Paula chegou a confessar participação no crime mas depois tentou voltar atrás no depoimento. Os dois foram presos no dia 31 de dezembro.
De Corpo e Alma:
O assassinato de Daniella Perez fez com que Glória se ausentasse de “De Corpo e Alma”. Ela foi prontamente substituída por Gilberto Braga e por Leonor Bassères – falecida em 2004. Após uma semana, Glória voltou aos trabalhos e incluiu novos assuntos no roteiro, como a morosidade da Justiça Brasileira e fez severos questionamentos ao Código Penal brasileiro. A última cena de Daniella foi ao ar no capítulo do dia 19 de janeiro de 1993. Assim que a novela chegou ao fim, os atores e o diretor Fábio Sabag – falecido em 2008 prestaram uma homenagem à moça. Curiosamente, esta foi a última novela que Sabag dirigiu.
A saída de Yasmin foi explicada com uma viagem de estudos. Bira, por sua vez, não teve desfecho.
Emenda:
A indignação de Glória Perez, que se estendia a todo o Brasil, fez com que a autora levasse a diante a iniciativa de alterar a Lei dos Crimes Hediondos. Graças às mais de 1 milhão de assinaturas, o homicídio qualificado (praticado por motivo torpe ou fútil ou com crueldade) passou a ser incluído no rol de crimes hediondos. Assim sendo, tal prática não era mais passível de pagamento de fiança e passou a ser exigido um tempo maior para que a progressão de pena para o regime semi-aberto pudesse ser feita.
Condenação:
Guilherme de Pádua foi julgado em janeiro de 1997. O júri condenou o ator por 5 votos a 2. O juiz José Geraldo Antônio sentenciou Guilherme a 19 anos de prisão. Já em maio foi a vez de Paula Thomaz, que continuou negando e voltou a insistir na tese de que havia passado oito horas em um shopping, sendo que não havia sido vista por ninguém ou sem qualquer prova que sustentasse tal versão. Ela foi condenada pelo júri por 4 votos a 3 e sentenciada a 18 anos e seis meses de prisão.
Graças ao bom comportamento, Guilherme e Paula deixaram a prisão em 1999, com apenas 7 anos de pena cumprida.
Aparição:
Em 2010, mesmo sob apelo contrário de Glória Perez, Carlos Massa, o Ratinho, recebeu Guilherme de Pádua em seu programa. O assassino exigiu que não tivesse plateia no dia da gravação e foi atendido pela equipe do SBT.
Blog:
E prosseguiu: “Estão aí, livres, leves e soltos, como psicopatas que se prezam. Ela, que passava os dias dormindo, magicamente tirou um diploma de segundo grau na cadeia e entrou sem vestibular numa faculdade. Casou de novo, mudou de nome -hoje é Paula Nogueira Peixoto, pintou o cabelo, retocou a cara e tenta passar despercebida. (…) Ele casou-se com outra Paula, e como o Thomaz é nome de familia, transformou a nova mulher em Paula Thomaz tambem. Sempre ávido pelos holofotes, usa o crime cometido como capital, e vive dele, dando palestras e fazendo pregações a fieis incautos.”.
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